TSE dá 24 horas para Meta explicar atuação da IA sobre Lula e Flávio; empresa se manifesta

Empresa nega favorecimento entre as candidaturas e afirma ter adotado ajustes na Meta AI após relatos de respostas diferentes sobre os presidenciáveis

Meta
Créditos: Unsplash

Lilian Campos 2 minutos de leitura
Favoritar no Google

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu 24 horas para que a Meta apresentasse informações sobre as medidas adotadas para garantir tratamento igualitário às candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas plataformas da empresa.

A determinação ocorreu após denúncias de comportamento desigual da Meta AI na geração de imagens relacionadas aos dois candidatos.

Em manifestação enviada ao tribunal na noite de segunda-feira (19), a empresa negou favorecer candidaturas. A Meta afirmou que aplica critérios iguais aos dois concorrentes.

A Meta também declarou que cumpriu as determinações da Justiça Eleitoral e pediu uma reunião para esclarecer aspectos técnicos do caso, segundo a Agência Brasil.

Leia também: IA da Meta favoreceu um candidato? TSE cobra explicações antes do 2º turno

TSE COBRA TRATAMENTO IGUALITÁRIO

O ministro Marco Aurélio Bellizze atendeu ao pedido da coligação do presidente Lula, que apontou favorecimento a publicações sobre Flávio Bolsonaro. Inicialmente, o TSE havia estabelecido um prazo de 72 horas para a Meta prestar esclarecimentos.

Após a empresa não apresentar as informações dentro do período inicial, o ministro concedeu mais 24 horas e elevou a multa diária por descumprimento de R$ 500 mil para R$ 1 milhão.

A cobrança envolve a distribuição de publicações políticas e a veiculação de anúncios de campanha. A Justiça Eleitoral busca assegurar condições equivalentes para os candidatos na reta final do segundo turno presidencial.

O QUE A META ALEGA SOBRE A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A Meta afirmou que adotou medidas adicionais na Meta AI para impedir a geração de imagens de apoio aos candidatos por meio de comandos com seus prenomes. A mudança ocorreu após relatos de usuários de que a ferramenta aceitava pedidos envolvendo Flávio, mas recusava solicitações semelhantes relacionadas a Lula.

A empresa também informou ter auditado 1.204 publicações denunciadas por falta de identificação adequada de conteúdo produzido com inteligência artificial. Desse total, 720 foram removidas, 270 já tinham sinalização e 214 foram classificadas como não eleitorais, conforme a Agência Brasil.

Além disso, a Meta disse que implementou revisão humana em até duas horas para restrições ou suspensões automáticas de anúncios das contas oficiais das campanhas.

TSE DISCUTE MEDIDAS CONTRA DESINFORMAÇÃO

Em reunião realizada em 15 de outubro, representantes da Meta e ministros do TSE discutiram o uso de inteligência artificial nas plataformas e a preservação de dados de canais do WhatsApp usados em campanhas. 

O Tribunal destacou a importância de garantir condições equilibradas para que os eleitores possam escolher livremente seus candidatos.

Na ocasião, a empresa informou que estava aprimorando os filtros da Meta AI e se comprometeu a preservar metadados de publicações em canais de WhatsApp que sejam alvo de ações eleitorais, fornecendo-os mediante ordem judicial.

O caso ocorre a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. O TSE acompanha as medidas das plataformas para combater a desinformação e assegurar o cumprimento das regras eleitorais.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais