Pesquisa aponta tendências de design que melhoram a experiência do consumidor

Crédito: Havaianas

Fast Company Brasil 8 minutos de leitura

É bastante comum que as pessoas pensem em design como algo atrelado a decoração. Mas o conceito vai muito além do visual ou da beleza de um objeto. No dicionário, a palavra consta como a conceituação de qualquer produto com seu ponto de vista estético e de sua funcionalidade. Porém o design tem sido aplicado cada vez mais – e das mais diferentes formas – em soluções não só de negócios, como também sociais e ecológicas. Mais do que isso: vem unindo todos esses universos.

Uma embalagem, um produto ou serviço desenvolvido é uma oportunidade para gerar maior eficiência, e isso envolve também a experiência do consumidor. Em outras palavras, tudo isso representa uma chance para o design inspirar utilidade. Seguindo esse conceito, a CBA B+G, agência de branding e design integrante do grupo WPP, analisou distintos elementos, aplicações e projeções para estabelecer 15 tendências para o design útil neste ano, resultando no documento “Useful Design Trends 2022”.

Luis Bartolomei, sócio e CEO da CBA B+G, conta que o posicionamento da agência é que tudo que é feito pela casa tem de culminar em interações transformadoras para que marcas possam promover experiências relevantes para as pessoas. “O design é o que há de mais tangível nesse processo, seja gráfico, de produto, ambiental ou de serviço”. Como dizem, design existe para resolver problemas, para ajudar as marcas a serem úteis.

A lista de tendências foi dividida em cinco tópicos: Meio-Ambiente, Acesso, Empoderamento, Bem-Estar e Sociedade. O documento apresenta exemplos práticos e caminhos para as marcas que estejam desenvolvendo produtos e serviços durante este ano. O ponto central está em oferecer soluções criativas e eficazes para diferentes necessidades por meio do design.

PARA RESPEITAR O MEIO-AMBIENTE

1. Pegada de carbono 

Com a promessa de grandes corporações em reduzir emissões de combustíveis fósseis, mais empresas estão adotando métricas de carbono, com destaque em seus rótulos, embalagens e na comunicação. Nos EUA, a marca de skincare Cocokind adotou um rótulo com informações sobre sustentabilidade (emissão de CO2 e procedência, entre outras). Como se fosse um painel com dados nutricionais. No Brasil, a marca No Carbon, de produtos à base de leite, traz certificado de produto orgânico e livre de crueldade, além de estampar seu compromisso no nome.

A marca brasileira No Carbon traz certificado de produto orgânico (Crédito: No Carbon/ Facebook)

2. Novos ciclos

Empresas e comunidades têm encontrado maneiras criativas de repensar produtos, seja via reciclagem ou pela criação de novos formatos. Reaproveitar materiais ou sobras se tornou cool. Além disso, marcas têm oferecido recompensas aos clientes que aderem à causa. Por aqui, a linha Natural Extracts, da Colgate, é a primeira da América Latina em tubo reciclável. Nos EUA e na Europa, a Ikea lançou um programa de recompra de móveis usados, com os clientes podendo receber até 50% do valor original. 

3. Recebidos importam

Com tantas entregas feitas pelo e-commerce, a experiência do unboxing ganhou mais relevância. As pessoas estão atentas às marcas com abordagem mais sustentável. Ao receber e desempacotar o produto, o consumidor percebe que a empresa pensa no meio-ambiente? A americana Allbirds repensou a caixa de seus tênis para que a embalagem fosse útil para o transporte da loja para a casa do consumidor como também servisse para envio pelo correio, dispensando outros materiais para embrulhar o calçado.

(Crédito: Pinterest)

PARA PROMOVER ACESSO

4. Let’s get phygital

Após tanto tempo de compras puramente online, o retorno presencial às lojas pede experiências que vão estreitar cada vez mais a separação entre o físico e o digital. O futuro do varejo é phygital. Vide a expansão nos EUA da Amazon Go, em formato de loja de conveniência. A rede conta com um sistema sem caixa, que faz combinação de câmeras no teto e sensores de peso nas prateleiras para rastrear clientes e itens conforme eles se movem pela loja. O pagamento é via mobile.

Nos EUA, a rede Amazon Go está se expandindo com sistema sem caixa e pagamento mobile (Crédito: divulgação)

5. Expansão virtual

Com ferramentas capazes de mesclar realidades – inspiradas no mercado de games, que vive um boom –, marcas estão de olho no metaverso e têm encontrado novas maneiras de também estar presentes no universo virtual, construindo pontes entre os mundos. No ano passado, Havaianas inaugurou uma ilha no Fortnite, semelhante a um chinelo, e lançou uma coleção colaborativa, fazendo parte do jogo de forma orgânica.

Havaianas entrou para o Fortnite com uma ilha e uma coleção colaborativa (Crédito: divulgação)

6. Refil é legal

Marcas de diferentes categorias estão tornando o reabastecimento mais acessível, oferecendo postos de recarga em lojas e experiências que incentivam pessoas a adoção de um novo estilo de vida. Estações de refil da Unilever na Europa encorajam o consumidor a levar embalagens usadas para recarga a preços acessíveis.

