Armas a laser estão mais próximas da realidade que de Star Wars, segundo os EUA
Pentágono diz que ciência está pronta, mas engenharia continua sendo o maior obstáculo para armas a laser operacionais

As Forças Armadas dos Estados Unidos querem demonstrar armas a laser de alta energia projetadas para produção em escala nos próximos dois anos, segundo o principal responsável por ciência e tecnologia do Departamento de Defesa dos EUA.
Durante depoimento ao subcomitê de Ameaças Emergentes e Capacidades do Comitê de Serviços Armados do Senado, o subsecretário de Defesa para Pesquisa e Engenharia, Emil Michael, afirmou aos parlamentares que a ciência por trás das armas a laser “está em grande parte concluída”.
Segundo ele, o foco do Pentágono agora está nos desafios de engenharia necessários para transformar protótipos sofisticados em dispositivos produzidos em massa – o elemento “escala” da área crítica de tecnologia chamada “energia dirigida escalável”.
“Temos um conjunto de produtos de energia dirigida que vai do nível mais básico ao mais avançado, e agora precisamos ampliar a produção deles”, afirmou Michael.
Questionado pelo senador Gary Peters sobre o cronograma de três anos para colocar armas a laser em escala operacional – prazo divulgado por autoridades de defesa em março –, Michael respondeu que o projeto Golden Dome para a América, o escudo antimísseis planejado pelo presidente Donald Trump, deve acelerar esses esforços de pesquisa e desenvolvimento devido à “grande dependência” da iniciativa em tecnologias de energia dirigida.
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“Muito do dinheiro destinado ao Golden Dome será investido na engenharia de base desses sistemas para torná-los mais baratos, menores e mais disseminados”, disse Michael. "Como foi assumido o compromisso com o presidente de que teremos uma demonstração que inclua energia dirigida na arquitetura do nosso Golden Dome, há muito esforço colocado nisso.”
A demonstração envolvendo energia dirigida deve acontecer em meados de 2028, segundo Michael, como parte de uma série de eventos ligados ao Golden Dome. “Nunca houve tanto esforço dentro do departamento nessa capacidade específica”, afirmou.
As declarações do subsecretário conectam diretamente o futuro das armas a laser militares dos EUA a uma prioridade presidencial com muito financiamento e prazos rígidos.

Mas há um problema na afirmação de Michael de que a ciência está praticamente resolvida e resta apenas engenharia: foi justamente a engenharia que afundou programas militares norte-americanos no passado.
Construir armas a laser eficazes significa garantir que elas possam ser operadas e mantidas em diferentes ambientes táticos por soldados que não são especialistas em lasers.
O Pentágono vem abatendo drones com lasers desde 1973, mas ainda não conseguiu transformar, de forma consistente, protótipos experimentais em armas prontas para combate nas quais militares possam confiar fora de ambientes controlados. Na prática, a última década virou um cemitério de programas promissores de armas a laser.
A demonstração da energia dirigida deve acontecer em 2028, como parte de uma série de eventos ligados ao Golden Dome.
Esses fracassos seguem um padrão comum identificado em um relatório detalhado de 2023 do órgão de fiscalização governamental dos EUA: projetos promissores avançaram na fase de prototipagem sem garantir parceiros para transição operacional nem estabelecer acordos que obrigassem desenvolvedores e equipes de aquisição a compartilhar requisitos, cronogramas e responsabilidades orçamentárias.
O resultado: obsolescência causada não por limitações técnicas, mas pela ausência de vontade burocrática para sustentar os projetos entre ciclos orçamentários e mudanças de prioridade dentro das Forças Armadas. Em depoimento ao Comitê de Serviços Armados da Câmara, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, chamou isso de “inércia institucional”.
Embora Michael tenha apontado o grupo Força Tarefa Interagências 401 (criado para combater drones) como agregador de demanda e o Golden Dome como mecanismo político de pressão, nenhuma dessas medidas resolve sozinha o problema da transição entre protótipo e adoção operacional.
Dois programas servirão como primeiros indicadores claros para avaliar se o otimismo do Pentágono em relação à engenharia faz sentido.
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O primeiro é o Laser de Alta Energia Duradouro (E-HEL, na sigla em inglês), sistema modular de 30 kW do exército concebido explicitamente como o primeiro programa formal de energia dirigida da força terrestre. Ele parece avançar mais rápido do que quase qualquer iniciativa anterior.
O plano é produzir e implantar rapidamente 24 sistemas E-HEL ao longo de cinco anos. O primeiro protótipo deve surgir até o segundo trimestre fiscal de 2026, enquanto as primeiras unidades de produção devem ser entregues até o fim de 2027.
Se o cronograma for mantido, o E-HEL será a primeira vez que uma força militar dos EUA consegue transformar uma arma a laser em um programa operacional formal.

O segundo programa é o Sistema Conjunto de Armas a Laser (JLWS, na sigla em inglês). A Marinha dos EUA pretende conceder US$ 31,7 milhões em contratos para desenvolver um sistema conjunto de controle de feixe no quarto trimestre de 2026, além de outros US$ 30 milhões para aquisição e testes de hardware previstos até março de 2027.
Esse cronograma torna plausível uma demonstração do Golden Dome final do primeiro semestre de 2028, mas também indica que qualquer sistema apresentado provavelmente será uma arma em estágio inicial, e não uma tecnologia madura.
Resta saber se a base industrial de defesa norte-americana está preparada para responder.
Expansões de produção em empresas de defesa como Huntington Ingalls Industries, AV, IPG Photonics e nLight são sinais positivos, mas a capacidade industrial necessária para fabricar armas a laser em larga escala ainda parece insuficiente para sustentar o volume descrito por Michael.
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Com apoio institucional em níveis históricos, a demonstração impulsionada pelo Golden Dome prevista para 2028 pode acabar sendo o momento decisivo para provar se os desafios de engenharia que comprometeram programas anteriores finalmente foram superados ou se será mais um revés na longa busca dos militares por armas de energia dirigida.
Este artigo foi publicado na Laser Wars, newsletter sobre armas militares e tecnologia, e reproduzido com permissão.