POR AINSLEY HARRIS

Diga adeus aos caixas de banco e vendedores de seguros. A tecnologia já está começando a extinguir estes empregos do setor financeiros. De acordo com o novo relatório da empresa de pesquisas Autonomous, nos próximos 15 anos a Inteligência Artificial acabará com mais postos de trabalho. 

Duas tendências convergentes permitiram que a IA efetivamente imite ou substitua o trabalho humano. De um lado, o hardware especializado possui um poder maior de processamento, possibilitando que os sistemas de IA gerem respostas em tempo real. Ao passo que a quantidade de dados disponíveis para alimentar esses sistemas cresceu vertiginosamente, através de históricos de pesquisa, fotos online, entre outros. Combinando esses dois recursos, os engenheiros de software conseguem as ferramentas para criar assistentes virtuais, como Alexa, e serviços de arquivamento automatizado, como o Google Fotos.

Até o momento, a IA é mais adequada para tarefas repetitivas. Mas, com o tempo, segundo especialistas, ela será capaz de assumir atribuições mais complexas. Ela já é melhor em reconhecimento de imagens do que seres humanos. Em uma competição em 2015, por exemplo, uma equipe de pesquisadores da ResNet alcançou uma taxa de erro de apenas 3,57%.

“Estamos prestes a atingir uma competência de software capaz de realizar tarefas para o setor de serviços”, afirma Lex Sokolin, diretor global de estratégia fintech da Autonomous. “A principal tarefa que a Inteligência Artificial ainda não consegue executar é operar em contextos diferentes, isto é, um robô de xadrez não consegue dirigir um carro e um chatbot não consegue enxergar.”

No setor de serviços financeiros, o impacto da IA é particularmente ruim para certas categorias de funcionários. Sokolin prevê que, até 2030, a implementação da IA poderá economizar US$ 1 trilhão para estas empresas através de ganhos em produtividade, porém com uma redução significativa do número de funcionários.

Os setores bancários e de crédito podem sofrer um impacto ainda maior, ele diz, com 1,2 milhão de empregos ameaçados e uma economia potencial de US$ 450 bilhões. Já o setor de seguros será impactado por 865 mil empregos extintos e uma economia projetada de US$ 400 bilhões. Por fim, no setor de gestão de investimentos, 460 mil empregos desaparecerão, uma economia equivalente a até US$ 200 bilhões.

Essas transformações não acontecerão da noite para o dia. Segundo Sokolin, a IA contará com mudanças graduais ao longo dos próximos sete anos e, entre 2025 e 2030, o diretor prevê um crescimento acelerado.

“Várias tendências em IA estão surgindo rapidamente, como na evolução em hardware, no desenvolvimento de softwares de código aberto, em trabalhos acadêmicos e no financiamento de risco. Mas em outras áreas provavelmente encontraremos barreiras”, diz. “Acreditamos que levará um tempo até que a IA seja aceita culturalmente como ‘normal’, e é por isso que veremos uma grande mudança no final da próxima década.”

SOBRE O AUTOR

Ainsley Harris é redatora sênior da Fast Company e faz parte da equipe desde 2014. Siga @ainsleyoc no Twitter.