Google, Nvidia, Gupy e Itaú debatem IA, trabalho e computação quântica no SP2B 2026
Evento ocupa o Parque Ibirapuera de 9 a 16 de agosto e reúne executivos e pesquisadores para discutir soberania digital, infraestrutura e novas aplicações da tecnologia.

Quem controla a infraestrutura necessária para o avanço da inteligência artificial? Quais profissões serão transformadas pela automação? Quando a computação quântica deixará de ser uma promessa? E como a IA começa a sair das telas para operar máquinas, fábricas e cidades?
Essas são algumas das perguntas que atravessam a programação de tecnologia do SP2B - São Paulo Beyond Business. A primeira edição completa do evento acontece de 9 a 16 de agosto, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, com participantes de empresas como Google, Nvidia, Gupy, Itaú, Red Hat e Accenture.
O projeto surgiu depois que uma tentativa de trazer uma franquia do South by Southwest para São Paulo não foi aprovada pela organização do festival norte-americano. Como a Fast Company Brasil mostrou no anúncio do SP2B, a decisão foi criar um evento próprio, inspirado na mistura de tecnologia, cultura, criatividade e negócios do South by Southwest (SXSW).
Segundo a organização, o SP2B terá mais de dois mil palestrantes, 750 painéis e mil horas de conteúdo distribuídas por mais de 20 palcos. A expectativa dos realizadores é receber cerca de 700 mil visitantes durante os oito dias.
Em meio a uma programação tão extensa, os painéis de tecnologia revelam quatro debates que já deixaram o campo das tendências e passaram a influenciar decisões econômicas e empresariais.
O BRASIL E O DESAFIO DE CRIAR INFRA PARA IA
A inteligência artificial pode parecer um produto puramente digital, mas depende de uma infraestrutura física cara: data centers, redes de conexão, semicondutores, energia e capacidade local de processamento.
Confira a programação completa do SP2B 2026 aqui
É esse o ponto de partida do painel “Sem infraestrutura, não há soberania: o Brasil está pronto para construir sua independência?”, marcado para 11 de agosto, das 16h às 17h.
Fábio Cozman, diretor do Centro de Inteligência Artificial e Aprendizado da Máquina da USP e professor da Escola Politécnica, conversa com Milena Leal, country manager do Google Cloud, sobre os riscos de o país depender de tecnologia e processamento controlados no exterior.
O debate é especialmente relevante diante da expansão prevista para os data centers no país. Como a Fast Company Brasil mostrou em 2025, estimativas do Ministério de Minas e Energia indicam que a demanda energética dessas estruturas pode chegar a 17,7 mil megawatts em 2038 — mais de 20 vezes a capacidade atual, estimada entre 750 e 800 megawatts.
A infraestrutura de IA, portanto, não envolve apenas inovação. Ela abre discussões sobre consumo de energia, impacto ambiental, segurança econômica e autonomia tecnológica.
O papel do Google nesse ecossistema também aparece no painel “Tecnologia made in Brasil: quem está construindo o futuro do país?”, em 14 de agosto, das 16h às 17h.
Maurício Martiniano, responsável pelas áreas de insights estratégicos, experiência e Google Campus, conversa com Nelson Leoni, cofundador e CEO da WideLabs, sobre quais setores brasileiros têm potencial para desenvolver tecnologias competitivas e exportáveis.
NVIDIA DISCUTE O LUGAR DO BRASIL NA CORRIDA DA IA
O Brasil será produtor de inteligência artificial, um grande mercado consumidor ou apenas fornecedor de energia e infraestrutura para empresas estrangeiras?
Essa é a provocação do painel “Brasil na corrida da IA: onde estamos e para onde vamos?”, marcado para 11 de agosto, das 11h30 às 12h15.
Márcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da Nvidia para a América Latina, conversa com Carolina Sevciuc, vice-presidente de Estratégia e Transformação da PepsiCo no Brasil. A mediação será do jornalista Luiz Pacete.
A Nvidia ocupa uma posição central nesse debate por controlar tecnologias fundamentais para o treinamento e a operação de modelos de IA. Em participação no Web Summit Rio de 2025, Aguiar afirmou que a empresa estaria envolvida na instalação de oito data centers no Brasil.
O painel do SP2B deve discutir os gargalos estruturais do país, os riscos da dependência tecnológica e as decisões necessárias para que empresas brasileiras tenham maior participação na nova economia da IA.
A IA VAI ELIMINAR EMPREGOS OU MUDAR O QUE SIGNIFICA TRABALHAR?
No mercado de trabalho, a pergunta mais comum ainda é quantos empregos serão eliminados pela inteligência artificial. Mas a mudança também envolve o conteúdo das funções, as habilidades exigidas e a divisão entre tarefas humanas e automatizadas.
Mariana Dias, CEO e cofundadora da Gupy, participa do painel “A IA vai roubar seu emprego — ou te promover?”, em 15 de agosto, das 13h45 às 14h30.
Ela estará ao lado de Mauricio Prado Silva, diretor-geral da monday.com para a América Latina, e Paulo Humaitá, fundador e CEO da Bluefields.
O debate ocorre em um momento no qual empresas já tentam reorganizar equipes e processos em torno da automação. Segundo o Relatório sobre o Futuro dos Empregos 2025, do Fórum Econômico Mundial, cerca de 40% das habilidades exigidas pelo mercado devem mudar até 2030. Para 63% dos empregadores, a falta de profissionais preparados já é o principal obstáculo à transformação dos negócios.
Por isso, a discussão não se limita à substituição de pessoas por sistemas. Ela também passa pela requalificação de profissionais, pela supervisão das ferramentas e pela capacidade de identificar tarefas nas quais julgamento, criatividade e comunicação continuam dependendo de seres humanos.
A formação para esse novo mercado aparece em outras partes da programação. Camila Achutti, fundadora da Mastertech e da SOMAS, e Carmela Borst, cofundadora da SoulCode Academy, abordam inclusão digital e caminhos para ampliar o acesso de grupos historicamente afastados do setor de tecnologia.
ITAÚ TENTA SEPARAR A COMPUTAÇÃO QUÂNTICA DO HYPE
A computação quântica costuma ser descrita como uma tecnologia capaz de provocar uma ruptura comparável à chegada da própria internet. Na prática, porém, suas aplicações ainda são limitadas e grande parte do desenvolvimento permanece no campo da pesquisa.
É essa distância entre expectativa e realidade que será discutida por Samuraí Brito, head de Quantum e gerente de Ciência de Dados do Instituto de Ciência e Tecnologia do Itaú.
O painel “Computação quântica hoje: o que já é real e o que ainda é promessa?” acontece em 12 de agosto, das 11h15 às 12h15.
Doutora em Física e pós-doutora em Informação Quântica, Samuraí lidera a frente de tecnologias quânticas do Itaú. A estratégia da instituição parte da ideia de que computadores quânticos não substituirão os sistemas tradicionais. Eles devem funcionar como uma camada adicional de processamento para problemas específicos e especialmente complexos.
Entre as aplicações estudadas pelo setor financeiro estão a otimização de carteiras de investimento, a análise de grandes combinações de variáveis e o desenvolvimento de novas formas de segurança da informação.
A discussão também ajuda a colocar em perspectiva o entusiasmo gerado pela tecnologia. Em um painel sobre o tema no SXSW, a Fast Company Brasil mostrou algumas das áreas que podem ser transformadas pela computação quântica, da descoberta de medicamentos à simulação de materiais. A maior parte desses usos, porém, ainda depende de avanços científicos e de máquinas mais estáveis.
A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL COMEÇA A SAIR DAS TELAS
Outra frente da programação acompanha a passagem da IA generativa para a chamada inteligência artificial física: sistemas capazes de interpretar o ambiente e agir sobre o mundo real.
O painel “A era da IA física: como dispositivos inteligentes vão transformar o mundo para além das telas” acontece em 12 de agosto, das 14h45 às 15h45. Samuel Salomão, cofundador da fabricante de drones Speedbird Aero, discutirá aplicações em fábricas, hospitais, centros logísticos e cidades.
Nesse campo, o desafio não é apenas fazer uma máquina reconhecer comandos. Robôs e dispositivos precisam lidar com obstáculos, movimentos imprevisíveis e decisões que podem colocar pessoas em risco.
A programação também apresenta projetos brasileiros voltados a aplicações concretas. A LimbX desenvolve próteses biônicas mais acessíveis com impressão 3D. Já o Aromalytics Nariz Eletrônico com IA, criado por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco, tenta reconhecer e interpretar padrões de aromas.
O projeto será discutido por Leandro Maciel de Almeida, professor do Centro de Informática da UFPE, Joana Miranda, diretora do Núcleo Olfativo da Natura, e Diogo Cortiz, cientista cognitivo especializado em inteligência artificial.
Mais do que prever qual será a próxima tecnologia dominante, esses painéis mostram onde estão as disputas atuais: quem terá infraestrutura para desenvolver IA, quem será preparado para trabalhar com ela e quais promessas conseguirão se transformar em aplicações úteis.
SERVIÇO - SP2B 2026
O SP2B acontece de 9 a 16 de agosto, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. A maior parte da programação exige credencial, mas o dia 15 de agosto terá a programação gratuita emPower, voltada a microempreendedores, novos talentos e lideranças periféricas.
A programação e as modalidades de acesso estão disponíveis no site do SP2B.