Como será o metaverso em 5 anos? Esse estúdio de design pode ter a resposta

Crédito: Argodesign/ Gradienta/ Unsplash

Mark Wilson 4 minutos de leitura

O que é o metaverso? Pergunte a dez especialistas e você receberá respostas diferentes. É realidade virtual? Realidade mista? Uma cidade virtual onde compraremos apartamentos digitais? Um monte de JPEGs de NFT e outros esquemas de enriquecimento até que a criptoeconomia gere tanto carbono que destrua o planeta? Ou apenas o Roblox e o Snapchat daqui a alguns anos?

Embora seja difícil encontrar consenso, a Argodesign – empresa de design que passou anos prestando consultoria para a Magic Leap – colocou suas cartas na mesa. Ela trouxe uma nova visão sobre o futuro da realidade mista, oferecendo um argumento convincente de como produtos como o HoloLens e o Magic Leap podem funcionar em meia década. Esse metaverso seria bom para empresas de diversos ramos, como Starbucks ou Apple, agregando valor e oferecendo controle suficiente para as pessoas realmente usarem.

O segredo de tudo isso? O metaverso da Argodesign é basicamente a internet. Mas, em vez de acessar sites, você vai a lugares físicos, onde os óculos de realidade mista revelam camadas digitais invisíveis.

Isso significa que sua sala pode ter uma camada específica para assistir a uma TV virtual gigante. Ou mesmo uma para jogar Pokémon, na qual monstros virtuais correm pelo ambiente e sentam no seu sofá. Além de uma camada para limpeza, que identifica as roupas da sua família automaticamente enquanto você as dobra e ouve Spotify em segundo plano.

Créditos: Argodesign/ Divulgação

“Nosso objetivo é acabar com algumas das visões distorcidas sobre o metaverso”, explica Mark Rolston, fundador da Argodesign. “Para então passar a tratá-lo como uma forma de arte de computação avançada… e oferecer uma visão mais concreta de como poderia ser.”

O DESIGN DO HARDWARE 

A visão do estúdio vem do conceito dos seus próprios óculos de realidade mista – armações leves que brilham, indicando que você está acessando uma outra camada da realidade (em vez de esconder isso dos outros e gerar confusão). Além da aparência única, eles também vêm com uma caneta stylus, acoplada na haste dos óculos, como um lápis sobre a orelha.

Mas por que precisaríamos dela, quando produtos como HoloLens e Oculus Quest já conseguem ler os movimentos das mãos? Porque, na grande maioria das vezes, trabalharemos com telas e objetos virtuais à distância. “Se quiser trabalhar em algo de perto… você pode usar um notebook”, diz Rolston. “Este é um mundo à distância. Como se estivesse sentado no sofá [assistindo TV].”

Além disso, naturalmente, você pode precisar apontar para coisas que estão longe, e usar seu dedo para isso causaria (mais) estranhamento e confusão nas pessoas ao redor. “O gesto de apontar continuará na realidade mista; é uma interação humana”, argumenta Jared Ficklin, sócio e principal tecnólogo criativo da Argodesign. Entendo que apontar com uma caneta stylus também pareça estranho. Mas, pelo menos, gera menos desentendimentos.

SOFTWARE COM CARA DE WEB

A aposta em que os designers estão mais confiantes é em como seria esse software do metaverso – especificamente, como ele será organizado e como você o acessa. Hoje, a área de trabalho do seu computador é modelada a partir de uma mesa de escritório real. É por isso que temos arquivos e pastas.

Ao basear os computadores nos mesmos princípios de organização de um escritório, a tecnologia se tornou mais familiar e menos intimidadora. E então, o iPhone nos apresentou aos aplicativos. Eles se tornaram as fontes para encontrar as informações que queríamos.

Com o metaverso, a Argodesign imagina que o ambiente e os objetos ao seu redor serão essas fontes. Isso quer dizer que sua mesa pode se tornar uma camada do metaverso, exibindo um computador virtual. E que pode ser configurada para ocultar arquivos privados e ter uma aparência diferente para outras pessoas.

Para a empresa, o metaverso significa usar o mundo real como interface para a computação – ambientes ou objetos substituem pastas –, mas ainda oferecer acesso remoto quando você não puder ou quiser estar presente fisicamente.

E essa visão vai muito além de mesas. Qualquer espaço físico pode dar lugar a todos os tipos de “camadas” digitais diferentes. Em uma Starbucks, por exemplo, você poderia acessar uma camada com menus e ofertas. Depois, visitar uma loja virtual da Target dentro da Starbucks e até mesmo alternar para sua própria camada de trabalho privada, onde pode responder e-mails.

Parece ficção, mas é tecnicamente viável. Nossos óculos procurariam por “âncoras”, um espaço ou objeto ligado a uma URL específica, assim como um site faz hoje.

ATRAENTE, MAS AINDA UM METAVERSO

No entanto, o metaverso é realmente algo necessário? Em última análise, a Argodesign acredita que sim, que é o próximo estágio natural da computação. Como explica Rolston, os computadores, historicamente, colocam telas na nossa frente. Já os óculos de realidade aumentada apontam uma câmera para o mundo. É a primeira vez que uma máquina compartilhará nosso ponto de vista e nosso contexto específico momento a momento.

A visão do metaverso da Argodesign é convincente e viável, com um design intuitivo que, em muitos aspectos, faz mais sentido do que arquivos e pastas em 2022. Este mundo pode muito bem se tornar realidade.

Devo insistir na questão da utilidade e da necessidade de se construir um metaverso como esse. Já sabemos que o tempo de tela nos deixa infelizes, e a visão da Argodesign pode manter o mundo do jeito que é, mas adicionar uma camada extra que nos acompanha ao longo do caminho.

De fato, há uma razão pela qual muitos imaginam um futuro com menos telas, sejam reais ou virtuais. Se já sabemos que um simples passeio por um jardim diminui consideravelmente os níveis de cortisol, por que ainda construímos mais telas, em vez de mais jardins?


SOBRE O AUTOR

Mark Wilson é redator sênior da Fast Company. Escreve sobre design, tecnologia e cultura há quase 15 anos. saiba mais