Cinemas restringem óculos da Meta por medo de pirataria
Operadores adotam regras para limitar ou proibir os óculos da Meta e outros modelos com câmera, em meio a preocupações com privacidade e gravações ilegais.

Cinemas restringem óculos da Meta e outros modelos com câmera no Reino Unido, ampliando a lista de espaços que estão revendo suas regras para esse tipo de dispositivo
Nesta quinta-feira (20), a UK Cinema Association (UKCA), entidade que representa os operadores de cinema britânicos, afirmou que empresas do setor começaram a adotar políticas para proibir ou limitar o uso da tecnologia. As regras variam de acordo com cada estabelecimento.
Segundo a associação, os óculos inteligentes podem trazer benefícios para pessoas com necessidades de acessibilidade. Dentro das salas, porém, também levantam preocupações relacionadas à “privacidade e à pirataria de filmes”.
A UKCA representa operadores responsáveis por mais de 90% das salas de cinema do Reino Unido. A entidade não informou quais estabelecimentos já adotaram restrições.
A Fast Company norte-americana procurou as redes americanas AMC Theatres, Alamo Drafthouse e Cinemark para saber quais são suas políticas em relação aos óculos inteligentes. Este texto será atualizado caso as empresas respondam.
Apesar da rejeição crescente ao dispositivo em diferentes espaços, sete milhões de unidades dos óculos da Meta foram vendidas em 2025 – o triplo do total registrado em 2023 e 2024 somados, segundo a CNBC.
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POR QUE CINEMAS RESTRINGEM ÓCULOS DA META
Os cinemas britânicos estão entrando em uma onda de restrições que já alcança outros estabelecimentos e ambientes de trabalho. O movimento ocorre em meio a um debate crescente sobre o uso dos óculos da Meta em escolas, consultórios médicos, banheiros e outros espaços nos quais a gravação pode representar uma violação de privacidade.
Na semana passada, os tribunais da Inglaterra e do País de Gales começaram a proibir o uso de óculos inteligentes. O His Majesty’s Courts & Tribunals Service (HMCTS), órgão que administra o sistema judicial dos dois países, informou que os dispositivos serão confiscados de qualquer pessoa que entrar nos prédios da instituição.
“Há restrições claras para fazer fotos ou vídeos dentro de tribunais. Por isso, o uso dos óculos da Meta está proibido”, disse um porta-voz do órgão ao jornal The Guardian.
O HMCTS se juntou a outros estabelecimentos britânicos que já restringiram os óculos da Meta, incluindo o clube privado Soho House e a rede de pubs Wetherspoon.
As preocupações com os dispositivos vão além das gravações feitas em espaços públicos. Em março, um processo coletivo contra a Meta questionou o acesso de funcionários terceirizados a vídeos íntimos captados pelos óculos. Cerca de um mês antes, em julho, o sistema judiciário do estado de Nova York proibiu o uso de óculos inteligentes em todos os tribunais. Foi o primeiro estado americano a estabelecer uma proibição desse tipo para todo o seu sistema judicial.
Na terça-feira (18), o Immigration and Customs Enforcement (ICE), órgão de imigração e alfândega dos Estados Unidos, também proibiu seus funcionários de usar óculos da Meta no ambiente de trabalho federal, citando preocupações com privacidade.
Segundo a UKCA, as restrições aos óculos inteligentes ainda estão em desenvolvimento. A entidade afirma que continuará trabalhando com seus associados para garantir que as medidas permaneçam “relevantes e proporcionais”.