Disney quer lucrar com edits de fãs. Mas vai pagar quem cria?

Alguém tem acompanhado o Verts, da Disney, ultimamente (se você não faz ideia do que estou falando, não o culpo)? Para quem não notou, a experiência dentro do aplicativo Disney+ mudou discretamente a partir de março.
Conteúdos verticais e curtos (daí o nome) agora ocupam a página inicial. A Disney criou uma interface para o aplicativo que rivaliza com TikTok e Reels, com uma diferença: ela exibe apenas trailers de séries e programas da Disney e do Hulu.
Não é preciso dizer que o Verts ainda não decolou. Mas isso pode mudar depois que Disney e TikTok fecharam um acordo de compartilhamento de conteúdo, ampliando o Disney Creator Ambassador Program, administrado em conjunto, para impulsionar conteúdos de fãs nas duas plataformas.
Em termos simples, edições de fãs de Star Wars no TikTok não serão mais sinalizadas por violação de direitos autorais. Na verdade, se o criador optar por participar do programa, o conteúdo também será exibido no Verts.
O programa de embaixadores da Disney busca incentivar os criadores a compartilhar seu conteúdo, mas não chega a oferecer remuneração em dinheiro.
O sucesso ou fracasso desse programa vai estabelecer um novo precedente para a forma como as marcas trabalham com bases de fãs já existentes para aproveitar a credibilidade orgânica.
UMA SITUAÇÃO EM QUE TODOS GANHAM?
À primeira vista, esse acordo de compartilhamento de conteúdo parece uma situação em que todos saem ganhando. Os criadores agora podem publicar seus vídeos de role-play do Homem-Aranha (com áudio e tudo) sem medo de receber uma notificação por direitos autorais – o que significa que mais fãs poderão aproveitá-los em diferentes plataformas.
Além disso, a Disney passa a ter acesso a um elemento crucial para determinar o sucesso ou fracasso da relevância cultural de uma plataforma social: conteúdos produzidos pelos próprios fãs.
Conteúdo criado pelos consumidores é a força motriz por trás do sucesso das plataformas de vídeos curtos; a parte mais criticada do TikTok ou do Instagram Reels é justamente aquela que parece um anúncio.
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Na economia da atenção em rápida transformação, fãs de longa data muitas vezes têm mais credibilidade do que a empresa que detém a propriedade intelectual que inspira seus vídeos. Conteúdo produzido pela Disney pode parecer publicidade; conteúdo criado por outros fãs parece uma celebração de um interesse compartilhado.
O Verts não conseguiu ganhar força em sua primeira versão porque estreou dentro de uma bolha, criando um feed de anúncios de conteúdos da Disney em uma plataforma criada para abrigar conteúdos da Disney.

Mas o que o Disney Creator Ambassador Program realmente envolve? O incentivo oferecido pela empresa aos criadores fãs é o aumento da visibilidade do conteúdo e oportunidades de networking.
Mas o programa tem sido vago até agora. O que exatamente significa uma oportunidade de networking? Quanto de aumento na visibilidade do conteúdo os participantes podem esperar?
Teoricamente, os criadores serão recompensados da mesma maneira que os influenciadores costumam ser: por meio de exposição, networking e acesso a eventos, mas não participação na receita.
Oportunidade pode ser um forte incentivo, mas, quando a realidade bate à porta, viagens de influenciadores patrocinadas por marcas não pagam as contas.
Agora, para fazer justiça à Disney, os fãs nunca ganharam dinheiro com suas edições antes. Posts caça-cliques de Piratas do Caribe ou recebiam uma notificação por direitos autorais e eram removidos, ou podiam continuar no ar, mas sem monetização.
O argumento a favor da divisão dos lucros
É claro que a Disney é uma empresa que quer maximizar os lucros de seus ativos — neste caso, propriedades intelectuais adoradas pelo público. Agora que a Disney quer usar as edições feitas por fãs para dar vida a sua plataforma em dificuldades, a equação muda. Se a Disney lucra com o trabalho, deveria estar disposta a tratar os criadores que fazem o trabalho pesado como parceiros e recompensar seu investimento financeiramente.
Existem precedentes para esse tipo de remuneração. O modelo de royalties do Spotify para artistas ou o sistema de divisão de receita do YouTube/AdSense (imperfeito, mas funcional) oferecem um modelo para remunerar os criadores que tornam o aplicativo valioso. Mesmo que a Disney não queira pagar royalties aos criadores, poderia seguir o exemplo da Sephora e oferecer o que são, na prática, contratos de trabalho freelance. Os integrantes da “Sephora Squad” entram em uma parceria remunerada de um ano com a marca, permitindo que a empresa tenha acesso ao conteúdo dos criadores e oferecendo a eles uma maneira viável de ganhar a vida.
Acesso a eventos de networking não é uma compensação adequada para pessoas que publicam conteúdo de fãs como hobby, fora de seu trabalho principal. A fonte de conteúdo barato e envolvente eventualmente vai secar sem uma monetização financeira de verdade.
O tempo dirá se o Disney Creator Ambassador Program é um modelo sustentável de remuneração para colaboradores e se conseguirá transformar o Verts em um nome conhecido por todos. Enquanto isso, todos podemos reconhecer que as edições de fãs são a força vital das plataformas de conteúdo curto. A Disney certamente sabe que isso é verdade.