A geração que ninguém protegeu está te ensinando a dizer não

Hoje se vê uma geração que aprendeu na pele o que acontece quando ninguém desenha o mundo antes que ele seja desenhado por quem só pensa em engajamento no movimento de reação

A geração que ninguém protegeu está te ensinando a dizer não
Mininyx Doodle emaster1305 via Getty Images

Bruna Infurna 1 minutos de leitura

Ninguém pediu permissão. Uma geração inteira de adolescentes recebeu um dispositivo na mão antes de entender o que era tédio ou limite, e um algoritmo passou a decidir o que eles sentiriam em seguida, silenciosamente, bilhões de vezes por dia.

Tristan Harris deu um nome para isso: “baby AI”. Um sistema que não precisava de inteligência, só de velocidade para encontrar o ponto fraco de cada cérebro humano. E a parte mais impressionante não é que falhou. É que funcionou exatamente como foi projetado para funcionar.

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Essa geração chegou ao mercado de trabalho. Está nos painéis do SXSW deste ano tentando construir relações genuínas dentro de estruturas que nunca ensinaram o que é genuíno, entrando em empresas que seguem o mesmo caminho das big techs com IA e as redes sociais: escalam a tecnologia antes de entender o custo humano de não colocar nenhum limite nela.

“Eficiência sem fronteira vira pressão sem fim.”

88% dos profissionais mais avançados no uso de IA reportam burnout.

Um dado apresentado aqui resume bem o paradoxo: 88% dos profissionais mais avançados no uso de IA reportam burnout. A ferramenta que prometia liberar tempo está consumindo mais. Não porque a tecnologia é ruim, mas porque eficiência sem fronteira vira pressão sem fim.

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O curioso é que quem está reagindo primeiro é justamente quem foi mais exposto. Restaurantes cheios, acampamentos de teatro para adultos, celular largado de propósito. Não é nostalgia e não é ironia. É uma geração que aprendeu na pele o que acontece quando ninguém desenha o mundo antes que ele seja desenhado por quem só pensa em engajamento.

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Que mundo você quer? Não o que o mercado permite, não o que a eficiência justifica — o que você, de fato, escolhe. Porque cada vez que uma liderança implementa mais uma ferramenta sem perguntar isso, ela está respondendo à pergunta no lugar de todo mundo.

A porta já está sendo empurrada. A questão não é se ela vai abrir. É quem vai decidir o que entra.


SOBRE A AUTORA

Bruna Infurna é head de contas estratégicas do LinkedIn para a América Latina. saiba mais