Discord adia verificação de idade após críticas de usuários
A reação negativa às medidas iniciais de verificação de identidade ocorreu apesar de o Discord garantir que para a maioria dos usuários nada muda

O Discord, plataforma popular entre gamers para comunicação online, está adiando sua controversa política de verificação de idade após enfrentar uma reação imediata de usuários preocupados com a própria privacidade.
A implementação global do sistema foi postergada para o segundo semestre de 2026. O anúncio foi feito em um post publicado esta semana por Stanislav Vishnevskiy, cofundador e CTO da empresa, que admitiu que o Discord “errou o alvo”.
“Muitos de vocês estão preocupados que isso seja apenas mais uma grande empresa de tecnologia encontrando novas formas de coletar seus dados pessoais. Que estamos criando um problema para justificar soluções invasivas”, escreveu Vishnevskiy.
“Entendo esse ceticismo. Ele foi conquistado – não apenas em relação a nós, mas a toda a indústria de tecnologia. Mas não é isso que estamos fazendo”, reconheceu.
O Discord, que afirma ter mais de 200 milhões de usuários ativos, informou que continuará cumprindo obrigações legais específicas relacionadas à verificação de idade. Mas a expansão global do sistema só irá adiante depois que a companhia fizer ajustes na política apresentada no início de fevereiro.
No começo do mês, a empresa anunciou que lançaria, em março, uma política que incluiria escaneamento facial ou solicitação de envio de documento de identidade para usuários cuja maioridade não pudesse ser determinada.
A reação foi rápida e intensa. Muitos apontaram para uma recente falha de segurança envolvendo um fornecedor terceirizado do Discord, que expôs fotos de documentos oficiais de até 70 mil usuários.
Vishnevskiy mencionou o incidente no post, afirmando compreender que a violação reforçou o ceticismo, mas destacou que o Discord não trabalha mais com aquele fornecedor e adota padrões rigorosos na escolha de parceiros.

Um dos parceiros que não atendeu aos padrões foi o serviço de verificação de identidade Persona. O Discord realizou um teste limitado com a empresa apenas no Reino Unido, em janeiro.
A Persona não conseguiu atender ao padrão da companhia para estimativa de idade por reconhecimento facial, que exige que o processo seja feito “inteiramente no dispositivo, o que significa que seus dados biométricos nunca deixam o seu celular”.
O Discord também se distanciou da Persona depois que a relação passou a ser alvo de críticas online. A empresa é financiada pela gestora de capital de risco Founders Fund, comandada por Peter Thiel, cofundador da Palantir Technologies.
Thiel e a Palantir frequentemente são criticados pelas parcerias da companhia com o governo dos EUA para fins de vigilância. Recentemente, a Palantir firmou um acordo com a Agência de Imigração e Fiscalização Alfandegária (ICE, na sigla em inglês) para agilizar processos de identificação e deportação de pessoas alvo da agência.
VERIFICAÇÃO AUTOMÁTICA DE IDENTIDADE
A reação negativa às medidas iniciais de verificação de identidade do Discord (e até à versão revisada) ocorreu apesar de Vishnevskiy afirmar que, para “mais de 90% dos usuários, nada muda”.
Segundo ele, o Discord consegue determinar a idade da maioria das pessoas por meio de indicadores como tempo de existência da conta, presença de método de pagamento cadastrado, tipos de servidores frequentados e padrões gerais de atividade. Ele enfatizou que a empresa não lê mensagens, não analisa conversas nem acessa o conteúdo das contas para estimar a idade.
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Para a minoria de usuários cuja idade não pode ser determinada automaticamente, o Discord agora trabalha para oferecer alternativas ao escaneamento facial e ao envio de documento, incluindo verificação via cartão de crédito. A companhia afirmou que vai “concluir e expandir” essas opções antes de implementar o novo sistema.
Usuários que optarem por não verificar a idade poderão manter suas contas, servidores, lista de amigos, mensagens diretas e chats de voz. Mas não terão acesso a conteúdos com restrição etária nem poderão alterar determinadas configurações de segurança padrão criadas para proteger adolescentes, escreveu Vishnevskiy.