SXSW 2026: John Maeda diz que design sai da UX para a “AX” com IA

O usuário não precisa mais navegar por interfaces complexas para executar tarefas

SXSW 2026: John Maeda diz que design sai da UX para a “AX” com IA
SXSW (divulgação)

Joyce Canelle 4 minutos de leitura

Durante o último dia do SXSW 2026, realizado nesta quarta-feira (18), o designer e executivo John Maeda apresentou a nova edição do relatório Design in Tech. O encontro reuniu reflexões sobre mais de uma década de transformações no design e destacou por que a experiência do usuário está dando lugar a um novo conceito, centrado na atuação de agentes de Inteligência Artificial (IA).

Ao longo da apresentação, Maeda mostrou que o design deixou de priorizar apenas a experiência humana direta, agora, entra em cena a chamada AX, ou Agent Experience, que trata da interação entre sistemas automatizados e dados.

Nesse novo cenário, o usuário não precisa mais navegar por interfaces complexas, e em vez disso, agentes inteligentes executam tarefas de forma contínua e autônoma.

Com isso, o papel do design muda. Sai a construção detalhada de telas e entra a avaliação da qualidade das respostas geradas.

Além disso, essa transição acompanha uma mudança de comportamento, as pessoas não querem mais aprender ferramentas, e sim elas querem resultados rápidos e funcionais.

RETROSPECTIVA QUE EXPLICA O PRESENTE

Para contextualizar, Maeda revisitou edições anteriores do relatório. Em 2015, o foco estava na ascensão do design dentro das startups, naquele momento, o uso constante de smartphones aumentava a importância da experiência do usuário.

Já em 2016, o design computacional começou a ganhar espaço, a necessidade de escala levou à criação de sistemas organizados, capazes de padronizar interfaces e processos.

Em 2017, o pensamento de design ganhou destaque global, impulsionado por publicações como a Harvard Business Review. Ao mesmo tempo, ferramentas digitais disputavam espaço em um mercado ainda indefinido.

Nos anos seguintes, a IA passou de tendência a realidade. Em 2018 e 2019, surgiram discussões sobre automação, trabalho remoto e o papel das ferramentas no processo criativo.

PANDEMIA E NOVOS MODELOS

A partir de 2020, o relatório ampliou o olhar para além do design, a pandemia trouxe mudanças profundas no comportamento e revelou fragilidades em sistemas considerados eficientes.

Nesse contexto, Maeda destacou o conceito de resiliência, sistemas precisam suportar falhas e se adaptar rapidamente e em alguns casos, devem até se fortalecer com o impacto.

Ao mesmo tempo, temas como confiança e desinformação ganharam relevância. Segundo ele, esses desafios não são apenas técnicos, mas sociais, e exigem acompanhamento constante.

IA COMO ROTINA NO TRABALHO

Em 2023, a IA teve uma aceleração repentina, Maeda descreveu esse período como um ponto de inflexão, quando diversas tecnologias amadureceram ao mesmo tempo.

Já em 2024, o debate mudou de tom, empresas e profissionais passaram a se perguntar se deveriam resistir à IA ou competir com ela.

No ano seguinte, a resposta começou a se consolidar, pois a integração com sistemas automatizados deixou de ser opcional e passou a fazer parte da rotina de trabalho.

NOVO PAPEL DO DESIGNER

Com a evolução da tecnologia, o trabalho do designer também muda. Segundo Maeda, a função deixa de ser executar cada etapa e passa a focar na avaliação, isso significa:

  • Analisar resultados;
  • Identificar falhas; e
  • Garantir qualidade.

Em vez de criar tudo do zero, o profissional precisa julgar o que foi gerado.

Além disso, o pensamento crítico ganha destaque, o foco deixa de ser a profissão em si e passa para as tarefas que podem ou não ser automatizadas.

APRENDER A PENSAR COMO MÁQUINA

Outro ponto importante do relatório é a relação com o código, para Maeda, programar não é mais essencial como antes, no entanto, entender a lógica das máquinas se torna indispensável.

A IA funciona melhor em ambientes estruturados, onde há respostas certas e erradas, já tarefas subjetivas continuam sendo um desafio. Por isso, o profissional precisa equilibrar dois lados.

De um lado, o raciocínio lógico, e do outro, o senso estético e o julgamento humano.

CONFIANÇA, ERROS E RESPONSABILIDADE

O relatório também chama atenção para os riscos da automação, sistemas inteligentes refletem os dados que recebem, portanto, decisões erradas podem ser ampliadas em escala.

Maeda reforçou que a confiança será um dos pilares do futuro digital, ao mesmo tempo, é preciso aceitar que a IA também comete erros.

Nesse sentido, a responsabilidade continua sendo humana, cabe às pessoas orientar, corrigir e melhorar os sistemas.

O FUTURO DO DESIGN

Ao encerrar a apresentação, Maeda destacou que o design continuará sendo uma combinação de tecnologia, estética e negócios.

Mesmo com avanços da IA, o chamado “bom gosto” ainda é um diferencial humano, além disso, experiências no mundo físico seguem relevantes.

A principal mensagem é que mudanças sempre fizeram parte da história, profissionais que aprendem e se adaptam conseguem acompanhar esse ritmo.

O especialista no último dia de SXSW 2026, alertou que agora, com a chegada da AX, o desafio não é apenas criar interfaces, e sim projetar sistemas capazes de agir, decidir e evoluir de forma contínua.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais