Feito com IA: Apple Music terá tag para indicar músicas feitas com tecnologia
A iniciativa foi comunicada aos parceiros da indústria musical por meio de um boletim informativo e pretende ampliar a transparência sobre a origem das faixas

A Apple Music anunciou nesta semana um novo sistema de etiquetas para identificar conteúdos produzidos com Inteligência Artificial (IA) na plataforma.
A iniciativa foi comunicada aos parceiros da indústria musical por meio de um boletim informativo e pretende ampliar a transparência sobre o uso da tecnologia em músicas, capas de álbuns, composições e videoclipes.
Segundo a Music Business World Wide, a proposta surge em meio ao aumento acelerado da produção de faixas criadas com IA e às preocupações do setor com fraude e falta de identificação desse material.
ETIQUETAS PARA IDENTIFICAR USO DE IA
O novo modelo adotado pela plataforma recebeu o nome de “etiquetas de transparência”. Ele permitirá que gravadoras e distribuidoras indiquem, no momento de enviar conteúdos ao catálogo da Apple Music, se algum elemento do material foi produzido com o auxílio de IA.
O sistema prevê quatro categorias principais de identificação, a primeira é voltada para a arte da capa e sinaliza quando a imagem do álbum ou do single foi gerada por IA.
Outra etiqueta se aplica diretamente à faixa musical, quando a tecnologia participa de forma relevante da gravação sonora.
Há ainda uma classificação para composição, usada quando letras ou estruturas musicais são criadas com ajuda de algoritmos. A quarta categoria é destinada aos videoclipes e abrange qualquer conteúdo visual relacionado à música.
Segundo a empresa, as etiquetas podem ser utilizadas de forma simultânea caso diferentes partes da obra tenham sido criadas com tecnologia.
RESPONSABILIDADE DAS GRAVADORAS
No modelo adotado pela Apple, a responsabilidade de informar o uso de inteligência artificial não ficará com a plataforma, mas sim com as empresas que distribuem o conteúdo.
A companhia explicou que, assim como ocorre com informações sobre gênero musical ou créditos de artistas, caberá às gravadoras e distribuidoras decidir se determinado material deve ser classificado como produzido com IA.
A Apple afirma que a identificação correta é um passo importante para que a indústria tenha dados suficientes para desenvolver regras e políticas mais claras sobre o uso dessa tecnologia.
Inicialmente, as etiquetas são opcionais, no entanto, a empresa indicou que a exigência deverá se tornar obrigatória no futuro para novos conteúdos enviados ao serviço.
CRESCIMENTO DAS MÚSICAS GERADAS POR IA
A criação das etiquetas ocorre em um momento de rápida expansão da produção musical automatizada. Plataformas de streaming vêm registrando um volume cada vez maior de faixas geradas por sistemas de inteligência artificial.
Dados divulgados recentemente pela plataforma de streaming Deezer mostram a dimensão desse crescimento. O serviço afirmou que recebe mais de 60 mil músicas totalmente geradas por IA por dia, número que praticamente dobrou em poucos meses.
Esse volume representa cerca de 39% de todas as faixas enviadas diariamente ao catálogo da empresa.
FRAUDE PREOCUPA PLATAFORMAS
Além do impacto criativo da tecnologia, outro fator tem chamado a atenção do setor. Segundo dados da Deezer, uma grande parte das músicas geradas por inteligência artificial está associada a tentativas de fraude em streaming.
A plataforma afirma que até 85% das reproduções dessas faixas em 2025 foram consideradas fraudulentas. Esses streams são retirados do cálculo de royalties e não geram pagamento aos responsáveis.

Diante desse cenário, algumas empresas passaram a investir em sistemas próprios de detecção automática de conteúdo gerado por IA.
MODELOS DIFERENTES ENTRE PLATAFORMAS
A estratégia adotada pela Apple Music contrasta com a abordagem de outras plataformas. No caso da Deezer, por exemplo, a identificação de músicas criadas por inteligência artificial é feita por meio de ferramentas técnicas que analisam o áudio e detectam padrões típicos de modelos generativos.
Já a Apple aposta em um modelo baseado na declaração das próprias gravadoras e distribuidoras no momento do envio das músicas.
Por enquanto, o sistema da Apple não inclui mecanismos públicos de verificação ou auditoria das informações. Ainda assim, a empresa considera a iniciativa um primeiro passo para ampliar a transparência sobre o uso de inteligência artificial na indústria da música.