SXSW: mudanças deixam edição 2026 mais curta e descentralizada; saiba como navegar

Festival completa 40 anos com menos dias, programação simultânea e atividades espalhadas por Austin

SXSW: mudanças deixam edição 2026 mais curta e descentralizada; saiba como navegar
Nikola Stojadinovic, freepik.com e SXSW (divulgação)

Mariana Castro 7 minutos de leitura

Ao celebrar quatro décadas, o South by Southwest chega à edição de 2026 mais curto, descentralizado e no melhor estilo tudo ao mesmo tempo agora. O festival acontece em Austin, capital do Texas, de 12 a 18 de março, com a programação das palestras simultaneamente à programação de música e filmes.

No lugar do Convention Center, local que reunia boa parte dos conteúdos e que foi demolido para uma grande reforma, as atividades estão espalhadas por diferentes espaços, no que agora é o SXSW Village. Há ainda os Clubhouses temáticos – Innovation, Music e Film &TV. Segundo Peter Lewis, diretor comercial do SXSW, a ideia dos Clubhouses parte “do desejo de criar um senso de comunidade”.

Se por um lado as mudanças afligem ainda mais quem já sofre com o FOMO (fear of missing out), elas podem ser um respiro necessário para o que se tornou um dos maiores festivais de inovação do mundo. O South by Southwest acontece em um momento de repercussão negativa em relação ao endurecimento drástico da política migratória dos Estados Unidos e de críticas sobre a visão de inovação centrada no Norte Global.

A equipe da Fast Company Brasil estará em Austin mais uma vez para fazer a cobertura completa do evento e os grandes destaques do festival, com matérias da redação, artigos de convidados e entrevistas em vídeos.

DADOS E HISTÓRIA

O que começou como um evento de música independente tornou-se um ecossistema que reúne um conjunto de festivais: Edu, Innovation, Music e Film & TV. Eles conectam pensadores, criativos, cientistas, artistas e executivos para provocar reflexões profundas sobre os temas que moldam o presente e o futuro.

Ao longo de trilhas temáticas e cerca de 1.500 sessões de conteúdo, o evento promove palestras, debates, mentorias e experiências imersivas com um objetivo de apresentar novas ideias, apontar tendências e endereçar as pautas mais relevantes do nosso tempo.

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Com público estimado em 300 mil pessoas e impacto econômico anual entre US$ 350 milhões e US$ 400 milhões, o festival se tornou um sinalizador de temas que pautam a indústria criativa. Em abril de 2021, a aquisição de 50% do festival pelo grupo Penske Media Corporation marcou uma nova fase do evento, de expansão global a mudanças na curadoria.

COMO NAVEGAR

Este ano, o conteúdo está dividido nas seguintes trilhas:

Brand & Marketing

Foco em estratégias de marca e engajamento, combinando marketing tradicional, digital e experiências para fortalecer conexões com comunidades e clientes.

Cities & Climate

Explora inovação em sustentabilidade, tecnologia climática e infraestrutura resiliente, mostrando como cidades estão se adaptando ao futuro ambiental.

Creator Economy

Analisa o crescimento da economia criativa, destacando ferramentas, tendências e modelos de negócio para criadores digitais.

Culture

Investiga a interseção entre criatividade, identidade e expressão, abordando arte, moda, mídia e o impacto cultural das narrativas.

Startups

Mergulha no ecossistema de inovação e empreendedorismo, com foco em captação, crescimento, investimento e construção de negócios disruptivos.

Sports & Gaming

Aborda como jogos e esportes estão redefinindo entretenimento, narrativa e engajamento de fãs.

Tech & AI

Discute os avanços em inteligência artificial e tecnologias emergentes, mostrando como estão transformando negócios, indústrias, a sociedade e as relações.

Workplace

Debate o futuro do trabalho, incluindo carreira, liderança, DEIB ​​(Diversidade, Equidade, Inclusão e Pertencimento), flexibilidade e mudanças impulsionadas por novas tecnologias.

Design

Explora a interseção entre criatividade e funcionalidade, do UI/UX ao design estratégico que molda experiências digitais e físicas e os negócios.

Health

Apresenta inovações em saúde, longevidade e bem-estar, combinando tecnologia e abordagens holísticas..

Film & TV

Aborda storytelling, produção e negócios do audiovisual, com insights práticos sobre financiamento, distribuição e tendências do mercado.

Music

Foca no futuro da música, explorando novas tecnologias, modelos de negócio, desenvolvimento artístico e engajamento de fãs.

