Meta é acusada de usar IA para escolher parte dos 8 mil demitidos

Grupo de 26 funcionários e ex-funcionários diz que ferramentas de IA favoreceram demissões discriminatórias; Meta contesta as acusações

Meta é acusada de usar IA para escolher parte dos 8 mil demitidos
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Ella Chakarian 3 minutos de leitura

Um grupo de funcionários e ex-funcionários da Meta entrou com uma ação judicial alegando que a empresa utilizou sistemas de inteligência artificial para selecionar empregados demitidos durante a rodada de cortes realizada em maio, que eliminou cerca de 10% da força de trabalho (aproximadamente oito mil pessoas).

Segundo o processo, o uso dessas ferramentas teria prejudicado desproporcionalmente funcionários com deficiência ou que estavam em licença médica ou familiar.

A ação, protocolada na Justiça Federal em Oakland, na Califórnia, afirma que, em vez de confiar na avaliação dos gestores, a Meta recorreu a uma "constelação de sistemas internos de inteligência artificial" para elaborar a lista de demissões.

Entre as ferramentas citadas estão um sistema chamado internamente de Metamate. É composto por agentes de IA treinados pelos próprios funcionários como uma espécie de "segundo cérebro", além de dados de acionamento de teclas, painéis que medem o uso de tokens de IA e sistemas de avaliação e calibração de desempenho.

Segundo os autores, esses mecanismos acabaram penalizando funcionários que se ausentaram do trabalho por motivos médicos ou para cuidar de familiares. "O processo de pontuação não só deixou de considerar as licenças protegidas por lei, como, na prática, penalizou os empregados por exercerem seus direitos legais", afirmam os autores da ação.

Os autores do processo incluem 26 funcionários e ex-funcionários da Meta dos estados da Califórnia, Flórida, Illinois, Nova York, Pensilvânia, Washington e do Distrito de Columbia.

"AQUI É A META"

De acordo com a ação, uma das funcionárias foi incluída na lista de demissões enquanto estava em licença maternidade aprovada pela empresa.

Outro autor afirma que seu gerente o desencorajou a tirar licença médica, dizendo que a alta liderança "com certeza" o demitiria ou o indicaria para a rodada de cortes. Quando o funcionário mencionou a legislação do estado de Washington que protege empregados em licença, o gerente teria respondido "aqui é a Meta" e "se a empresa quer alguma coisa, ela faz acontecer".

Leia mais: Oracle mostra como demissões frias viraram padrão nas big techs

Vários autores também afirmam que suas pontuações nos painéis de uso de IA caíram durante o período de afastamento porque o sistema registrava a ausência como falta de engajamento.

Em mensagem enviada à Fast Company, os advogados dos autores afirmaram que a Meta "deliberadamente manteve em segredo o funcionamento do processo de seleção de demissões – algo reconhecido pelo próprio CEO da empresa". Por isso, defendem que seja realizada uma auditoria independente antes mesmo do avanço do processo de arbitragem.

META NEGA USO DE IA PARA DECIDIR DEMISSÕES

Embora os contratos de trabalho da Meta incluam cláusulas que restringem ações coletivas, os autores buscam uma decisão liminar para impedir que a empresa conclua as demissões com base nas atuais práticas, invocando leis federais e estaduais de combate à discriminação.

Em nota enviada à Fast Company, um porta-voz da Meta rejeitou as acusações. "Essas alegações não têm mérito e não se baseiam em fatos. As decisões sobre gestão da força de trabalho e estrutura organizacional foram e continuam sendo tomadas por pessoas, e não por inteligência artificial", diz o comunicado.

uma das funcionárias foi incluída na lista de demissões enquanto estava em licença maternidade.

No início do ano, a Meta anunciou que passaria a monitorar as teclas digitadas pelos funcionários para treinar sistemas de IA. Mas o programa foi suspenso em junho, após um vazamento interno expor dados de empregados.

A iniciativa enfrentou forte resistência interna, levando funcionários a organizar um abaixo-assinado pedindo o fim da coleta de dados para treinamento de modelos de IA.

As tensões dentro da empresa vêm crescendo nos últimos meses. Em junho, o diretor de tecnologia (CTO), Andrew Bosworth, afirmou que a moral dos funcionários estava "próxima do pior nível de todos os tempos".


SOBRE A AUTORA

Ella Chakarian é jornalista e cobre os temas de tecnologia e cultura. Seus trabalhos foram publicados em veículos como Rolling Stone, ... saiba mais