POR ADELE PETERS

O mundo ainda está muito longe da conectividade universal: mais de 3 bilhões de pessoas não têm acesso à Internet. Em áreas remotas e, especialmente, em terrenos acidentados, um desafio é o custo da infraestrutura para implementar uma rede de cabos de fibra óptica. Mas a X, a fábrica que cuida do assunto para a Alphabet, está testando uma nova abordagem: feixes de luz invisíveis para enviar dados sem cabos por longas distâncias.

O Projeto Taara está em testes na Índia e na África. A abordagem básica é semelhante às redes de fibra, que também usam luz para transportar dados, mas o Taara funciona no ar em vez de fios. Pequenas caixas elétricas enviam luz infravermelha em um feixe que tem, aproximadamente, o diâmetro de um palito. A luz percorre uma distância de até 19 quilômetros (12 milhas), criando uma nova zona de conectividade sem fio na área.

O feixe não funcionará se for interrompido, razão pela qual os terminais devem ser colocados bem acima do solo, numa altura maior do que pessoas, edificações ou árvores.  E se um pássaro voar na frente do feixe? O sistema já é esperto o suficiente para detectar a interrupção e reenviar os dados. A X diz que o feixe de luz é seguro para a pele e para os olhos, não prejudicando vidas humanas ou selvagens.

Mas o sistema tem desafios adicionais. Poluição atmosférica, poeira, chuva e outras condições meteorológicas podem afetar o sinal de transmissão. A equipe da X, que começou a desenvolver a tecnologia em 2013, testando-a inicialmente em balões, trabalha para criar uma conexão mais resistente. O próximo passo é contar com a ajuda de governos e instituições. Algumas das aplicações possíveis da rede de luz podem ser a telemedicina, a agricultura e a educação em áreas remotas.

Adele Peters é redatora da Fast Company e se concentra na cobertura de soluções para alguns dos maiores problemas do mundo, desde mudanças climáticas até a falta de moradia. Ela contribuiu para o best-seller “Mudando o mundo: um guia para o século 21”.