Os Keynotes e as Feature Sessions são as sessões de destaques, que ocupam os palcos principais e dão o tom do festival. Na ausência do Convention Center, elas acontecem no Hilton e no JW Marriot.

Entre nomes de destaque desta edição estão a autora de Mattering, Jennifer Wallace, Rana el Kaliouby, cientista egípcio-americana que estuda computação afetiva, Tristan Harris, especialista em ética na tecnologia, a jornalista e autora de Empire of IA, Karen Hao, Timnit Gebru, cientista da computação etíope-americana e pesquisadora sobre vieses algorítmicos, o fundador da Zine, Matt Klein, e outros já bem conhecidos do festival.

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Entre eles, a futurista Amy Webb, Ian Beacraft, CEO da Signal and Cipher, a diretora de operações da Unstoppable Domains, Sandy Carter, o vice-presidente de Design e IA da Microsoft, John Maeda, e a autora Amy Gallo. O diretor Steven Spielberg e a atriz Jamie Lee Curtis são algumas das celebridades que sobem ao palco. Entre as grandes atrações musicais estão Christina Aguilera e o DJ Calvin Harris.

Outra novidade deste ano é que a feira de tecnologia foi dividida em duas exibições: International Innovations (de 12 a 14 de março), que destaca empresas de ponta em todos os setores ao redor do mundo; e a Emerging Tech (de 16 a 18), que traz expositores inovadores e suas mais novas tecnologias, com foco no mercado americano.

Ambas acontecem no Fairmont. É lá também que está uma das atrações imperdíveis do SXSW, a XR Experience. De 15 a 17 de março, os participantes podem escolher suas experiências imersivas entre cerca de 30 projetos. A Flatstock, icônica exposição de pôsteres de artistas de diferentes lugares do mundo, está em cartaz de 13 a 15 de março, agora no Austin Marriott Downtown.

A navegação por todo esse conteúdo exige preparação. Vale a pena estudar as palestras, montar uma agenda, priorizar as sessões de mais interesse e deixar um espaço para se surpreender com apresentações, debates e temas inusitados.

O aplicativo SXSW Go é indispensável para montar sua agenda, favoritar suas atividades e reservar vagas para as sessões. Há janelas para reservas: a primeira foi no dia 19, com muitos bugs tanto no site como no app, a segunda nesta quinta, a partir das 12h (horário do Brasil) e haverá uma janela extra para quem tem a credencial Platinum, no dia 5 de março.

O BRASIL EM AUSTIN

A presença brasileira continua massiva, mas menos numerosa em relação a 2025: cerca de 1.500 brasileiros devem passar por Austin em 2026 – contra 2.500 no passado, segundo a consultora do festival, Tracy Mann. Nos palcos, são cerca de 40 brasileiros que participam em painéis, meet ups e outras sessões. Entre eles, nomes como o cientista Alysson Muotri e o climatologista Carlos Nobre.

A SP House amplia sua estrutura e programação no festival, consolidando-se como um dos principais hubs internacionais do evento. Com curadores como Franklin Costa, Simone Kliass e Ronaldo Lemos, é ponto de encontro para conexões, conteúdo e negócios. O Brasil também marca presença com espaços organizados por Minas e Rio Grande do Sul

MOMENTOS MARCANTES

Ao longo da história, o SXSW foi palco de grandes lançamentos que contribuíram para sua relevância como um festival que antecipa tendências. Foi lá que o Twitter ganhou tração em 2007 e que o Foursquare foi lançado em 2009. Em 2017, a cientista Jennifer Doudna levou ao palco discussões sobre CRISPR e a edição genética. Em 2020 ela venceu o Nobel de Química por seus estudos. Em 2014, Edward Snowden falou por videoconferência, direto de Moscou, meses após os vazamentos sobre o sistema de vigilância global da NSA americana.

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No cinema e na TV, o festival também antecipa movimentos. Séries como The Handmaid’s Tale e filmes como Everything Everywhere All at Once passaram por Austin antes de se tornarem fenômenos globais e vencedores de prêmios como o Oscar.

O desfile de nomes estrelados ajuda a explicar o alcance cultural do evento. Já passaram por lá artistas como Prince, Lady Gaga, Amy Winehouse; atores como Nicole Kidman e Pedro Pascal; e líderes políticos como Barack Obama, que participou em 2016, e Michelle Obama, presente em 2025. 

Ao completar 40 anos, o festival muda na busca de se manter relevante, em meio a um contexto geopolítico complexo, e a necessidade constante de se reinventar. 


SOBRE A AUTORA

Mariana Castro é editora executiva da Fast Company Brasil. saiba mais