Qual é a empresa brasileira mais inovadora, segundo o ChatGPT
Relatório inédito da deeptech brasileira Ranqia, obtido pela Fast Company Brasil, mostra quais empresas e marcas aparecem com mais frequência nas respostas da IA quando o assunto é inovação brasileira

Quando alguém pergunta ao ChatGPT quais são as empresas mais inovadoras do Brasil, alguns nomes aparecem quase sempre.
Segundo um levantamento inédito da Ranqia, deeptech brasileira especializada em GEO (sigla em inglês para otimização para mecanismos generativos) obtido pela Fast Company Brasil: Embraer, WEG, Petrobras e Grupo Boticário foram citadas em 98% das respostas geradas pelo modelo ao longo de junho de 2026. Logo depois aparece o iFood, com 96% de visibilidade.
Isso faz da Embraer a empresa brasileira mais associada à inovação nas respostas do ChatGPT, de acordo com o ranking de visibilidade do estudo. Mas há uma ressalva importante: o levantamento não mede exatamente “quem é mais inovador”. Ele mostra quem a IA mais associa à inovação no Brasil e com que frequência esses nomes aparecem quando usuários fazem esse tipo de pergunta.
“A pergunta que guiou o estudo foi: quando alguém pergunta ao ChatGPT sobre inovação no Brasil, quem aparece?”, afirma Mateus Souza Borges, CEO e cofundador da Ranqia. “Não queríamos fazer mais um ranking editorial sobre inovação. Queríamos medir como a inteligência artificial está organizando essa reputação.”
AS EMPRESAS MAIS ASSOCIADAS À INOVAÇÃO PELO CHATGPT
No ranking de visibilidade, a Embraer aparece no topo. Ela foi citada em 98% das respostas, mesma taxa registrada por WEG, Petrobras e Grupo Boticário. A diferença está na posição média: a Embraer costuma aparecer mais acima na lista, com posição média de 3,4, seguida pela WEG, com 3,8.
O relatório lista 12 nomes na categoria. Abaixo, a Fast Company Brasil destaca os 10 primeiros:
- Embraer — 98%
- WEG — 98%
- Petrobras — 98%
- Grupo Boticário — 98%
- iFood — 96%
- Nubank — 92%
- TOTVS — 81%
- Ambev — 75%
- Vivo — 75%
- QuintoAndar — 73%
Nas justificativas dadas pelo modelo, inovação aparece quase sempre ligada aos mesmos sinais: inteligência artificial, automação, dados, pesquisa e desenvolvimento, tecnologia proprietária, engenharia, premiações, sustentabilidade e infraestrutura financeira.
Em outras palavras: o ChatGPT parece reconhecer inovação quando encontra uma combinação de tecnologia, escala, reputação pública e fontes capazes de sustentar essa associação.
APARECER MUITO NÃO É APARECER PRIMEIRO
A parte mais interessante do estudo não está apenas em quem lidera. Está na diferença entre ser lembrado com frequência e ser priorizado na resposta.
“Aparecer muito não é a mesma coisa que aparecer em primeiro”, diz Borges. “A visibilidade mede frequência de citação. A posição média mostra prioridade na recomendação. São duas disputas diferentes dentro da resposta da IA.”
A Natura é o melhor exemplo. No ranking de empresas, ela aparece em 64% das respostas, abaixo de nomes como Nubank, TOTVS, Ambev e Vivo. Mas, quando é citada, costuma vir no topo: sua posição média é 1,9, e a mediana é 1.
Ou seja: a Natura aparece menos. Mas, quando entra, entra forte.
QUANDO A PERGUNTA MUDA DE EMPRESA PARA MARCA
A Ranqia também testou uma variação do prompt. Em vez de perguntar quais são as empresas mais inovadoras do Brasil, perguntou quais marcas brasileiras são referência em inovação.
O núcleo continua parecido, mas a ordem muda. A Embraer também lidera esse ranking, com 97% de visibilidade e mediana 1. Em seguida aparecem iFood, WEG, Grupo Boticário, Petrobras e Nubank.
No ranking de marcas brasileiras referência em inovação, os 10 primeiros nomes foram:
- Embraer — 97%
- iFood — 97%
- WEG — 96%
- Grupo Boticário — 95%
- Petrobras — 95%
- Nubank — 94%
- Ambev — 72%
- TOTVS — 59%
- Natura — 58%
- Magazine Luiza — 48%
A comparação mostra que o ChatGPT não trata “empresa” e “marca” como sinônimos perfeitos. No ranking de empresas, Nubank aparece em sexto lugar por visibilidade, com posição média de 8,9. Quando a pergunta fala em marcas, o banco digital se aproxima do bloco líder: tem 94% de visibilidade e posição média de 3,7.
A Natura repete o mesmo padrão. Aparece em menos respostas do que as líderes, mas, quando é lembrada, ocupa posições altas. No ranking de marcas, tem 58% de visibilidade, posição média de 3,1 e mediana 3.
A REPUTAÇÃO QUE NASCE NAS RESPOSTAS DE IA
Para a Ranqia, o ponto central do levantamento não é declarar um vencedor. É mostrar que uma nova camada de reputação está se formando.
“As respostas de IA estão se tornando uma nova camada pública de reputação”, afirma Borges. “Para muitas pessoas, a primeira lista de referência sobre um tema já não vem de um buscador tradicional, mas de uma resposta gerada por IA.”
Essa mudança desloca parte da disputa de imagem para um território menos visível do que a página de resultados do Google. Não basta mais aparecer em uma busca. Também importa ser citado, contextualizado e priorizado quando um assistente de IA transforma uma pergunta em uma lista.
É aí que entra o GEO. Se o SEO tradicional olha para a posição de uma página nos buscadores, a otimização para mecanismos generativos tenta entender como marcas, empresas e pessoas aparecem dentro das respostas produzidas por ferramentas como ChatGPT, Gemini, Perplexity e Claude.
“O que antes era uma disputa por posição no Google agora passa a ser também uma disputa por presença, contexto e prioridade nas respostas dos assistentes de IA”, diz Borges. “Esse é o campo do GEO, a otimização para mecanismos generativos.”
DE ONDE VÊM AS RESPOSTAS DO CHATGPT
O levantamento também analisou as fontes citadas diretamente pelo modelo. No consolidado sobre inovação no Brasil, a Wikipedia em português foi a fonte mais recorrente, seguida pela Forbes Brasil. Também aparecem Canaltech, ABVCAP, Reddit, Startups.com.br, Exame, Strategy&, The Shift, ClienteSA, Você S/A e gov.br.
“O estudo mostra que a reputação em IA é construída a partir de fontes identificáveis”, afirma Borges. “Wikipedia, Forbes, veículos de nicho, comunidades e rankings especializados aparecem como sinais importantes na forma como o modelo organiza suas respostas.”
Esse talvez seja o dado mais estratégico para empresas: o ChatGPT não apenas “lembra” de uma marca. Ele organiza essa lembrança a partir de sinais disponíveis, recorrentes e estruturados em fontes que considera relevantes.
O RANKING NÃO DIZ QUEM É MAIS INOVADOR
A própria Ranqia faz uma ressalva: os rankings descrevem o comportamento do ChatGPT 5.5 Instant durante junho de 2026. Não são uma avaliação definitiva sobre quais empresas, marcas ou pessoas são, objetivamente, mais inovadoras no Brasil.
“O ranking não diz quem é, de fato, mais inovador no Brasil”, diz Borges. “Ele mostra quem o ChatGPT mais associa à inovação brasileira durante o período analisado. Essa diferença é fundamental.”
Ainda assim, a diferença não torna o ranking irrelevante. Pelo contrário. Se cada vez mais pessoas recorrem a assistentes de IA para pedir recomendações, referências e listas, aparecer nessas respostas passa a ser parte da disputa por autoridade.
“A tese da Ranqia é que as respostas de IA são caixas-pretas quando olhadas pela perspectiva de tentar prever exaustivamente cada resposta individual”, afirma Borges. “Mas elas não são impossíveis de medir sob uma perspectiva de distribuição de probabilidades. Elas são sistemas estocásticos e probabilísticos. Com amostragem, método e recorrência, é possível entender padrões de visibilidade, fontes de influência e argumentos que moldam a recomendação.”
A implicação para empresas é direta: ser conhecido já não basta. É preciso entender quais sinais alimentam a memória pública das inteligências artificiais.
“Marcas que querem ser lembradas por IAs precisam entender quais sinais alimentam essa lembrança”, diz Borges. “Não basta ser conhecido. É preciso estar bem representado em fontes confiáveis, estruturadas e relevantes para o tema em que se quer aparecer.”