PARA APOSTAR NO EMPODERAMENTO

7. Abraçando a diferença

O The World Bank Report aponta que 15% da população mundial têm algum tipo de deficiência. Diante desse índice, mais companhias estão pensando no design de seus produtos para que estes sejam naturalmente acessíveis para o maior número de pessoas possíveis e que apresentem uma narrativa que celebra públicos muitas vezes ignorados. No Brasil, a Maggi preparou um guia sensorial de culinária para pessoas com deficiência visual. Ele foi desenvolvido em parceria com a Fundação Dorina Nowill. E a Nike lançou Flyease, um tênis que pode ser calçado e tirado sem o uso das mãos.

8. All inclusive

Mais do que nunca, a diversidade e a autoexpressão estão sendo celebradas, especialmente por grupos sub-representados. Isso força as marcas a criarem experiências que contemplem, em produtos e serviços, um posicionamento verdadeiramente inclusivo. A Lego lançou em 2021 “Everyone is Awesome”, uma coleção inspirada na icônica bandeira do arco-íris que apresenta 11 figuras monocromáticas, cada uma com sua própria cor da bandeira LGBTQIA+. No Brasil, destaque para a Boxer, calcinha da Pantys (marca de roupa íntima absorvente) voltada para homens trans ou pessoas não-binárias que não se identificam com produtos tradicionais femininos.

 Lego criou uma coleção para celebrar a diversidade, com figuras inspiradas na bandeira do arco-íris (Crédito: divulgação)

9. Faça você mesmo (DIY)

Perguntas começando com “como fazer” decolaram no Google durante a quarentena. Elas expressam desde o desejo de ter novas habilidades ou resolver problemas por conta própria. Nessa toada, empresas podem estimular a personalização, oferecendo opções a serem cocriadas, customizadas ou finalizadas pelo consumidor. Na França, a marca de cosméticos Nidé paga a seus clientes por ideias de cocriação de itens que vão do conceito até o desenvolvimento do produto final.

PARA NUTRIR O BEM-ESTAR

10. Apenas relaxe

Transtornos mentais são mais comuns que imaginamos, e a pandemia agravou a situação. Companhias estão abrindo diálogo sobre o assunto e algumas desenham soluções, produtos e serviços para dar conforto, apoio ou gerar ganho emocional. Nos EUA, a PepsiCo dispõe da Driftwell, uma água flavorizada e enriquecida com L-teanina, que promete promover relaxamento. Seus sabores são inspirados na experiência dos spas.

(Crédito: Driftwell)

11. Modo vibrante

Estamos vislumbrando o fim da pandemia. Encontros, festas e comemorações surgem na mente – o que vão ocorrer com intensidade quando o quadro permitir. Assim, haverá uma explosão de cores, estilos e narrativas alegres que comemoram a vida. A população pede mais vibração. A marca americana Magic Spoon oferece uma versão adulta dos clássicos cereais americanos, com embalagem em cores vivas e grafismos modernos. Ela estampa felicidade.

12. Viva a nostalgia

Depois dos “tempos estranhos” provocados pela pandemia, muitas pessoas estão se apegando a elementos do passado, a memórias afetivas e sensações positivas ao evocar como as coisas costumavam ser. Diversas marcas vêm explorando isso ao gerar, pelo design ou por novas versões de produtos de sucesso, um senso de conforto e nostalgia. O rebranding global do Burger King é um exemplo. A rede investiu em um logo retrô inspirado na identidade e nos elementos gráficos das décadas de 1970 e 1980, homenageando sua herança e seu lugar icônico na cultura de fast food.

PARA MELHORAR A SOCIEDADE

13. Touchless

A crise provocada pela covid-19 impactou profundamente a maneira como interagimos com espaços públicos. Do trabalho a hotéis, lojas e restaurantes, novas soluções, especialmente as que não demandam contato físico direto, geram não apenas conveniência, mas também maior sensação de segurança. A Diesel lançou uma coleção com tecido em Polygiene, tecnologia que promete previnir até 99% dos vírus.

14. Neutralidade, não

Muito além do discurso, marcas estão diretamente protestando contra políticas governamentais e assumindo responsabilidades em busca de uma sociedade melhor, mais inclusiva e justa. A neutralidade não é mais aceita pelo público. O case “True Name”, da Mastercard, reflete essa postura. A empresa validou o uso do nome social nos cartões de crédito, favorecendo a inclusão de pessoas trans e não-binárias. 

15. Comunidade Branding

Marcas estão unindo esforços em prol de uma sociedade melhor e em apoio a causas em comum, demonstrando que, em muitos casos, a junção de forças é muito mais valiosa que a competição. A Latinx Amplify, da Snacknation (EUA), oferece uma caixa de snacks que reúne apenas produtos de marcas de origem latina, indígena, negra e de empresas fundadas por mulheres.

Para conhecer mais cases, exemplos e indicações de como colocar em prática cada uma das tendências indicadas aqui, acesse a versão completa do “Useful Design Trends 2022”. 


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