Facebook ameaça retirar todo o conteúdo jornalístico da plataforma

Se aprovada, a Lei de Concorrência e Preservação do Jornalismo poderia forçar as redes sociais a pagar uma remuneração justa a veículos de comunicação

Crédito: Istock

Chris Morris 4 minutos de leitura

Para muitas pessoas, o Facebook é a principal fonte de informação. Mas em um comunicado recente, a Meta ameaçou retirar todos os conteúdos jornalísticos de sua principal plataforma de mídia social, o que deixou muitos de seus usuários confusos.

Esse comunicado foi em resposta a um projeto de lei em tramitação no Congresso norte-americano, que a Meta e Mark Zuckerberg acreditam que desconsidera o valor que a plataforma oferece aos meios de comunicação.

Andy Stone, diretor de comunicação de políticas da Meta, emitiu o aviso em nome da empresa, dizendo que se o Congresso aprovar um “projeto de lei imprudente sobre jornalismo como parte da legislação de segurança nacional, seremos forçados a considerar a remoção total de notícias de nossa plataforma”.

“A Lei de Concorrência e Preservação do Jornalismo não reconhece o fato principal: editores e emissoras colocam o seu conteúdo na nossa plataforma porque beneficiam seus resultados – e não o contrário. Nenhuma empresa deve ser forçada a pagar por conteúdo que os usuários não querem ver e isso não é uma fonte significativa de receita”, afirmou o executivo.

Obviamente, meios de comunicação como este, que estão escrevendo sobre este projeto de lei e a resposta da Meta, podem ter alguns vieses inerentes. Mas um estudo do Pew Research Center publicado em setembro parece contrariar o argumento de Stone de que os usuários não querem ver esse tipo de conteúdo.

O estudo mostra que pouco menos da metade (cerca de 48%) dos adultos nos EUA afirmaram ler notícias em redes sociais “frequentemente” ou “às vezes”. Ao serem perguntados “onde costumam ler notícias”, o Facebook superou todas as outras redes sociais.

O CENTRO DO CONFLITO

Existem dois projetos de lei que impulsionaram essa ação da Meta, ambos chamados de Lei de Concorrência e Preservação do Jornalismo (JCPA). A empresa rejeita uma cláusula importante, que forçaria o Facebook (e todas as outras plataformas de mídia social) a compensar editores e emissoras.

Amy Klobuchar, senadora sênior dos EUA por Minnesota, apresentou a versão mais recente do projeto de lei com apoio bipartidário este ano. Isso permitiria que os editores negociassem com as redes sociais como seu conteúdo é distribuído e daria a eles o direito de exigir que essas plataformas pagassem pela veiculação.

com o domínio das Big Techs, como Google e Facebook, muitos meios de comunicação pequenos e locais estão fechando

Meios de comunicação com mais de 1,5 mil funcionários, como o “New York Times” e o “Washington Post”, não seriam elegíveis para receber a compensação. De acordo com o senador do estado de Illinois Dick Durbin, presidente do Comitê Judiciário do Senado e copatrocinador do JCPA, o projeto de lei visa beneficiar as organizações de notícias locais.

“As notícias locais são essenciais para manter nossas comunidades informadas, principalmente em tempos de crise. Mas com o domínio das plataformas de Big Tech, como o Google e o Facebook, muitos meios de comunicação pequenos e locais estão fechando”, explica Durbin.

Segundo o senador, o projeto de lei bipartidário ajudará a preservar o jornalismo local de alta qualidade “ao permitir que as organizações de notícias negociem de boa-fé uma compensação justa das gigantes da tecnologia que lucram com o seu conteúdo”.

A RELAÇÃO ENTRE MÍDIAS SOCIAIS E NOTÍCIAS

As redes sociais mudaram a forma como as notícias são distribuídas e veiculadas no mundo moderno – e as empresas de tecnologia eram, não muito tempo atrás, apoiadoras e aliadas dos meios de comunicação.

A Meta anunciou que vai encerrar o Instant Articles gradualmente até abril de 2023.

Em 2015, o Facebook lançou um recurso chamado Instant Articles, que exibe notícias de diversos veículos externos na plataforma, dando-lhes 100% da receita de anúncios. No entanto, recentemente, a Meta informou que o encerrará gradualmente, anunciando o fim do recurso para abril de 2023.

Isso estimulou os meios de comunicação a pressionar legisladores para forçar as redes sociais a pagar por seu conteúdo. Esse esforço teve sucesso na Austrália, onde o Facebook (e outros) foi forçado a compensar os veículos. O Facebook bloqueou brevemente o acesso às notícias lá, mas acabou mudando de ideia depois que o projeto de lei foi alterado.

O projeto de lei dos EUA não é o único no radar da Meta. Tanto o Canadá quanto a Nova Zelândia estão considerando legislações semelhantes, o que poderia obrigar a gigante da mídia social a pagar ainda mais a veículos de notícias – ou retirar seus conteúdos por completo.


SOBRE O AUTOR

Chris Morris é um jornalista com mais de 30 anos de experiência. Saiba mais em chrismorrisjournalist.com. saiba mais