Fundador do Spotify cria uma clínica que escaneia o corpo inteiro
Com ambientes futuristas e exames baseados em dados, startup tenta tornar a prevenção uma experiência mais pessoal e menos hospitalar

A Neko, startup de exames de corpo inteiro cofundada por Daniel Ek, do Spotify, está tentando repensar a área da saúde ao priorizar análises baseadas em dados e cuidados preventivos.
Para mostrar como essa proposta é diferente dos serviços de saúde tradicionalmente reativos, a empresa fez do design de suas clínicas uma parte tão importante do negócio quanto os exames e diagnósticos que realiza.
Essa abordagem está em evidência na mais nova clínica da empresa, recém-inaugurada no bairro de Soho, em Nova York. Com ambientes suavemente iluminados, paredes despojadas e toques delicados de tons pastel, a clínica e a sala de espera têm uma atmosfera minimalista e futurista que combina um spa sofisticado com uma butique de moda.
A Neko opera clínicas nos EUA e Europa desde 2003 e já realizou mais de 100 mil de seus exames sem radiação, que custam US$ 499. A empresa vê a clínica de Nova York como seu primeiro passo no mercado americano, com outras unidades planejadas para Miami, São Francisco e Washington.
O projeto da clínica foi liderado por Franquibel Lima, arquiteto e ex-chefe global dos estúdios de design da WeWork, que também participou do projeto de outras clínicas da Neko em cidades como Estocolmo, Londres e Manchester, na Inglaterra.
Segundo ele, as clínicas da Neko são diferentes dos ambientes tradicionais de saúde em parte porque não foram concebidas para atender pessoas doentes, mas também porque a empresa acredita que é mais valioso cuidar das pessoas antes que elas adoeçam.

“Para passarmos de uma saúde reativa a uma saúde proativa, é necessária uma verdadeira mudança de mentalidade”, afirma Lima.
Para convencer as pessoas de que existe outra maneira de encarar os cuidados de saúde, a Neko tentou fazer com que suas clínicas parecessem mais uma experiência do que uma linha de produção.
Inspirada nas lojas da Apple e em filmes de ficção científica, a clínica da Neko em Nova York combina iluminação cuidadosamente controlada com uma paleta de materiais suaves e naturais.

No nível da rua, a fachada é uma simples porta de onde emana um brilho âmbar. Lá dentro, uma escada de aço inoxidável escovado leva a uma sala de espera de paredes brancas, onde um pequeno balcão de recepção dá acesso a uma área de assentos estofados em formato de U.
Revestimentos de parede canelados com iluminação traseira conferem ao espaço uma sensação de nuvem, enquanto a iluminação sob os assentos reforça a impressão de que eles estão flutuando.
Ao sair da sala de espera e entrar na área clínica totalmente branca, a iluminação fica mais intensa e conduz os visitantes até uma das seis áreas de exames.

Pelas portas, luzes e pinturas em tons pastel de amarelo se revelam no interior das salas de exame, criando o que Lima descreve como uma atmosfera tranquilizadora. “É uma experiência multissensorial que prepara você para saber mais sobre sua saúde”, explica Lima.
Como serviço premium, pensado para complementar o atendimento médico primário e outros serviços tradicionais de saúde, a Neko pode se dar ao luxo de incorporar esses detalhes adicionais de design às suas clínicas.

Mas a empresa tem ambições de se tornar uma parte maior da maneira como as pessoas cuidam da própria saúde e identificam problemas antes que eles se agravem. Criar espaços que as pessoas queiram visitar de novo é parte fundamental dessa estratégia.
“Como somos uma marca voltada para o consumidor, é importante criar ambientes nos quais as pessoas entrem e pensem: ‘isso não se parece com nada do que eu já experimentei antes’”, diz Lima.