POR LENA CASTELLÓN

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, tem um fetiche por óculos. Mas seu foco estava mais nos modelos para realidade aumentada, caso do Oculus Rift, produzido pela Oculus, empresa adquirida em 2014. Agora, a menina dos olhos, por assim dizer, é o Ray-Ban Stories, modelo de óculos inteligentes lançado nesta semana fruto da parceria entre o Facebook e a Ray-Ban.

O wearable faz fotos e vídeos, toca música e recebe ligações. Tem câmeras duplas de 5MP e é possível usar um botão para captura ou utilizar comando de voz. Zuckerberg, que gosta de smartphones por resolverem a vida da pessoa, mas acha ruim ter de tirá-los do bolso para cumprir essas atividades corriqueiras, comemora o fato de que o Ray-Ban Stories possa começar a gravar cenas bastando dizer “Hey, Facebook”.

A partir de US$ 299 e em 20 estilos, o wearable da parceria Ray-Ban e Facebook já está disponível para compra online e em lojas de varejo selecionadas em seis países: EUA, Austrália, Canadá, Irlanda, Itália e Reino Unido. Os estilos incorporam alguns dos modelos Ray-Ban mais icônicos, como Wayfarer, Round e Meteor. Há cinco opções de cores e uma ampla gama de lentes, incluindo transparente, sol, Transition e de prescrição.

Esses detalhes todos mostram um diferencial significativo do Ray-Ban Stories em comparação a outros óculos inteligentes que foram lançados. Eles se parecem com modelos comuns! Com estilo e conforto. Quando o Snapchat apresentou o Spectacles, em 2017, a sensação foi de que o acessório daria uma cara geekie a todos os que os usassem na rua, o que pode ser muito legal, dependendo do gosto de cada um.

 

 

MAIS RECURSOS

Fora o estilo “comum”, o Ray-Ban Stories vem equipado com potentes alto-falantes. Com isso, dá para ouvir música sem problemas. Dispõe ainda de três microfones. O Facebook informa que a tecnologia Beamforming e um algoritmo de supressão de ruído de fundo ajudam a melhorar a qualidade das ligações.

Fotos e vídeos feitos pelo modelo podem ser acessados por meio de um novo aplicativo, o Facebook View, disponível para iOS e Android. Além de importar as fotos e vídeos, a aplicação torna mais fácil editar e compartilhar as cenas registradas. Um vídeo curto da corrida ou do passeio com o cachorro (de 30 segundos), acionado pela Assistente de Voz, pode ser compartilhado no perfil do usuário no Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp, e também no Twitter, TikTok e até no Snapchat.

Há um detalhe importante no novo acessório: uma luz de LED se acende para que as pessoas que estão por perto saibam que o usuário está capturando cenas. Colocado contra a parede por questões de privacidade nos últimos anos, o Facebook faz questão de ressaltar essa funcionalidade.

Outro ponto que as empresas ressaltam: os Ray-Ban Stories coletam dados necessários para que os óculos funcionem, como o status da bateria para alertar quando ela está fraca. Também checa o endereço de e-mail e a senha de login no Facebook para verificar se o usuário é realmente o dono daquele acessório – isso quando ele entrar no Facebook View. Pode-se optar por compartilhar dados extras, desde o número de imagens capturadas até o tempo utilizado nos vídeos.

O uso da Assistente do Facebook para captura por comando de voz é também opcional. Essas atividades são registradas e existe uma forma de apagar as transcrições de voz.

 

 

CAMINHO PARA A REALIDADE AUMENTADA

A companhia fundada por Zuckerberg entrou na parceria com a Ray-Ban via Facebook Reality Labs, área que tem a missão de “construir ferramentas que ajudem as pessoas a se sentirem conectadas, a qualquer hora e em qualquer lugar”. Realidade virtual e aumentada são consideradas por eles como a próxima plataforma de computação.

De acordo com o Facebook, a EssilorLuxottica, dona da marca Ray-Ban, compartilha a visão de wearables com potencial de transformar a maneira como as pessoas interagem com o mundo e com outras pessoas. Por isso, o lançamento da primeira geração dos óculos inteligentes Ray-Ban Stories sinaliza que a parceria poderá render uma tecnologia ainda mais inovadora.

Zuckerberg chama os Ray-Ban Stories de um marco no caminho do que imaginam que serão os óculos de realidade aumentada no futuro. O CEO do Facebook pondera que há muito trabalho que precisa ser feito até lá. Mas, enquanto isso, eles se dedicam a pensar o que é possível oferecer hoje.

DESIGN EM FOCO

Há outro aspecto a ser observado no novo wearable. As câmeras e os componentes de áudio do Ray-Ban Stories não ocupam muito espaço. Isso foi essencial para o projeto porque a EssilorLuxottica tinha um objetivo de design que não podia ser quebrado. “Queríamos ter um Ray-Ban real”, disse Matteo Battiston, head global de design e pesquisa de mercado da Luxottica.

O wearable começou a ser desenvolvido a partir das dimensões de um par clássico de Wayfarers. Os óculos inteligentes foram aumentados apenas um pouco para acomodar a parte eletrônica. A Luxottica definiu com o Facebook o que era possível fazer no espaço reservado para isso. “Eles realmente atenderam às nossas expectativas de design”, contou Rocco Basilico, diretor de wearables da fabricante de óculos.

Mesmo o peso não é muito diferente. Os Ray-Ban Stories na versão Wayfarers são apenas cinco gramas mais pesados ​​do que um modelo padrão. Com isso, vendo de longe, quem iria adivinhar que há alta tecnologia empregada naqueles óculos?

 

SOBRE A AUTORA

Lena Castellón é jornalista, corredora, escreve sobre marketing, vida digital, esportes e saúde e é colaboradora da Fast Company Brasil. Este artigo baseou-se no texto de Harry McCracken, da Fast Company.