SafeSpace cria ambiente seguro para funcionários com problemas no trabalho

Plataforma visa criar uma cultura de confiança nos programas de compliance para que o funcionário se sinta apoiado ao relatar um problema

Crédito: Ketut Subiyanto/ Pexels

Redação Fast Company Brasil 3 minutos de leitura

O ano de 2022 foi marcante no que diz respeito a mudanças nas relações de trabalho. Depois de anos pandêmicos, funcionários estão exigindo um comportamento mais ético e menos tóxico das empresas, para evitar um esgotamento que antes era comum e até valorizado, chegando a fazer denúncias em seus perfis no LinkedIn.

Canais de denúncia, hoje em dia, são uma estratégia bastante utilizada para dar voz aos funcionários com problemas e ainda preservar sua integridade. Para inovar nessa área, um grupo de empreendedoras criou a SafeSpace, plataforma para prevenir, comunicar e resolver problemas de comportamento no trabalho.

Diferente de canais de denúncia tradicionais, a solução foi criada para negócios, mas projetada pensando na experiência do colaborador em primeiro lugar.

Ainda existe uma cultura de reação, e não de prevenção.

“O maior desafio é criar uma cultura de confiança nas empresas. Ter a garantia de que as pessoas vão ser apoiadas e se sentir seguras com a atuação do programa de compliance quando um problema de conduta acontecer” afirma Diego Guedes, líder de pessoas e cultura na SafeSpace. “Ainda existe uma cultura de reação, e não de prevenção. Muitas empresas têm programas de compliance só para cumprir regulamentações, sem a intenção de criar valor.”

A ideia da SafeSpace surgiu em 2019, quando Rafaela Frankenthal, atual CEO, voltou ao Brasil depois de concluir um mestrado sobre estudos de gênero e quis testá-la e validá-la, entendendo se havia demanda para a solução.

No caminho, foi agregando a expertise das outras cofundadoras: Claudia Farias, atual CTO, na parte de desenvolvimento da plataforma online, com a primeira versão lançada em 2020; Natalie Zarzur, COO; e Giovanna Sasso, CPO, para dar gás ao negócio de desenvolvimento da solução depois que notaram a aderência com as empresas.

Co-fundadoras da SafeSpace: Giovanna Sasso, Claudia Farias, Rafaela Frankenthal e Natalie Zarzur (Crédito: Divulgação)

“Um grande diferencial é o foco no relacionamento com o cliente. Independentemente do tamanho da empresa, nós priorizamos o suporte às pessoas que administram o canal para garantir que o cliente extraia o maior valor possível com o uso da plataforma”, afirma Rafaela.

CÓDIGO DE CULTURA À LA NETFLIX

Para inspirar outras companhias a criar um ambiente mais acolhedor e de confiança, a SafeSpace divulgou em setembro o seu Código de Cultura, inspirado pela Netflix. “Ela é reconhecida como uma das maiores referências de cultura organizacional dessa geração. Eles foram pioneiros em levantar a bandeira da ‘autonomia e responsabilidade’ na relação entre empresa e pessoa colaboradora”, diz Guedes.

Muitas empresas têm programas de compliance só para cumprir regulamentações, sem a intenção de criar valor.

Há mais de 10 anos, o CEO da Netflix, Reed Hastings, levou a público o “Código da Cultura”, que, na época, viralizou e hoje já conta com quase 20 milhões de acessos. Com isso, a Netflix instituiu uma nova camada na relação entre empresa e colaborador.

”Essa camada, que chamamos de ‘meta acordos’, é responsável por alinhar as expectativas em relação ao comportamento e aos resultados de forma direta, transparente e intencional. Os ‘meta acordos’ vêm depois da etapa contratual e sucedem a entrada na empresa e seus rituais”, afirma Guedes.

Para a SafeSpace, o código de cultura, através da definição de comportamentos-chave e de estratégias de storytelling, torna concreta a subjetividade inerente à missão e valores de uma empresa.

“Quando são artefatos invisíveis, só no plano das ideias, é muito comum que esses valores organizacionais se tornem enfeites na parede do escritório e não integrem o dia a dia das equipes”, diz Guedes. “Por isso, o documento serve de base para todos os processos, otimizando a forma como contratamos, desenvolvemos, promovemos e desligamos pessoas.”

O documento está disponível gratuitamente aqui.


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