Agora você pode vasculhar a mesa de Elizabeth Holmes. Veja como
Criado com IA, o Theranos.World reconstrói o espaço de trabalho da fundadora da empresa envolvida em uma das maiores fraudes do Vale do Silício

O mundo da tecnologia adora uma boa história de fundador. Essas figuras costumam ser jovens que abandonaram a faculdade, usam roupas minimalistas, têm comportamentos obsessivos e exibem excentricidades que as tornam objetos de fascínio.
Mas poucas histórias despertaram tanta atenção quanto a de Elizabeth Holmes, fundadora da Theranos. A CEO de olhos arregalados prometeu um mundo em que exames de sangue dispensariam agulhas, mas entregou pouco além de uma persona marcada por roupas inspiradas em Steve Jobs e uma voz artificialmente grave.
Agora, ela voltou aos holofotes. Um documentário que revisita o caso Holmes chegou aos cinemas em 16 de outubro, prometendo um olhar sem censura sobre seu universo interior. Um novo site pretende fazer algo semelhante, oferecendo aos usuários uma visão do próprio espaço onde a fraude aconteceu: a mesa de trabalho de Holmes.
Batizado de Theranos.World, o site transporta os usuários para o escritório envidraçado de Holmes na sede da Theranos. A experiência simula a visão de quem está sentado atrás de sua moderna mesa branca, com cartazes corporativos motivacionais e o logotipo circular da Theranos nas paredes.
Para a criadora do site, a engenheira de software Bo Lau, desenvolver uma plataforma interativa tem mais a ver com o prazer de experimentar do que com qualquer outra coisa: a ideia é mostrar como tecnologias como a inteligência artificial podem ajudar qualquer pessoa a criar mundos interativos altamente detalhados, que levariam meses ou anos para serem construídos manualmente.
Lau, que atualmente lidera a área de relacionamento com desenvolvedores da plataforma de processamento de documentos com IA Extend, começou o projeto com uma publicação nas redes sociais.
“Alguém toparia se eu organizasse uma sessão privada em Nova York para assistir ao documentário de Nathan Fielder sobre Elizabeth Holmes?”, escreveu no X. A publicação recebeu quase 20 mil visualizações, o que a levou a pensar se poderia transformar a ideia em uma iniciativa relacionada ao trabalho e, assim, conseguir reembolsar as despesas.
À medida que a publicação ganhava cada vez mais engajamento, um integrante da equipe de crescimento da Extend a incentivou a tirar a ideia do papel. Ela perguntou: “você acha que eles me dariam dinheiro para alugar uma sala de cinema de verdade?”. A resposta foi simples: “claro”.
Com milhares de interessados, Lau conseguiu reservar dois espaços, em São Francisco e Nova York, para exibir o documentário um dia antes de sua estreia pública.
Mas ela sabia que poderia conectar o evento à Extend de alguma maneira que fosse além do interesse do setor de tecnologia pela história de Holmes. Foi então que teve a ideia de recriar o escritório da fundadora da Theranos com elementos interativos desenvolvidos usando a tecnologia de sua empresa de IA.

Como teve dificuldade para encontrar fotografias originais do escritório de Holmes, Lau recorreu a capturas de tela de "The Dropout", série do Hulu sobre o caso Theranos, para orientar o projeto do ambiente virtual. Depois, ouviu podcasts e leu artigos para entender como Holmes se comportava no escritório.
O resultado é uma experiência interativa surpreendentemente detalhada. Os usuários podem bisbilhotar o laptop de Holmes e ler seus e-mails, desbloquear seu iPhone e percorrer as mensagens trocadas com Sunny Balwani, seu parceiro e diretor de operações da Theranos.
Para construir o site, que levou apenas três dias para ficar pronto, Lau usou agentes de IA da Exempt para baixar todos os documentos da Theranos disponíveis publicamente.
Além de ser um exercício criativo divertido para Lau, o mergulho profundo no universo de Holmes também lançou luz sobre alguns dos aspectos mais tóxicos do mundo da tecnologia.



