Definitivamente, 2022 não foi bom para as criptomoedas

Que diferença um ano pode fazer: quase um ano após o Crypto Bowl, criptomoedas perderam mais de US$ 1 trilhão em valor

Crédito: Istock

Chris Morris 3 minutos de leitura

Sem dúvida foi um ano difícil para entusiastas de criptomoedas. O valor de mercado geral caiu de US$ 2,2 trilhões no início do ano para US$ 867 bilhões em meados de dezembro, uma queda de 60%. Mas tudo parecia bem em janeiro de 2022.

Embora seja difícil de acreditar, foi há cerca de um ano que assistimos ao “Crypto Bowl”, como foi apelidada a final do campeonato de futebol americano da NFL, já que os anúncios durante o intervalo – cujos segundos são os mais caros do mundo – foram dominados pelas criptomoedas, com exchanges desembolsando até US$ 7 milhões por 30 segundos de tempo no ar para atrair novos clientes. E não faltavam razões para todo esse otimismo.

Comercial da Crypto.com no intervalo do Superbowl 2022 (Crédito: Crypto.com)

O Bitcoin e o Ether, do Ethereum, atingiram recordes históricos em 2021. Até mesmo criptomoedas-meme, como Dogecoin e Shiba Inu, estavam indo bem, em parte graças ao impulso de entusiastas como Elon Musk e Mark Cuban. Em março, porém, mesmo os mais aficionados começaram a ficar com o pé atrás.

Hackers roubaram US$ 625 milhões em criptomoedas da rede Ronin. Também houve ataques à FTX e à Binance. Esses incidentes comprovaram que os projetos de blockchain não eram totalmente seguros.

A invasão da Ucrânia, entretanto, foi uma estranha fonte de conforto para a comunidade, já que a criptomoeda provou ser uma maneira bastante eficaz de oferecer apoio financeiro à nação. Em apenas um mês, apoiadores da Ucrânia conseguiram arrecadar quase US$ 64 milhões por meio de doações em criptomoedas.

No entanto, essa confiança na criptografia não durou muito. Em abril, a stablecoin Terra caiu abaixo de US$ 1, chegando a US$ 0,35. Isso impactou a criptomoeda Luna, que perdeu 96% de seu valor em um dia. Foi o início do “inverno cripto”. Até hoje, não há sinal de que ele esteja próximo do fim.

EFEITO CASCATA

Nos EUA, os reguladores estão exigindo controles mais rígidos sobre as criptomoedas, ao mesmo tempo em que demonstram uma falta real de compreensão sobre tokens digitais. 

Em outubro, a União Europeia aprovou o projeto de lei Markets in Crypto Assets Regulation (MiCAR), que tentará regular o mercado de ativos digitais a partir de 2024.

Já a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos começou a perseguir celebridades que endossavam tokens, sendo Kim Kardashian um dos alvos de maior destaque. A influenciadora foi condenada a pagar US$ 1,26 milhão por divulgar em suas redes uma criptomoeda sem revelar que estava sendo paga por isso.

No mês seguinte, a FTX, uma das maiores exchanges de criptomoedas, sofreu uma crise de liquidez e entrou com pedido de falência, com seu fundador, Sam Bankman-Fried, renunciando ao cargo de CEO. O novo diretor executivo, John Ray III, que supervisionou a liquidação da Enron, ficou horrorizado com o estado da empresa quando assumiu.

Crédito: Jeenah Moon/ Bloomberg/ Getty Images

“Tenho mais de 40 anos de experiência jurídica e em reestruturação. Fui o diretor de reestruturação ou diretor executivo em vários dos maiores fracassos corporativos da história... Nunca em minha carreira vi uma falha tão completa de controles corporativos e uma ausência tão completa de informações financeiras confiáveis como aqui”, disse ele no pedido de falência. 

O efeito cascata do colapso da FTX e as alegações de apropriação indevida de fundos abalaram o já volátil setor – e os preços continuaram caindo. No total, as criptomoedas perderam US$ 1,3 trilhão em valor.

Até o Bitcoin sofreu uma grande queda – fechando em US$ 16.717,17, no dia 27 de dezembro – comparada à alta histórica de US$ 68.990,90, em 8 de novembro de 2021, e ao preço no mesmo período do ano anterior, US$ 50.640,42.

Já o Ethereum caiu para US$ 1.212,79, bem abaixo da alta de US$ 4.865,57 e muito longe do mesmo dia em 2021, quando valia US$ 4.037,55.

Não há como não dizer que foi um ano ruim para investidores ou entusiastas de criptomoedas. Mas, talvez, observar como elas se recuperaram de grandes quedas no passado possa ser uma solução.

Isso não torna as perdas menos dolorosas, mas pode dar um pouco de esperança para o futuro.


SOBRE O AUTOR

Chris Morris é um jornalista com mais de 30 anos de experiência. Saiba mais em chrismorrisjournalist.com. saiba mais