Júri condena Google e Meta por impacto na saúde mental de adolescente

O veredicto foi anunciado após semanas de julgamento e responsabiliza a Meta e o YouTube por mecanismos viciantes

Meta Ai e adolescente
Crédito: imagem gerada com auxílio de IA ChatGPT

Joyce Canelle 2 minutos de leitura

Um júri nos Estados Unidos decidiu nesta quarta-feira (25), após mais de 40 horas de deliberação, que empresas de tecnologia contribuíram para danos a uma jovem usuária. O veredicto foi anunciado após semanas de julgamento e responsabiliza a Meta e o YouTube, controlado pelo Google, por negligência na forma como suas plataformas foram projetadas e operadas.

De acordo como a AP News, o caso é considerado um marco porque discute o impacto das redes sociais sobre crianças e adolescentes.

Os jurados concluíram que as duas empresas tiveram papel relevante nos prejuízos relatados pela autora da ação, hoje com 20 anos. Ela afirmou que o uso intenso das plataformas durante a infância levou a um quadro de dependência tecnológica e agravou problemas de saúde mental.

O júri fixou inicialmente uma indenização de US$ 3 milhões, cerca de R$ 15,7 milhões na cotação de hoje (conversor de moedas do Banco Central). O valor ainda pode crescer, já que os jurados entenderam que houve conduta grave por parte das empresas. Uma nova etapa do julgamento vai definir possíveis danos punitivos, o que pode elevar significativamente a quantia.

COMO O CASO FOI CONSTRUÍDO

A autora relatou que começou a usar o YouTube aos 6 anos e o Instagram aos 9, segundo seu depoimento, o uso se tornou constante ainda na infância, ocupando grande parte do dia.

Os advogados apontaram que elementos de design das plataformas favorecem o uso prolongado. Entre os recursos citados estão a rolagem infinita, reprodução automática de vídeos e notificações frequentes.

Para a acusação, essas ferramentas estimulam comportamento compulsivo, especialmente em usuários mais jovens.

Durante o julgamento, os jurados foram orientados a não considerar o conteúdo consumido pela jovem. A análise ficou restrita ao funcionamento das plataformas, já que a legislação americana limita a responsabilização das empresas pelo que é publicado por terceiros.

DEFESA DAS EMPRESAS

A Meta sustentou que os problemas de saúde mental da autora não tinham relação direta com o uso das redes sociais. A empresa destacou fatores pessoais e familiares e afirmou que profissionais de saúde não atribuíram a causa dos transtornos às plataformas.

O YouTube adotou uma linha diferente, a empresa argumentou que seu serviço funciona mais como uma plataforma de vídeo do que como rede social. Também destacou que o uso da plataforma pela autora diminuiu ao longo do tempo.

Ambas as empresas ressaltaram que oferecem ferramentas de controle e segurança para usuários e famílias, incluindo opções de monitoramento e limitação de uso.

ACORDOS E OUTROS ENVOLVIDOS

O processo começou com mais empresas no polo passivo, o TikTok e Snap firmaram acordos antes do início do julgamento, o que deixou apenas Meta e YouTube como rés na fase final.

Executivos das empresas foram citados durante o caso, incluindo Mark Zuckerberg e Adam Mosseri, que tiveram seus depoimentos apresentados ao júri.

O julgamento da Meta ocorre em meio a uma pressão crescente sobre empresas de tecnologia. O caso deve continuar nos tribunais e pode redefinir limites para o setor nos próximos anos.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais