Esta operadora apaga seu histórico de chamadas todos os dias. E esse é o motivo

Cape reduz a coleta de dados, apaga registros de chamadas e usa identificadores rotativos para dificultar o rastreamento

Crédito: Cape Cellular

Rebecca Heilweil 1 minutos de leitura

Seu celular pode ser seu, mas os dados que você gera nele nem sempre são. Operadoras registram o histórico de chamadas, corretoras de dados coletam metadados e informações de localização e parte desse material pode até ser vendida a órgãos do governo.

É justamente esse cenário que a Cape quer mudar.

Disponível nos EUA, a operadora de telefonia é focada em privacidade e lançou sua rede para consumidores em janeiro, após vários meses em fase beta aberta. O serviço utiliza as mesmas torres de transmissão das operadoras tradicionais, mas promete coletar muito menos informações sobre seus usuários.

O plano custa US$ 99 por mês e inclui medidas como apagar os registros de chamadas a cada 24 horas, criptografar mensagens de voz e, principalmente, atribuir um identificador rotativo aos clientes. Isso preserva o anonimato e dificulta o rastreamento do cartão SIM do aparelho.

Durante anos, a Cape operou discretamente, concentrando seus serviços em clientes das áreas militar e de segurança nacional. Atualmente, a empresa mantém 31 contratos com órgãos do governo dos EUA, mas decidiu expandir sua atuação para consumidores e empresas dispostos a pagar mais por privacidade.

"Se sofrermos algum tipo de comprometimento, haverá muito pouca informação para um invasor descobrir", afirma o cofundador John Doyle, que no passado liderou a divisão de segurança nacional da Palantir. "Nós não temos todo o seu histórico."

Leia mais: Este celular quer que você pague com dinheiro, não com seus dados

A Cape também oferece gratuitamente seu serviço a jornalistas aprovados pela Electronic Frontier Foundation (EFF), organização dedicada à defesa dos direitos digitais. Segundo a empresa, solicitações para essas contas são aprovadas quase diariamente.

A startup, que anunciou em março uma rodada de investimentos de US$ 100 milhões e foi avaliada em US$ 900 milhões, afirma ter registrado o maior número semanal de pedidos encaminhados pela EFF pouco antes dos protestos No Kings, realizados em março.


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