Mercado de ingressos para shows está “falido”, afirma departamento de justiça ao abrir caso contra Ticketmaster
O processo aberto em 2024 ganhou novo peso com a abertura formal do julgamento contra a empresa vendedora de ingressos

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirmou na última terça-feira (3), em tribunal federal em Manhattan, que o mercado de ingressos para shows está falido e sob controle de um monopólio.
A declaração foi feita na abertura do julgamento contra a Ticketmaster e sua controladora, a Live Nation, acusadas de abuso de poder econômico e práticas anticompetitivas que, segundo o governo, prejudicam fãs, artistas e casas de espetáculos.
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A ação envolve o governo federal, o estado de Nova York e outros 38 estados, além de Washington D.C. O processo pode resultar na separação das empresas ou no pagamento de indenizações aos consumidores, segundo o The Guardian.
MÉDIA POR INGRESSO
Durante a sessão, um advogado ligado ao estado de Nova York afirmou aos jurados que a Ticketmaster retém, em média, US$ 7,58 por ingresso vendido em grandes casas de shows
Segundo a acusação, os consumidores dos estados envolvidos no processo tenham pago entre US$ 1,56 e US$ 1,72 a mais por entrada.
Para o Departamento de Justiça, a empresa domina o mercado de eventos ao vivo e impõe condições que dificultam a concorrência. A Live Nation também é acusada de exigir que artistas utilizem seus serviços de promoção para se apresentar em anfiteatros que pertencem ao grupo.
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A defesa sustenta que a Ticketmaster fica com cerca de 5% do valor final pago pelo público e afirma que enfrenta forte concorrência no setor.

MERCADO NACIONAL
O debate ocorre em um momento de alta demanda por shows e festivais ao redor do mundo. No Brasil, a plataforma também opera na venda de ingressos para grandes turnês internacionais e eventos de grande porte.
O Brasil será palco de apresentações aguardadas, como o show dos Jonas Brothers, que mobiliza milhares de fãs na busca por ingressos. Em casos como esse, há opções que vão desde entradas comuns, com valores entre R$ 210,00 e R$ 850,00, até pacotes VIP.
O Pacote VIP Ultimate Lounge, por exemplo, soma ingresso de Pista Premium e serviços exclusivos.
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A modalidade inteira chega a R$ 4.539,00, sendo R$ 850,00 referentes ao ingresso e R$ 3.689,00 ao pacote. A meia-entrada custa R$ 4.114,00, com R$ 425,00 do ingresso e o mesmo valor adicional pelos serviços.
Há ainda o Pacote VIP Lounge, com valores de R$ 3.801,00 na inteira e R$ 3.376,00 na meia-entrada.
Festivais também utilizam a plataforma. O Lollapalooza Brasil já tem ingressos à venda para a edição de 2026. O Lolla Pass, que garante acesso aos três dias de evento, varia de R$ 1.407 a R$ 2.815. Já o Lolla Day, para um único dia, parte de R$ 525 e pode chegar a R$ 1.093.
JULGAMENTO
O processo aberto em 2024 ganhou novo peso com a abertura formal do julgamento. O juiz federal Arun Subramanian rejeitou pedido da empresa para suspender o caso enquanto tenta recorrer de pontos já descartados.
Paralelamente, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos move ação separada contra a Ticketmaster. O órgão acusa a companhia de permitir que revendedores desrespeitem regras internas e cobrem valores considerados abusivos.
O resultado do julgamento é acompanhado com atenção por consumidores, artistas e organizadores de eventos.
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Caso haja condenação ou determinação de divisão da empresa, o mercado global de shows pode passar por mudanças estruturais, com possíveis reflexos também no Brasil, onde grandes turnês e festivais movimentam cifras milionárias e concentram parte significativa da venda em plataformas digitais.