Quatro anos atrás, muito antes de o uso de máscaras ser mandatório por causa da pandemia, uma startup britânica chamada Masuku começou a desenvolver o acessório para ajudar a filtrar a poluição respirada em grandes cidades. As máscaras então disponíveis no mercado não eram necessariamente confortáveis ou respiráveis, e tampouco sustentáveis.

De acordo com Johann Boedecker, CEO da Pentatonic, companhia de design e tecnologia que cofundou a startup com a empreendedora e modelo Natalia Vodianova, a ideia era criar uma máscara no mesmo nível de produto dos eletrônicos e de itens de moda. “Isso significa conforto, porque somente uma máscara que seja boa de usar pode te proteger, e capacidade de respirar, porque a maioria das máscaras não permitem a pessoa respirar de maneira confortável, especialmente se você está se exercitando.” Os fundadores também quiseram criar uma máscara que não fosse parar nos aterros (ou nos incineradores, poluindo ainda mais o ar).

A nova máscara da companhia filtra 94% das partículas, uma performance similar às máscaras N95, consideradas o padrão máximo de proteção contra o coronavírus e em locais de construções. O produto conta com um novo filtro feito de PHB, um material feito para ser compostável, que não apenas é degradável, mas metabolizado por diferentes tipos de bactérias.

Os designers desenvolveram o filtro do zero, utilizando um processo de eletrofiação para produzir fibras muito finas – cada uma é mil vezes mais fina do que um fio de cabelo humano – distribuídas de maneira uniforme, como uma teia de aranha microscópica. Máscaras padrão utilizam um padrão aleatório de fibras para capturar as partículas e se parecem com “espaguete se olhadas com microscópio”, comenta Boedecker. A nova abordagem, feita pela companhia em sua própria fábrica, significa que o filtro é bem mais leve que um filtro de máscara convencional, porque usa menos material. E, como é possível controlar o layout, eles eliminam a maior parte dos espaços entre as fibras.

Além de economizar material, o filtro faz com que a pessoa não precise fazer esforço para respirar, e nem apertar a máscara contra o nariz (embora o design curvo tenha sido feito para se encaixar bem próximo ao rosto).

A Masuku One, primeira máscara lançada pela startup, o filtro é envolto por um tecido macio feito de garrafa PET reciclada, que pode ser lavado e reusado. Quando a máscara não puder ser mais usada, pode ser devolvida à empresa para ser reciclada. O objeto foi desenhado para ser facilmente desmontado, com peças unidas de forma ultrassônica – e não costuradas. Se a pessoa acionar o chip da máscara com o celular, verá instruções sobre como reciclar a máscara.

O filtro compostável é um pouco mais complicado – a companhia ainda está trabalhando em locais de compostagem para descobrir a melhor forma de lidar com o material, já que máscaras comuns não são permitidas na compostagem das cidades e os novos filtros podem ser retirados, caso não estejam devidamente identificados. A ideia é que seja possível fazer a compostagem do filtro em uma lixeira comum – a empresa está obtendo certificações para isso (os filtros não podem ser descartados na natureza, apesar de se decomporem).

Ainda que a vacinação esteja avançando, é possível que o uso de máscaras contra a Covid-19 continue em 2022. Aliás, pode ser que o acessório se torne ainda mais mainstream com o fim da pandemia. Assim como usar máscara quando se está doente é algo comum em partes da Ásia, o hábito poderá ser incorporado no Ocidente. A maioria da população mundial respira ar poluído: em 2020, mais pessoas morreram devido a poluição do ar o que de Covid-19. “Mesmo na ausência de uma pandemia, a humanidade sofrerá cada vez mais com a má qualidade do ar por um período de tempo, mesmo com os esforços de adoção de melhores práticas”, avalia Boedecker.

SOBRE A AUTORA

Adele Peters escreve para a Fast Company sobre soluções para os maiores problemas do mundo, do clima à falta de moradia. Ela já trabalhou em empresas como Good, BioLite e no Sustainable Products and Solutions da UC Berkeley, além de ter contribuído com o bestseller “Worldchanging: A User Guide for the 21st Century.”