Botão anti-slop chega ao LinkedIn (e deve ser a próxima onda das redes sociais)

O avanço do conteúdo automatizado cria um novo desafio de design para redes sociais, que buscam formas de diferenciar posts gerados por IA

lixo de IA no LinkedIn
Créditos: LinkedIn/ Mariia Shalabaieva/ Unsplash

Grace Snelling 4 minutos de leitura
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O LinkedIn reconhece que tem um problema com conteúdo de baixa qualidade gerado por IA, o chamado "AI slop". E criou um botão específico para lidar com isso.

Lançado na semana passada, ele permite que os usuários sinalizem conteúdos que considerem ser "AI slop". A opção aparece no menu de três pontos no canto superior direito de qualquer publicação e exibe um ícone de losango com um ponto de exclamação, acompanhado da frase: "parece conteúdo de IA de baixa qualidade" ("seems like AI slop").

Em uma publicação na plataforma , Hari Srinivasan, diretor de produtos do LinkedIn, explicou que o botão vai ajudar a empresa a ajustar seus modelos e criar feeds melhores.

A medida é apenas uma parte da estratégia geral da marca para reduzir esse tipo de conteúdo de IA ou, de modo mais amplo, conteúdos de baixa qualidade.

Basicamente, o LinkedIn está adotando uma abordagem de "IA contra IA", treinando seus próprios modelos de detecção para distinguir entre conteúdos que trazem ideias originais daqueles que apenas reproduzem ideias já existentes.

UMA QUESTÃO QUE ATINGE TODA A INTERNET

À medida que conteúdos gerados por IA começam a dominar as redes sociais, plataformas como o LinkedIn enfrentam o desafio de trazer ideias humanas de volta ao destaque.

Para muitos sites, isso significa integrar recursos de detecção e moderação de IA diretamente à experiência do usuário (UX), permitindo que as pessoas tenham voz ativa na forma como o conteúdo de IA é tratado.

Qualquer usuário do LinkedIn sabe que a plataforma convive há tempos com uma epidemia de "AI slop". Segundo um estudo do serviço de detecção de IA Pangram, uma em cada quatro publicações longas no LinkedIn, Medium, X, Reddit e Substack foi identificada como produzida por IA nos últimos dois meses. Entre todas as postagens sinalizadas, dois terços estavam no LinkedIn.

O LinkedIn pode ser um dos principais focos desse fenômeno, mas o problema se espalha por toda a internet. Em junho, a empresa de tecnologia Cloudflare, responsável por gerenciar o tráfego de milhões de sites, informou que robôs já geram 57,5% das solicitações de páginas da web.

Na prática, esse dado reforça a chamada "teoria da internet morta", segundo a qual a maior parte da atividade online atualmente é produzida por agentes não humanos.

As plataformas estão agora no centro da tentativa de lidar com essa avalanche de conteúdo automatizado, mas ainda não há soluções simples.

Leia mais: A teoria da internet morta é real. E está matando a web como a conhecemos

"Apenas nos comentários, estamos identificando diariamente centenas de milhares de tentativas automatizadas, além de termos bloqueado bilhões de outras tentativas de automação (publicações em massa e slop) apenas nos últimos meses", diz Srinivasan.

Enquanto buscam uma solução, diversas empresas estão devolvendo parte do poder de moderação aos próprios usuários.

A REAÇÃO DAS PLATAFORMAS

Embora exista alguma sobreposição, o AI slop ocupa uma categoria diferente dos conteúdos tradicionalmente moderados pelas redes sociais, como publicações violentas ou ameaçadoras.

Isso obriga as plataformas a desenvolver novos indicadores visuais e categorias para ajudar as pessoas a reconhecer recursos voltados especificamente para a moderação de conteúdo gerado por IA.

Crédito: Freepik

Em outubro, o Pinterest começou a enfrentar esse problema criando uma nova seção nas configurações chamada "Conteúdo de IA", permitindo que usuários desativassem recomendações geradas por IA por categoria, como "Arte" e "Esportes".

O TikTok seguiu caminho semelhante ao testar um controle deslizante de "Conteúdo gerado por IA" dentro da seção "Gerenciar conteúdo", permitindo que cada pessoa ajuste a quantidade desse tipo de publicação exibida no feed.

Mais recentemente, o Substack anunciou uma integração com o Pangram que permite analisar newsletters para estimar quanto do texto foi escrito por inteligência artificial.

Todas essas ferramentas têm o mesmo objetivo: colocar parte do controle da moderação de conteúdo gerado por IA nas mãos dos usuários. O mesmo vale para o botão "Parece AI slop" do LinkedIn.

As plataformas estão no centro da tentativa de lidar com essa avalanche de conteúdo automatizado.

Segundo Audrey Davis, diretora de design de produto e sistemas criativos da empresa, ele foi posicionado de propósito no mesmo fluxo usado para denunciar ou enviar feedback sobre conteúdos, tornando-o fácil de encontrar.

"Estamos começando com o ícone de ponto de exclamação porque ele remete a alerta ou cautela, mas também queríamos diferenciá-lo de uma denúncia formal, que utiliza uma bandeira", explica.

Em outras palavras, o botão não foi criado necessariamente para denunciar usuários individualmente, mas para ajudar o LinkedIn a desenvolver uma estratégia mais ampla para reduzir a circulação de conteúdo de baixa qualidade.

As redes sociais estão no meio da batalha contra a crescente "slopificação" provocada pela IA. Para os usuários, isso representa uma rara oportunidade de enxergar os bastidores de como seus feeds estão sendo construídos.


SOBRE A AUTORA

Grace Snelling é colaboradora da Fast Company e escreve sobre design de produto, branding, publicidade e temas relacionados à geração Z. saiba mais