Luvas de laboratório podem ter inflado estudos sobre microplásticos

Isso não significa que os microplásticos não sejam um problema relevante, alertam ospesquisadores

luvas descartáveis contribuem para a poluição por plásticos no meioambiente
Crédito: xxmmxx/ Getty Imahes/ Freepik

Jennifer Mattson 2 minutos de leitura

Cientistas podem ter superestimado o risco à saúde dos microplásticos, segundo um novo estudo da Universidade de Michigan, que identificou um fator-chave capaz de ter distorcido resultados em diversas pesquisas anteriores.

Os pesquisadores descobriram que as luvas de nitrilo e látex usadas por cientistas na medição de microplásticos podem estar gerando falsos positivos desses poluentes microscópicos.

Isso acontece porque as luvas são revestidas com partículas não plásticas chamadas estearatos, que são compostos com características semelhantes a sabões. Eles podem se desprender e contaminar equipamentos de laboratório, “criando milhares de falsos positivos por milímetro quadrado”.

Ainda assim, alerta a principal autora do estudo, isso não significa que os microplásticos não sejam um problema relevante. “Podemos estar superestimando os microplásticos, mas o ideal seria não haver nenhum”, afirmou Anne McNeil, professora de química e de ciência e engenharia macromolecular na universidade, em comunicado. “Ainda há muito por aí.”

Microplásticos são fragmentos extremamente pequenos de plástico (com menos de cinco milímetros) liberados no meio ambiente. Eles representam a forma mais comum de detritos em mares e lagos, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA, na sigla em inglês).

Em sua forma mais minúscula, aparecem como microesferas adicionadas a produtos de beleza, como sabonetes e esfoliantes; cremes; géis capilares; e até pastas de dente. Por serem tão pequenos, conseguem escapar de sistemas de filtragem e acabar na água que sai da torneira.

MICROPLÁSTICOS, MACROPROBLEMAS

A discussão ganha força no momento em que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA incluiu os microplásticos e produtos farmacêuticos como contaminantes na água potável em sua versão mais recente da lista preliminar de substâncias candidatas à regulação.

Leia também: Microplásticos estão cheios de toxinas capazes de penetrar na sua pele

O tema também avança em meio à crescente preocupação da população do país com os riscos à saúde associados à ingestão de plástico, impulsionada pela agenda “Make America Healthy Again” (Faça a América Saudável Novamente), liderada pelo secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., que busca reduzir poluentes nocivos nos alimentos, no meio ambiente e na água.


SOBRE A AUTORA

Jennifer Mattson é colaboradora da Fast Company e escreve sobre trabalho, negócios, tecnologia e finanças. saiba mais