POR CAROLYN MOORE

Flexibilidade ganha novos significados à medida que a revolução no ambiente de trabalho acontece — e a discussão vai muito além de home office e modelo híbrido. Com os abalos sísmicos do último ano, é impreterível que as empresas repensem como o sucesso é avaliado e implementem um paradigma de performance baseado em resultados, e não em horas na cadeira. 

Considerar que as pessoas produzem menos fora do escritório, e que o tempo gasto na frente do computador equivale a eficiência são grandes equívocos. Em qual hora do dia se trabalha e tempo de reunião não são mais os termos para definir performance. Em vez disso, o foco deve ser em como o líder estabelece previamente suas expectativas para com a equipe. Enquanto o processo é importante, movimentar uma organização depende dos resultados finais.

Atualmente, delinear uma cultura de sucesso requer confiança, flexibilidade, e uma filosofia de trabalho que se atenha aos resultados obtidos, e não necessariamente ao horário de execução das atividades. Aqui estão 4 dicas para florescer a metodologia de trabalho. 

DEFINA MÉTRICAS ESPECÍFICAS

Para medir resultados com precisão e eficiência, gestores precisam indicar métricas compreensíveis e específicas para seus times. Prazos concretos, números assertivos e metas claras de produtividade, são os elementos para desenvolver um modelo mais pragmático. Quando profissionais trabalham com métricas estruturadas individualmente, os resultados falam por si próprios e, mais tarde, os objetivos alcançados se tornam pontos de avaliação.

É essencial que as métricas funcionem através de escalas, pois metas inadequadas sobrecarregam as pessoas. Tendo isso em mente, o processo (OKR) “objectives and key results” é utilizado para descrever claramente os intuitos diretos de toda a organização, juntamente com os departamentos e equipes, acompanhando como cada colaborador está contribuindo.

Essa maneira de estabelecer objetivos traz responsabilidades ao time e mantém o trabalho avançando muito mais do que horas a fio em frente ao computador.

INCENTIVE A COMUNICAÇÃO COM EMPATIA

A liderança precisa manter uma comunicação empática e aberta com os membros da equipe, seja em um ambiente de trabalho remoto ou híbrido. Isso é especialmente importante agora, durante os tempos de pandemia, já que os limites entre a vida pessoal e profissional estão abafados.

Lembre-se de que as pessoas são, em primeiro lugar, humanos e depois funcionários. Lidere com empatia e tente realmente entender do que o seu pessoal precisa — coloque-se no lugar do seu colega sem julgamentos. Ter empatia na comunicação permite ouvir os colaboradores e valorizá-los, em geral, isso ajuda a ganhar produtividade.

ACOMPANHE DE FORMA ESTRATÉGICA

Boas práticas de gestão garantem que a equipe esteja no caminho certo, e não se sinta obrigada a provar seu valor com extensas horas “online”. Embora poucos líderes admitam que estão fazendo microgestão, os colaboradores costumam pensar o contrário. Trabalhar com um modelo de foco em resultados elimina alguns pontos de contato secundários para monitorar o processo. Mesmo que seja importante verificar o andamento do projeto, gestores autoritários colhem menos benefícios nesse estilo de trabalho flexível.

FAÇA FEEDBACKS EXECUTÁVEIS

No modelo OKR (objectives and key results) os feedbacks são indispensáveis, e devem ser fornecidos de acordo com os resultados produzidos. Uma vez que a atenção é desviada do processo geral, a avaliação individual é a chave para garantir que os funcionários tenham a oportunidade de dar e receber feedback. Criar um espaço aberto, de duas vias, constrói bases de confiança e estimula a criatividade. Análises a cada trimestre de “iniciar, parar e continuar” deixam o feedback mais executável, baseando-se em métricas de desempenho que foram estabelecidas previamente. 

Ao avaliar os membros da equipe conforme os resultados obtidos, em vez das horas gastas em frente ao computador, as empresas podem criar um ambiente de trabalho com mais motivação. Um dos principais benefícios do trabalho focado em resultados é criar uma cultura empresarial flexível, permitindo que o trabalho seja naturalmente parte da vida, e não algo separado. 

Muitas organizações têm uma boa cultura corporativa no papel. Entretanto, filosofia de trabalho vai muito além de benefícios tangíveis como folgas e happy hours — é sobre priorizar como os profissionais se sentem sobre o que fazem e seu bem estar. Quando uma empresa se concentra em resultados e não no horário em que as tarefas são executadas, os funcionários sentem essa flexibilidade e podem ter equilíbrio entre vida pessoal e profissional, gerando os melhores resultados para sua equipe e, consequentemente, para a empresa.

Trabalhar não é um lugar, é uma atitude. Um escritório físico não é mais imprescindível para se fazer negócio e a rotina das 9 às 5 está com os dias contados. Medir sucesso da maneira tradicional, contando as horas dentro do local de trabalho, é insustentável na nova realidade. Empresas que atualizaram seu mindset já conseguem notar os efeitos colaterais positivos. 

SOBRE A AUTORA

Carolyn Moore é vice-presidente sênior de pessoas na Auth0 .