CGI.br apresenta 46 regras para redes sociais no Brasil; veja o que muda

Documento reúne propostas sobre transparência, IA, algoritmos e responsabilidade das plataformas

Imagem que ilustra matéria sobre as regras que o Comitê Gestor da Internet criou para regulamentar as redes sociais
Créditos: ready made via Pexels / Logan Voss via Unsplash

Lilian Campos 3 minutos de leitura
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O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) apresentou 46 diretrizes para orientar a regulação das redes sociais e plataformas digitais no país.

As diretrizes, porém, não têm força de lei por si só. O documento funciona como uma matriz de referência para futuras legislações, regulamentações e decisões judiciais. As 46 recomendações estão divididas em seis áreas: soberania, transparência, economia e concorrência, direitos humanos, prevenção e responsabilidade e governança.

Segundo o CGI.br, as diretrizes funcionam como uma referência para projetos de lei, decisões do Congresso Nacional, do Judiciário e de órgãos reguladores. 

O material também dá continuidade aos debates iniciados com os 10 princípios para a regulação de plataformas, apresentados em 2025.

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REPRESENTAÇÃO E TRANSPARÊNCIA

Entre as propostas, o CGI.br recomenda que plataformas estrangeiras mantenham representação legal ou escritório no Brasil quando oferecerem serviços ao público brasileiro.

O documento também prevê mais transparência na moderação. As empresas deveriam divulgar regras internas, métricas de remoção e informar quando conteúdos foram identificados por automação ou por denúncias.

Outra diretriz prevê a identificação de conteúdos sintéticos gerados por inteligência artificial, permitindo que os usuários reconheçam mídias alteradas e contestem sinalizações consideradas indevidas.

CONCORRÊNCIA E ALGORITMOS

Na área econômica, o CGI.br propõe limitar a autopreferência de grandes plataformas, evitando que seus próprios produtos sejam favorecidos de forma abusiva em buscas e feeds.

O documento também recomenda interoperabilidade entre serviços semelhantes, para facilitar a comunicação entre diferentes plataformas e ampliar a liberdade de escolha dos usuários.

Além disso, há propostas para combater a discriminação algorítmica, com testes e auditorias de sistemas de recomendação.

JORNALISMO E ELEIÇÕES

Entre as propostas está uma área que afeta diretamente empresas de mídia. O CGI.br defende que as plataformas deem mais transparência aos critérios usados para distribuir e dar visibilidade a conteúdos jornalísticos, incluindo métricas de audiência de veículos e publicações e informações sobre parcerias mantidas com empresas de comunicação.

Outra diretriz propõe a compensação justa e transparente pelo uso de conteúdos jornalísticos pelas redes sociais, além de medidas para favorecer a circulação de notícias de interesse público. O próprio documento ressalta que a definição desses mecanismos ainda exigiria debate com plataformas, veículos e entidades representativas de jornalistas.

As eleições também aparecem entre as recomendações. O CGI.br propõe mais transparência sobre sistemas de recomendação e impulsionamento durante períodos eleitorais e a manutenção de repositórios de anúncios políticos. O documento também recomenda medidas contra interferências indevidas em processos democráticos, incluindo o combate a disparos em massa e à monetização e ao impulsionamento de conteúdos antidemocráticos.

RESPONSABILIDADE E GOVERNANÇA

As diretrizes ainda tratam da responsabilidade das plataformas de acordo com o grau de interferência na circulação de conteúdos. Serviços com maior atuação por meio de algoritmos e perfilamento teriam obrigações maiores de prevenção de danos.

O CGI.br também recomenda prioridade para denúncias feitas por entidades especializadas, além do uso de ferramentas de checagem de fatos na moderação.

Por fim, o documento defende uma regulação assimétrica, considerando fatores como número de usuários, faturamento, impacto no debate público e exposição de públicos vulneráveis. 

A proposta prevê ainda participação de governo, empresas, sociedade civil e academia na governança das regras. O documento completo, com as 46 regras, está disponível neste link. 


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais