Este leitor digital cabe no bolso – e ganha recursos com software gratuito
O pequeno Xteink X4 Pro não tem loja de livros nem aplicativos, mas justamente essa simplicidade o torna tão atraente

À primeira vista, parece um exemplo clássico de um aparelho que o mundo poderia perfeitamente viver sem.
O dispositivo em questão é um e-reader minúsculo, projetado para se prender magneticamente à parte traseira do seu celular – sim, aquele aparelho que já consegue rodar uma variedade de aplicativos de leitura de e-books.
O tal dispositivo não tem acesso direto a uma loja de e-books, o que complica a tarefa essencial de conseguir algo para ler. Além disso, seu software integrado é tão rudimentar que você poderia se perguntar se ele foi desenvolvido especificamente para garantir que o usuário de arrependesse da compra.
E, ainda assim, estou encantado com o Xteink X4 Pro. Acontece que, sim, eu quero carregar um e-reader no mesmo bolso que o celular.
Assim como os Kindle da Amazon e outros concorrentes mais conhecidos, os e-readers da chinesa Xteink são otimizados para leitura, com telas que parecem papel e autonomia de semanas entre as recargas. O fato de não estarem conectados a uma loja de e-books acaba não sendo uma catástrofe.
Conheci os e-readers da Xteink em janeiro, mas resisti à tentação de comprar um até o lançamento do X4 Pro (US$ 99). É o primeiro modelo da empresa com tela iluminada, um recurso que considero essencial para ler antes de dormir. Também tem a primeira tela sensível ao toque da empresa e sua maior bateria.
Infelizmente, a Xteink conseguiu o perfil fino do X4 Pro, em parte, eliminando a porta USB-C para carregamento. Em vez disso, ele usa um adaptador magnético de carregamento que é fácil de perder e difícil de manter firmemente preso ao e-reader. É a única coisa no hardware de que eu realmente não gosto.

Mas por que não simplesmente ler e-books no celular? Talvez você já esteja prevendo a resposta. No celular, a leitura de livros compete com uma cacofonia de distrações mais chamativas e capazes de acelerar o pulso, além de tentações mundanas como verificar o e-mail.
Nada disso pode acontecer nos dispositivos da Xteink. Não há outros aplicativos, notificações ou qualquer maneira de fazer outra coisa com o Wi-Fi além de transferir e-books de outro dispositivo. A tranquilidade resultante é a mais escassa das commodities da computação moderna.
No entanto, o software integrado da Xteink é realmente rudimentar, então abandonei o firmware original do X4 Pro em favor de uma alternativa de código aberto chamada CrossPoint.
Ele oferece ao X4 Pro, aos seus modelos irmãos e a alguns outros e-readers minúsculos o software que eles merecem, com melhorias como tipografia elegante e a possibilidade de ajustar a interface de inúmeras maneiras.
os e-readers da Xteink são otimizados para leitura, com telas que parecem papel e autonomia de semanas entre as recargas.
Pouco depois de meu X4 Pro chegar, o CrossPoint resolveu uma das maiores limitações da Xteink ao lançar um software que permite ler e-books comprados na loja da Kobo. Mas para isso é preciso instalar um plug-in e acessar o e-reader por meio de um navegador em outro dispositivo.
Outras opções de leitura incluem procurar livros livres de controles de gerenciamento de direitos digitais (DRM), aproveitar a enorme quantidade de obras gratuitas em domínio público e remover o DRM de livros protegidos contra cópia.
ALTERNATIVA AO KINDLE
Colocar livros em um e-reader Xteink ainda exige mais etapas do que comprá-los diretamente em um Kindle ou Kobo. Mas, com a nova compatibilidade do CrossPoint com o Kobo, praticamente qualquer coisa que você queira ler está disponível.

Em muitos dispositivos, instalar um firmware alternativo é uma espécie de ato de imprudência e ousadia. O CrossPoint não tem nada disso.
Você conecta o e-reader a um Mac ou PC com Windows usando um cabo USB, clica em um botão no site do CrossPoint e espera um ou dois minutos. Se você consegue atualizar o sistema operacional do seu celular, consegue fazer isso.
Se o CrossPoint não oferece algum recurso que você gostaria de ter, isso também não é problema. Várias equipes independentes de desenvolvedores usaram o software como base para seus próprios firmwares compatíveis com os Xteink.
A alternativa mais conhecida, o CrossInk, acrescenta recursos como estatísticas de leitura e uma opção chamada Focus Reading, que coloca algumas letras das palavras em negrito para ajudar a guiar seus olhos pelo texto.
Talvez os e-readers da Xteink fossem ainda melhores se simplesmente viessem com o CrossPoint pré-instalado. Mas não tenho tanta certeza.
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Vivemos em uma época na qual muitas empresas exercem tanto controle sobre os produtos que vendem que até os carros já não parecem algo que realmente seja nosso.
Qualquer evidência de que o futuro não será cada vez mais fechado e tomado por produtos deliberadamente piores é, por si só, animadora.