Pirâmide alimentar dos EUA passa por mudança e adota lógica parecida com a do Brasil; entenda

Confira a diferença do novo modelo e o que muda para os americanos

nova pirâmide alimentar dos EUA
(DIvulgação/USDA)

Redação Fast Company Brasil 4 minutos de leitura

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou na quarta-feira (7), a nova pirâmide alimentar invertida do país e surpreendeu a todos com algumas mudanças específicas.

Dentre elas, agora, a nova pirâmide incentiva os americanos a comerem alimentos integrais ou minimamente processados, que chama de "comida de verdade", e traz o bife, queijo e leite integral perto do topo. O que já era um interesse antigo do Secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr.

Os desejos políticos de Kennedy também transparecem no novo site da iniciativa, realfood.gov, que apresenta um texto que se assemelha a um manifesto da MAHA. O National Design Studio criou um design minimalista para o site, inspirado em empresas de bens de consumo como Chobani e Sweetgreen, com fontes sans-serif limpas e ilustrações divertidas.

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A plataforma funciona como vitrine de um novo guia alimentar que, em vários pontos, tem semelhanças com o Guia Alimentar para a População Brasileira, cuja primeira edição foi publicada em 2006, ao valorizar alimentos in natura e minimamente processados.

A principal diferença está no enfoque nutricional: enquanto o guia brasileiro prioriza alimentos de origem vegetal como base da dieta, a proposta apresentada no site coloca as proteínas no centro da alimentação.

Os interesses políticos de Kennedy aparecem de forma clara no novo site da iniciativa, realfood.gov, que adota um tom próximo ao de um manifesto da MAHA. O projeto visual, assinado pelo National Design Studio, aposta em design minimalista inspirado em marcas de bens de consumo como Chobani e Sweetgreen, com tipografia sans-serif limpa e ilustrações leves.

A plataforma funciona como vitrine de um novo guia alimentar que, em vários pontos, dialoga com o Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado em 2006, ao valorizar alimentos in natura e minimamente processados.

A principal diferença está no enfoque nutricional, enquanto o guia brasileiro prioriza alimentos de origem vegetal como base da dieta, a proposta apresentada no site coloca as proteínas no centro da alimentação.

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A NOVA PIRÂMIDE INVERTIDA

A pirâmide alimentar original, divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 1992, tinha seis seções. Já a nova versão, conta com três: proteínas, laticínios e gorduras saudáveis; vegetais e frutas; e grãos integrais. Os doces foram removidos.

A nova pirâmide alimentar utiliza menos grupos, combinando categorias da pirâmide original. Os grãos integrais, que antes faziam parte da base da pirâmide original, agora compõem a menor porção da nova versão, enquanto categorias antigas, frutas e verduras, e carnes e laticínios, foram combinadas.

O infográfico é colorido, com ilustrações atraentes e pictóricas de exemplos de alimentos que poderiam aparecer em uma revista de alimentação saudável dos anos 70. Mas, como peça de design de comunicação, o infográfico é menos eficaz. Não fica claro o quão literal deve ser a disposição dos alimentos no infográfico.

 E embora os documentos de apoio à nova pirâmide ofereçam diretrizes específicas, como a sugestão de que o consumo de gordura saturada não deve exceder 10% do total de calorias diárias, a própria nova pirâmide não comunica detalhes específicos.

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Os usuários podem passar o cursor sobre cada seção da pirâmide para obter informações adicionais, mas elas são bastante limitadas. A pirâmide não indica quantas porções de laticínios ou gorduras saudáveis ​​você deve consumir. E para determinar sua meta de proteína, o site realfood.gov pede aos americanos que realizem a etapa adicional de primeiro calcular seu peso em quilogramas. 

As novas diretrizes do governo federal, atualizadas a cada cinco anos, também removem recomendações específicas sobre o consumo diário de álcool e apenas sugerem beber menos. Além disso, recomendam maior ingestão de proteínas e laticínios integrais.

Designers do governo já trabalharam para aprimorar a pirâmide alimentar anteriormente. Em 2005, um gráfico atualizado fez com que os segmentos alimentares fossem divididos horizontalmente, formando uma fatia ascendente.

Em 2011, eles abandonaram a pirâmide por completo em favor do MyPlate, uma representação esqueumórfica das diretrizes alimentares que utiliza um gráfico circular para representar as porções como elas apareceriam em um prato.

A nova pirâmide de 2026 representa as prioridades do programa "Make America Healthy Again" (MAHA, na sigla em inglês) do governo Trump, sob a gestão do Departamento de Saúde de Kennedy, e surge dois dias depois de a agência ter reduzido o número de vacinas recomendadas para crianças, o que preocupou grupos médicos.

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De acordo com o site, as novas recomendações da pirâmide alimentar não pretendem ser uma dieta rígida, mas sim "uma estrutura flexível destinada a orientar melhores escolhas".

Com informações de Hunter Schwarz em reportagem da Fast Company.


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