Mattel transformará personagens em avatares da Cryptoys

Fabricante de brinquedos transformará seus famosos personagens em avatares no mundo de jogos NFT da Cryptoys

Crédito: Cryptoys

Redação Fast Company 5 minutos de leitura

Quem viveu a infância nos anos 80 ou 90 provavelmente passou tardes inteiras levando seus carrinhos ​​Hot Wheels para correr em pistas improvisadas, ou criando enredos mirabolantes para serem interpretados pelas Barbies e Polly Pockets. Mas os filhos dessa geração estão construindo memórias muito diferentes.

As crianças de 12 anos de hoje ainda têm carrinhos Hot Wheels, mas dirigem por cordilheiras localizadas do outro lado do mundo – e da tela. Elas também têm as suas Barbies e Pollys, mas as brincadeiras agora se conectam a todo um universo que envolve franquias de filmes e de jogos online. 

Nessa nova era, o poder de imaginação da indústria de brinquedos tem se propagado cada vez mais para o ambiente digital. Recentemente, a fabricante de brinquedos Mattel anunciou uma colaboração com a Cryptoys, uma plataforma para NFTs “jogáveis”.

Com essa parceria, algumas das propriedades intelectuais mais queridas da Mattel – incluindo Hot Wheels, as bonecas American Girl, Thomas o trenzinho, Polly Pockets, Barbies e bonequinhos colecionáveis do He-Man – serão transformados em avatares jogáveis ​​na plataforma Cryptoys, embora ainda não tenha sido especificado quais marcas farão parte da parceria. Os avatares serão vendidos como NFTs e lançados no “metaverso” da Cryptoys.

Desenvolvida pela OnChain Studios e financiada por empresas como Andreessen Horowitz e Dapper Labs, a plataforma Cryptoys é construída na blockchain Flow, que permite que os NFTs se espalhem em uma variedade de minijogos para telefone, tablet ou desktop.

Imagine uma espécie de Zynga da Web3, onde o dono de cada avatar terá privilégios de criador, podendo introduzir suas próprias características físicas personalizadas. Eventualmente, eles conseguirão criar suas próprias regras, codificando os jogos originais por meio de infraestrutura blockchain de código aberto, que a plataforma está trabalhando para alcançar.

O que traz o “gostinho” de metaverso para esse lançamento, como explica seu fundador, Will Weinraub, é o ecossistema de jogos mais informais – os Bejeweled e Doodle Jumps do mundo virtual, que juntos comandam um mercado de mais de 3 bilhões de jogadores casuais.

“Não estamos construindo uma versão Web3 do Warcraft”, diz ele, observando que esses jogos extensos e imersivos levam anos para serem desenvolvidos e podem impor altas barreiras financeiras e tecnológicas à entrada dos jogadores.

Em vez disso, se a Cryptoys recebesse os direitos de licenciamento para, digamos, o Bored Ape Yacht Club, ela lançaria em poucos meses um minijogo no qual o usuário toca na tela para arremessar primatas irritados sobre obstáculos enfileirados (em uma releitura de Angry Birds, só que com macacos). Esse tipo de jogo tem sido lançado primeiro nos navegadores, o que demonstra sua forte aposta na Web 2.0.

Mas não se engane: a Cryptoys, junto com a Mattel, assumiu a missão de desvendar o “futuro dos brinquedos” e como eles serão nesse mundo em evolução. Em junho passado, a Mattel se tornou a primeira fabricante de brinquedos a cunhar um NFT.

Em novembro, lançou uma coleção Hot Wheels que esgotou em uma hora, seguida pelo estouro da coleção limitada conjunta entre Barbie e a marca de luxo Balmain. Agora, a empresa é a primeira do ramo de brinquedos a fazer parceria com a Cryptoys.

“Sem dúvida, o playgroung está se ampliando”, diz o presidente da Mattel, Richard Dickson. “Queremos estar na vanguarda dessa evolução dos brinquedos nos mundos físico e digital. Nosso negócio nos leva para onde quer que o consumidor esteja, e isso inclui o metaverso e os NFTs.”

Em outras palavras, em vez de comprar um bonequinho de plástico de R$ 100 para brincar no quarto, as crianças podem comprar um NFT pelo mesmo preço e guiar seu avatar em um universo virtual.

PLANETA DOS AVATARES

Apesar da metáfora da Zynga, Weinraub descreve a Cryptoys como “uma Nintendo que nasceu na Web3” – sendo a plataforma o console e os avatares os cartuchos, cada um desbloqueando um conjunto único de jogos específicos e de personagens.

Esses avatares da próxima geração prometem ser super dinâmicos. A Cryptoys emprega uma equipe de inteligência artificial que desenvolverá progressivamente o cérebro do seu NFT, incutindo habilidades aprendidas à medida que os usuários interagem com ele. É como um Neopet (bicho de estimação virtual, uma versão web e contemporânea dos tamagotchi), mas com o qual você poderá travar interações cada vez mais sofisticadas.

No mundo dos jogos, seu NFT pode rapidamente deixar de ser um novato e passar a ser um campeão, dependendo das horas que passou aprimorando-o. Talvez, algum dia, possa até existir um mercado secundário bastante movimentado para NFTs que tenham sido aprimorados até altos níveis. 

Por enquanto, a Cryptoys está focada no lançamento, que acontecerá dentro de dois meses e será seguido por várias outras parcerias de licenciamento. A empresa também lançará NFTs para uma porção de personagens originais – um gato, um panda e um cachorro da raça corgi . Eles aparecem no site da Cryptoys vestindo diversos figurinos: um quimono de karatê, um capacete de aviador, patins ou de jaleco e óculos.

A natureza dos jogos projetados para os famosos personagens da Mattel ainda não foi revelada, mas a expectativa é de que eles sejam semelhantes aos jogos eletrônicos clássicos: estilo fliperama, jogos de corrida entre personagens, quebra-cabeças e jogos para toda a família.

Mas, apesar da boa reputação que a Mattel tem com as crianças, sua parceria com a Cryptoys começará restrita a maiores de 18 anos, por causa da logística de possuir um NFT, de abrir uma conta digital para pagamento etc. Em breve, serão oferecidas contas para menores que poderão ser monitoradas pelos pais ou responsáveis. 

BRINCADEIRA SÉRIA

“NFTs interativos têm um nível totalmente novo de complexidade – você está construindo mecanismos de jogos como Unity ou Unreal, precisa de artistas de modelagem 3D, artistas de texturas, precisa conceituar as experiências em torno desses personagens, já que eles não podem ficar parados, sem fazer nada”, diz Weinraub. “Há muitas camadas nesse processo.”

O avanço ainda esbarra no fato de que a comunidade de jogadores sérios se recusou firmemente a adotar NFTs. Grandes estúdios que fizeram incursões nas criptomoedas, como Electronic Arts e Ubisoft, vêm enfrentando uma reação feroz dos fãs.

Mas daqui em diante, prevê Weinraub, um novo boom está por vir, o que pode tirar a criptomoeda de sua atual baixa e fazer com que ela suba novamente.

“Em 2023, acredito que muitos dos projetos que foram financiados durante a primeira corrida das cripto, há dois anos, começarão a ver a luz do dia, o que dará início a uma onda de entretenimento e utilidade em torno das NFTs”, diz ele.  “É porque demora um pouco até que isso seja construído e chegue a público.”

Com base em texto de Connie Lin, redatora da Fast Company.


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