O termo inovação aberta foi, por muito tempo, quase que um complemento de muitas empresas na busca por resolver problemas ou na forma de expandirem suas estratégias de digitalização. Atualmente, no entanto, o open innovation se tornou um elemento fundamental na agenda corporativa e, quase que obrigatoriamente, parte do dia a dia das companhias.

Esse movimento é constatado, por exemplo, na nova edição do Ranking das TOP 100 Open Corps 2021, levantamento anual da 100 Open Startups que mapeia o grau de maturidade das companhias em relação à inovação aberta. Neste ano, foram registrados números recordes em comparação a 2020, com um crescimento de 96% nos relacionamentos declarados por corporações e startups. O que há de aprendizado das empresas que estão atuando, de forma mais sistemática, com inovação aberta?

Z-Tech, hub de conexão da companhia com startups de onde já saíram casos como do Zé Delivery (Crédito: Divulgação)

De acordo com Bruno Rondani, CEO da 100 Open Startups, são vários aprendizados, mas o que claramente mais se destaca e tem sido o principal ponto de atenção da alta gestão das empresas líderes é a necessidade de conectar seus executivos, em todos os níveis hierárquicos, ao ecossistema de inovação externo e capacitá-los em como extrair valor a partir da colaboração. “Iniciativas, programas, processos e veículos de inovação corporativa não produzem resultados se não houver uma cultura empresarial aberta à inovação disseminada na empresa”, explica.

Outro elemento, segundo Bruno, é o relacionamento com startups. “É algo relativamente novo, e existe uma curva de aprendizado pessoal e organizacional para se atingir um nível de produtividade. As empresas estão percebendo que investir nas pessoas é mais urgente que nos programas e processos”, explica. Neste ano, a Ambev lidera o ranking seguida por ArcelorMittal, BMG, BASF e Nestlé. O número de open startups, ou seja, aquelas que atuam com grandes empresas em processos de inovação aberta, aumentou de 13.092, em 2020, para 18.355, em 2021, assim como também houve crescimento no número de organizações que buscam essas pequenas empresas – de 2.825 para 4.982 neste período.

“80% dos acordos de open innovation registrados no último ano implicam em transferência de recursos da empresa maior à startup, e o valor médio desses contratos cresceu de R$ 140 mil, em 2020, para R$ 270 mil, em 2021”

Os dados do ranking também mostram que cerca de 80% dos acordos de open innovation registrados no último ano implicam em transferência de recursos da empresa maior à startup, e o valor médio desses contratos cresceu de R$ 140 mil, em 2020, para R$ 270 mil, em 2021. Já o valor total de contratos de open innovation entre corporações e startups em estágio inicial no período foi de R$ 2,2 bilhões.

“O movimento de open innovation com startups foi iniciado pela abertura das grandes empresas. Entretanto, vimos, nos últimos anos, a adesão de empresas de menor porte, de todas as cadeias de valor, que também passaram a buscar inovação junto a startups. Isso torna o jogo muito mais acessível e democratizado”, destaca Bruno, ressaltando que “a adesão de mais empresas em busca de startups faz com que o mercado fique, também, muito mais competitivo e crie mais oportunidades. Surgem mais startups, mais programas de open innovation e mais inovação”, completa.

Veja abaixo as TOP 20 do 100 Open Corps:

SOBRE O AUTOR

Luiz Gustavo Pacete é editor-contribuinte da Fast Company Brasil