Apple quer ser a interface entre o paciente e o médico

Crédito: Fast Company Brasil

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No início do mês, a Apple apresentou novas funcionalidades para o app Saúde do iPhone. Na versão do iOS 15, as informações registradas pelo aplicativo poderão ser compartilhadas com médicos, familiares e amigos.

(Crédito: Apple)

Podem parecer movimentos pequenos, mas são bastante representativos, pois a companhia quer ser a interface entre pacientes e médicos. Embora não tenha sempre criado produtos de health bem-sucedidos, a indústria ainda está aberta a recebê-los. Afinal, os profissionais de saúde querem se engajar com pacientes de outras maneiras e, ao mesmo, tempo, desejam que o público tenha mais controle sobre seus dados de saúde.

Hoje, o app consegue aportar informações de saúde de vários provedores de saúde nos EUA. Mas nessa atualização, a ferramenta poderá enviar dados diariamente aos médicos, o que aumentaria o engajamento com os pacientes.

A segunda maior empresa de rastreamento de dados de saúde nos EUA, a Cerner, está apoiando a iniciativa. Mas a maior delas, a Epic, está de fora porque tem seu próprio app de coleta de dados de pacientes, o MyChart, que consegue ler dados do Saúde e do Apple Watch. Ainda não está claro se a empresa vai querer compartilhar seus dados com a Apple.

MÉDICOS, PACIENTES E APPS

Nesse cenário cada vez mais amplo, a oportunidade para fortalecer a relação entre médicos e pacientes é imensa. Médicos perceberam que eles perderam a habilidade de ajudar pacientes assim que eles saem dos consultórios. Quem tem diabetes, doenças respiratórias ou enfrenta a obesidade, precisa seguir planos constantes que combinam exercícios, nutrição e medicamentos. Para alcançar esses pacientes fora do consultório, os médicos estão recorrendo aos apps, wearables e outras ferramentas digitais.

(Crédito: Apple)

A Apple entrou nesta arena oferecendo kits de desenvolvimento – ReasearchKit, HealthKit e CareKit – que ajudam médicos a desenvolver apps para este fim. Embora a empresa tenha seu próprio repositório de dados do consumidor, também está abrindo caminho para apps de terceiros que tenham potencial de impactar o mercado de healthcare. Ou seja, em vez de concentrar os dados em uma única plataforma, a Apple quer facilitar o compartilhamento de dados e está se posicionando como uma empresa que quer ajudar a desenhar a próxima onda de apps de saúde.

Na WWDC (Worldwide Developers Conference), a companhia apresentou um dos apps construído com base em seus APIs, o Corrie. Desenvolvido por médicos do Johns Hopkins Medical Center, o app oferece a pacientes que sofreram ataques cardíacos uma série de atividades que eles precisam executar para se manterem saudáveis. A ferramenta também dá lembretes de quando tomar remédios e oferece dicas nutricionais, além de poder ser integrada ao Apple Watch.

Quando o John Hopkinhs não tinha esse app, os pacientes iam para casa cheios de papeis prescritos pelos cardiologistas. “Papeis podem ser super confusos e mesmo que sejam assimilados no começo, eles acabam ficando no banco do carro ou esquecidos em algum canto”, diz Seth Martin, chief medical officer do Corrie e cardiologista.

Também durante o WWDC, a Apple revelou que o iPhone poderá determinar se a pessoa está caminhando direito. Ainda assim, a empresa ainda não acertou totalmente: muitos médicos reclamam que o Apple Watch não detecta arritmia, muitas vezes. Mas tanto o wearable quanto o app Saúde podem dar aos médicos insights úteis sobre o comportamento do paciente.


SOBRE A AUTORA

Ruth Reader é redatora da Fast Company. Ela cobre a interseção de saúde e tecnologia. saiba mais