Moderna e Merck têm resultado positivo em teste de vacina contra o melanoma

Tratamento experimental apresentou resultados promissores contra o retorno do melanoma

Vacina
Créditos: Pexels

Lilian Campos 2 minutos de leitura
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A Moderna avançou no desenvolvimento de uma vacina experimental contra o melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele. A terapia personalizada, desenvolvida em parceria com a Merck, apresentou resultados positivos em um estudo clínico de fase 3 quando combinada ao medicamento Keytruda.

Segundo a Merck, os dados indicam que a combinação ajudou a reduzir o risco de retorno do câncer e de sua disseminação em pacientes que passaram por cirurgia para retirar o melanoma. Os pesquisadores ainda apresentarão os resultados com mais detalhes, e as autoridades não disponibilizaram a terapia para uso geral.

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COMO FUNCIONA A VACINA?

A proposta usa a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) para estimular o sistema imunológico a reconhecer características específicas do tumor.

A tecnologia adapta a vacina às necessidades de cada paciente ao identificar as alterações nas células cancerígenas. A partir disso, o tratamento capacita o sistema imunológico a rastrear e eliminar células tumorais restantes.

De acordo com a Merck, o tratamento associa a terapia ao Keytruda, medicamento que combate diversos tipos de câncer. No estudo, os pesquisadores compararam os resultados da combinação com o uso do Keytruda sozinho.

O QUE O ESTUDO MOSTROU?

O estudo de fase 3 envolveu pacientes com melanoma de alto risco que haviam passado por cirurgia para remover o tumor. A combinação da vacina com o Keytruda apresentou resultados melhores nos principais objetivos analisados.

Os dados apontaram uma redução no risco de recorrência do melanoma e de sua disseminação para outras partes do organismo em comparação com o tratamento apenas com Keytruda.

Os resultados representam um avanço importante para as pesquisas com vacinas personalizadas contra o câncer, mas não significam que os médicos já possam utilizar a terapia de forma ampla.

COMO A CIÊNCIA ADAPTA A VACINA A CADA PACIENTE?

A estratégia parte das características do próprio tumor de cada paciente. Como os cânceres podem apresentar diferentes alterações, a vacina é desenvolvida para reconhecer os sinais específicos encontrados naquele tumor.

Essa abordagem busca fazer com que o sistema imunológico tenha um alvo mais preciso. A tecnologia de mRNA, conhecida principalmente pelas vacinas contra a Covid-19, também vem sendo estudada para outras aplicações na área de câncer.

A VACINA JÁ ESTÁ DISPONÍVEL?

Não. O tratamento continua em fase de pesquisa e ainda precisa passar pelas etapas regulatórias necessárias antes de uma eventual aprovação.

Por isso, os resultados positivos do estudo não significam que os pacientes com melanoma já possam receber a vacina fora dos ensaios clínicos. A Moderna e a Merck também investigam a tecnologia para outros tipos de câncer.

Assim, o avanço é relevante para a pesquisa de tratamentos personalizados, mas ainda há etapas pela frente antes que a vacina possa ser disponibilizada para os pacientes oncológicos.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais