POR FÁBIO CARDO

Já ouviu falar em engenharia reversa, onde é possível voltar, passo a passo, em processos e produtos até chegar ao início e poder entender como algo foi feito, construído? Este é um bom exercício para todos os seres humanos sempre que comerem ou desperdiçarem algum alimento. 

Por trás do alimento que chega a sua mesa, existe uma cadeia global com um bilhão de pessoas que trabalham para que o alimento seja estudado, plantado, criado, colhido, trabalhado e transportado até você. O sistema de produção de alimentos é o maior empregador entre todas as economias mundiais. 

A alimentação é de vital importância em termos de sobrevivência neste planeta e para a estabilidade social. Sem alimento em quantidade e qualidade, distribuído universalmente, não há condições de garantir estabilidade social. Fome e desnutrição são fatores muito sensíveis para qualquer ser humano.

A ONU, por meio da FAO — Food and Agriculture Organization, a entidade que cuida do tema alimentação em todo o mundo, aponta que cerca de três bilhões de pessoas sofrem com dietas pobres, enquanto obesidade e sobrepeso crescem em todo o mundo. Esse número equivale a quase 40% da população mundial.

O tema central neste ano para o Dia Mundial da Alimentação promove a aceleração da transformação na direção de sistemas de alimentação mais eficientes, inclusivos, resilientes e sustentáveis, de modo a obter Melhor Produção, Melhor Nutrição, Melhor Meio Ambiente e Melhor Qualidade de Vida, inserindo toda a população do planeta. Estas quatro aspirações estratégicas foram definidas recentemente em evento reunindo mais de cem delegações internacionais. Um desafio e tanto. 

FAO Estratégia

(Crédito: FAO)

“Neste ano, nos encontramos no Dia Mundial da Alimentação em um momento crítico. A pandemia de Covid-19 permanece sendo um desafio global, causando muitas perdas e dificuldades. Os impactos da crise climática estão nos cercando. Incontáveis vidas foram lançadas em turbulências”, declara Qu Dongyu, diretor-geral da FAO. A entidade destaca que o mundo produz alimentos suficientes para alimentar a todos no mundo. Relembra também que 14% dos alimentos são perdidos e outros 17% são desperdiçados, resultado de problemas como manuseio, logística e processos de conservação, entre outros.

A FAO estima que sejam necessários de 40 a 50 bilhões de dólares em investimentos anuais em intervenções direcionadas para acabar com a fome até 2030, dentro do compromisso mundial estabelecido nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável — ODS. Existem muitos projetos de baixo custo e alto impacto que podem ajudar centenas de milhões de pessoas a atender melhor às suas necessidades alimentares. 

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ODS ONU FAO

(Crédito: Distrito)

A organização ressalta, ainda, que o mundo precisa muito da atuação dos jovens com foco criativo e resiliência para conseguir efetivar as soluções necessárias para manter a transformação do sistema agroalimentar no mundo. A entidade também aplica quatro atalhos como “aceleradores” transversais: tecnologia, inovação, dados e complementos (governança, capital humano e instituições), em todas as suas intervenções programáticas para acelerar o progresso e maximizar os esforços para cumprir os ODS e realizar suas aspirações.

INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS ACELERAM O ATINGIMENTO DAS MARCAS

Historicamente, produção maior de alimentos significava usar mais terras, sementes, insumos, pastagens e estrutura logística e de armazenamento. As inovações tecnológicas aplicadas em todas essas áreas estão invertendo essa lógica. Os ganhos de produtividade são notáveis e o potencial de crescimento da oferta de alimentos no mundo é fato usando a mesma quantidade de solo, menos insumos e consumo de recursos naturais.

Segundo a pesquisa Distrito Mining Report AgTech 2021, o Brasil passou de doze empresas startups no setor em 2000 para 293 empresas em 2021. Grande parte da inovação agrícola no país é feita mediante o investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação realizados pelas próprias corporações do agronegócio. No entanto, há cada vez mais abertura para inovação aberta no setor, com tendência de aumento no investimento e, a médio prazo, no número e na variedade de soluções empreendedoras disponíveis.

(Crédito: Distrito)

De olho nesta tendência, muitas grandes indústrias do setor alimentício abriram suas portas para acolher as iniciativas empreendedoras, ao mesmo tempo em que oxigenam suas capacidades de criação e oferta de alimentos ao mercado B2C. Este é o caso da Nestlé, que mantém a iniciativa Panela Nestlé, da Tetra Pak, com o Centro de Inovação aos Clientes, Ambev, entre tantas. 

As empresas investem na avaliação e na promoção da inovação de terceiros, acelerando a chegada de novos produtos ao mercado que se propõem a entregar melhor qualidade nutricional. Incluem-se nesta categoria, por exemplo, os produtos high protein, à base de plantas, novas formulações de sucos, alimentos congelados processados.

Em complemento, a maior concentração de empresas startups que rapidamente inovam, captam investimentos no mercado e ativam o ecossistema de alimentação está no segmento B2B. Agricultura de precisão, automação, robotização e biotecnologia são as áreas que mais crescem e são de fundamental relevância no aumento de produtividade, redução de uso de defensivos agrícolas e insumos na produção, gerando menor impacto ambiental e mais qualidade nos alimentos.

NO DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO, A VISÃO DAS EMPRESAS SOBRE O FUTURO DA COMIDA

E onde estão os grandes gargalos, por que os alimentos não chegam a todos, atendendo os 40% da população mundial carente de nutrição? Como atender os mais de 20 milhões de brasileiros que declararam passar 24 horas sem ter o que comer, no país líder global em produção de alimentos? Qual o impacto da sustentabilidade no futuro da alimentação? Quais são as prioridades para que atinjamos a meta de fome zero em 2030? Qual o futuro da comida? 

Nós lançamos algumas questões a diversos profissionais que atuam no ecossistema agroalimentar no Brasil, do campo à mesa, buscando respostas para as questões acima. Temos que alinhar o entendimento empresarial e consolidar as ações previstas para atingirmos a meta de fome zero no planeta.

Clique no nome de cada empresa e seu porta-voz para conhecer as visões.

Qual é o futuro da comida no mundo?
Estamos passando por uma fase de grandes transformações. O modelo adotado nos últimos 20/30 anos começa a pôr em prática as inovações e tecnologias que surgiram na última década. Vejo que em 20 anos tudo será diferente. A relação com uso do solo, da terra, da água e das florestas passam por uma disrupção em razão das mudanças climáticas e da consequente pressão da sociedade compostas pelas novas gerações e suas novas visões de mundo.

Agricultura de baixo carbono em modelo de SAFs (sistemas agroflorestais), agricultura regenerativa, ILPF (integração lavoura, pecuária e floresta), agricultura orgânica e alimentos disruptivos advindo de ciência e inovação serão novo normal, pelo menos nos países desenvolvidos.

O mundo atingirá a meta da ONU de fome zero em 2030? 

Não acredito, infelizmente. Não falta alimento no mundo, falta renda bem distribuída. A pandemia do COVID aumentou ainda mais o desequilíbrio social no mundo. Os ricos ficaram mais ricos, os pobres muito mais pobres, e as mudanças climáticas também contribuem para o agravamento desse quadro. Na verdade, analisando a inação das sociedades mais desenvolvidas, temo que esse quadro seja ainda pior do que agora enxergamos. Nossa omissão enquanto sociedade global é imperdoável.

O que você e sua empresa estão fazendo no sentido de melhorar a qualidade e quantidade de alimentos? 

Temos uma relação transformativa nas parcerias com pequenos e médios produtores, acoplando nos processos rastreabilidade por blockchain, incorporação de carbono com agregador de valor intrínseco, agricultura regenerativa, remuneração justa e assistência (diria até que seria “insistência”) técnica moderna e permanente. Investimento que não traz impacto positivo na atividade primária, não quebra a barreira da pobreza no campo. Onde há miséria não haverá consciência para uma revolução agroecológica. Só assim reduzimos o desperdício e promovemos os aumentos da eficiência. 

José Tomé, AgTech GarageNo AgTech Garage, nossa missão é alimentar os empreendedores que alimentam o mundo, e fazemos isso promovendo conexões entre diferentes agentes do ecossistema, levando conhecimento por meio de nossas iniciativas e criando oportunidades de co-criação de soluções em toda a cadeia.

O que fica cada vez mais claro no agronegócio é que o ecossistema de inovação busca, de forma incessante, a sustentabilidade. Um exemplo a gente vê no Programa Soja Sustentável do Cerrado, que fomenta a produção livre de desmatamento, em parceria do AgTech Garage com o Land Innovation Fund – fundo internacional criado com aporte inicial de US$ 2,2 milhões da Cargill sob gerenciamento da Chemonics International – e que já selecionou 10 startups para participar de um projeto em comum.

Outro exemplo que posso citar é o da chamada recente da Bayer para startups com soluções de uso eficiente da água, monitoramento do uso do solo e do desmatamento, capacitação tecnológica de pequenos agricultores, rastreabilidade, manejo de pragas e doenças e também soluções capazes de reduzir as emissões de gases de efeito estufa na agricultura.

Tudo isso demonstra um esforço no sentido de investir na sustentabilidade dos alimentos produzidos, e a nossa contribuição é a de orquestrar essas iniciativas, pensando no agro do presente e do futuro.

Qual é o futuro da comida no mundo?

O futuro da comida é ainda mais sustentável e fruto de uma cadeia produtiva mais inteligente, integrada, colaborativa e inovadora. Nosso mundo enfrenta enormes desafios, incluindo mudanças climáticas, recursos naturais limitados e uma população em crescimento, que deve alcançar a marca de quase 10 bilhões de pessoas até 2050, cerca de dois bilhões a mais do que temos hoje. Para garantir a segurança alimentar global, ao mesmo tempo em que lutamos pela conservação do meio ambiente, é preciso cocriar soluções que ajudem a produzir alimentos de forma mais eficiente e sustentável. Acreditamos no poder da agricultura como elemento importante da solução desses desafios e para a construção de sistemas alimentares mais resilientes, e já temos trabalhado diariamente para desenvolver e aprimorar ferramentas que permitem produzir mais no mesmo espaço, além de tecnologias que garantem a proteção de cultivos, o melhoramento genético e a produção de alimentos mais nutritivos e resistentes.

O mundo atingirá a meta da ONU de fome zero em 2030?

O caminho para erradicar a fome globalmente depende de muitos agentes. Não temos todas as respostas, mas certamente não é possível ser autossuficiente na hora de buscar formas de superar esses desafios e, para alcançarmos esse objetivo, acreditamos na ciência, na colaboração e na criatividade para endereçar as grandes metas globais.  Há uma mobilização de grandes empresas e de novos players do mercado em torno do desenvolvimento de soluções inovadoras para assegurar a segurança alimentar no mundo todo, com foco no atingimento da meta até 2030. Há muito a ser feito e para alcançar esse objetivo, todos devem contribuir. A Bayer, por exemplo, trabalha em torno de três pilares: inovação, sustentabilidade e transformação digital. Um de nossos compromissos é capacitar 100 milhões de pequenos agricultores em países em desenvolvimento fornecendo soluções para apoiá-los por meio de parcerias que expandam o conhecimento agrícola e ajudem a solucionar os problemas no campo, produzindo de forma mais eficiente e sustentável. Os objetivos da companhia como um todo estão alinhados com os ODS e temos investido em parcerias para concretizar nossa visão, de Saúde para Todos, Fome para Ninguém.

O que você e sua empresa estão fazendo no sentido de melhorar a qualidade e quantidade de alimentos? 

Na Bayer, acreditamos que a inovação é essencial para enfrentar o grande desafio de produzir mais por hectare, com o uso otimizado de recursos. Por isso, somos a empresa do segmento que mais investe em pesquisa e desenvolvimento: são cerca de 2 bilhões de euros investidos anualmente no melhoramento genético de alimentos mais nutritivos e resistentes, no desenvolvimento de soluções como produtos de proteção de cultivos, sementes e biotecnologias, além de ferramentas e serviços para a agricultura digital. Todas essas inovações são fundamentais para levar mais produtividade aos agricultores e alimentos com qualidade aos consumidores, contribuindo para a preservação de recursos naturais e o meio ambiente.

Além disso, temos fomentado e atuado por meio do modelo de inovação aberta com startups, hubs de inovação, outras empresas, agentes públicos e acadêmicos para firmar parcerias em busca de soluções para desafios e problemas do agronegócio, além de promover a troca de conhecimento por meio do nosso LifeHub em São Paulo. Uma iniciativa do tipo que lançamos recentemente foi o Desafio Food Loss, que identificou startups com soluções para combater a perda de alimentos ao longo da cadeia produtiva, no ciclo que vai do campo ao armazenamento. Esse é um exemplo do esforço da Bayer de cocriação com o objetivo de melhorar o processo de produção de alimentos no campo e apoiar a segurança alimentar para todos os brasileiros. 

Barbara Azevedo_Instituto BRF

Bárbara Azevedo – Instituto BRF

Qual é o futuro da comida no mundo?

Segundo relatório da ONU, de 2019, a população mundial deve chegar a 9,7 bilhões de pessoas em 2050. Aqui na BRF, entendemos que como consequência, junto com esse aumento, também haverá maior consumo de proteínas. Por isso, estamos em constante busca por diferentes agentes para nos ajudar nesse processo. Nosso principal objetivo é ampliar a oferta global de proteínas e, por isso, somente em 2020 investimos cerca de R$ 196 milhões em Inovação, que inclui pesquisa e desenvolvimento tecnológico para a transformação da cadeia produtiva de forma sustentável.  

Nosso time se dedica a estudar novos interesses, preferências e hábitos, ajudando-nos a desenvolver novos produtos.  Desde o ano passado, por exemplo, passamos a contar com uma linha plant-based, ou seja, à base de plantas – a Veg&Tal – e neste ano, o portfólio teve lançamentos como hambúrgueres, almôndegas, frango em cubos, carne moída, entre outros produtos. 

A carne cultivada a partir de células é apenas um dos exemplos do que teremos disponível em um futuro próximo. Em março deste ano, a BRF se uniu à startup israelense Aleph Farms para ser a primeira empresa no Brasil a produzir e vender carne cultivada. Em julho, anunciamos o aporte de U$S 2,5 milhões para a implementação em larga escala do produto. Com esse movimento, nossa intenção é fortalecer a jornada de inovação da BRF e oferece alternativas de escolha aos consumidores, buscando eficiência e o menor impacto na cadeia produtiva. Somos uma empresa de alimentos que investe em tecnologia, respeitando as novas tendências à sustentabilidade social e ambiental. Com a produção de carnes cultivadas sustentáveis de alta qualidade, firmamos ainda mais nosso papel de agentes transformadores da indústria alimentícia, oferecendo as últimas novidades na produção de proteína celular e substitutos da proteína animal. Nossa entrada neste segmento também impulsiona as pesquisas científicas no Brasil sobre o tema, o que é extremamente importante para a comunidade acadêmica, pois somos o quarto país em estudos sobre carne cultivada no mundo. 

Em outra frente de atuação, o Instituto BRF (IBRF), associação que direciona de forma estratégica os investimentos sociais da empresa, apoia e promove ações que visam garantir o futuro econômico, social, político e ambiental das próximas gerações. É assim que o trabalho se torna ainda mais relevante e coerente com as questões que estão atingindo a humanidade, sendo capaz também de gerar impactos em grande escala.  

O mundo atingirá a meta da ONU de fome zero em 2030? 

 A meta da ONU é um grande desafio e a atuação conjunta de governos e iniciativa privada pode ter um impacto positivo. Na BRF, temos uma Política de Sustentabilidade bem estruturada que reforça nosso comprometimento com a incorporação de aspectos ESG (do inglês Ambiental, Social e de Governança) na visão de futuro da Companhia. Sabemos que sempre é possível fazer mais para proporcionar uma vida melhor para as pessoas e para o planeta, em linha com o nosso Propósito. 

Em uma de nossas frentes de atuação conectada com a agenda 2030 dos ODS é promover, por meio da educação e inovação, medidas de redução do desperdício de alimentos, conscientizando 1,5 milhão de pessoas globalmente até 2030. Essas ações são lideradas pelo Instituto BRF, que desenvolve e apoia iniciativas de combate à fome.  

Fundado em 2012, seu objetivo é promover comunidades sustentáveis, fomentando inclusão socioeconômica, inovação social e cidadania corporativa, a partir da alimentação e da redução do desperdício de alimentos. Desde a sua criação, por meio das ações de voluntariado e projetos de investimento direto, o Instituto BRF já impactou mais de 400 mil pessoas, mobilizou 30.000 voluntários e realizou mais de 2 mil ações sociais em 60 cidades ao redor do país. 

Um projeto recente do IBRF é o apoio à plataforma Comida Invisível, que conecta pessoas e empresas que têm alimentos para doar, com organizações que recebem esses alimentos, ampliando o impacto positivo em prol da redução do desperdício. A parceria se estende ainda ao lançamento da plataforma Comida Invisível Educa, a parte educacional do projeto. Sintonizando estratégia e propósito, o Instituto BRF desenvolverá os primeiros treinamentos de Boas Práticas de Alimentação voltados para as ONGs e os restaurantes que realizam doações por meio da plataforma. Esse ambiente fica disponível a 100% das organizações que acessam o ambiente virtual do Comida Invisível e conta com uma série de cursos, receitas, informações e dicas de redução de desperdício. 

Outro projeto é o Ecco Comunidades, uma parceria do IBRF com as organizações Prosas e Quintessa, que foi lançado com o objetivo de apoiar soluções que atuam na redução de perdas e desperdícios de alimentos, além de promover o desenvolvimento territorial a partir da implementação de novas ações em alguns municípios onde a empresa está presente, como Dourados (MS), Lucas do Rio Verde (MT), Nova Mutum (MT), Rio Verde (GO) e Uberlândia (MG).  A iniciativa foi dividida em duas fases: aceleração e investimento de até R$ 90mil em startups com soluções para atuar nos desafios de Perdas e Desperdícios de Alimentos e fortalecimento de OSCs locais (organizações da sociedade civil) para que possam acompanhar e apoiar o desenvolvimento dos projetos, trazendo legitimidade e articulação local. 

Também neste ano, o IBRF e a Garagem BRF, área responsável por incentivar o intraempreendedorismo na Companhia, fecharam uma parceria com a Eats for You, uma ESG foodtech que conecta pessoas que gostam de cozinhar a quem busca comida caseira. A Companhia já doou em 2021, R$100 mil e, ao longo de seis meses, fornecerá 9,5 toneladas de proteína para contribuir com o projeto #100MilSemFome. A iniciativa, criada pela Eats, tem como objetivo distribuir, em São Paulo, 100 mil refeições para pessoas em situação de extrema vulnerabilidade. O valor da doação viabilizou a produção de 10 mil refeições. Além disso, 15 tios e tias – como são chamados os donos e donas de casa participantes do projeto – já receberam 3 toneladas de alimentos para o preparo de refeições que foram entregues a pessoas em situação de rua. Com essa iniciativa, a Eats For You também gera renda formal para os cozinheiros inscritos na plataforma, por meio da inclusão produtiva e do fomento ao empreendedorismo. 

Aliada à Gastromotiva, o IBRF contribui para viabilizar o projeto Cozinhas Solidárias. Além de incentivar o uso do alimento como ferramenta de transformação social e proporcionar refeições para quem tem fome, a iniciativa reforça a importância do combate ao desperdício de comida e oferece formação profissional, educação alimentar e nutricional, além de promover o empreendedorismo e a geração de renda. O IBRF apoia doze cozinhas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Salvador, além de contribuir com a doação mensal de 5 toneladas de proteínas que abastecem 36 Cozinhas nas quatro cidades. A expectativa é doar mais de 150 mil refeições até o final de 2021.  

Na frente de fomento à pesquisa, o Instituto BRF tem ainda parceria com o Núcleo de Pesquisa em Filantropia, da Fundação José Egydio Setúbal (FJLES), para fomentar à pesquisa científica em torno das causas do desperdício, com soluções no tema dentro do âmbito do investimento social. O objetivo é sistematizar, analisar e relacionar as principais causas do desperdício de alimentos no Brasil. A pesquisa parte de uma perspectiva que considera os diferentes agentes envolvidos na cadeia produtiva de alimentos. Dessa forma, é possível contribuir para o esclarecimento e aprimoramento de ações de inovação social, tendo em vista a superação dos desafios da fome e da vulnerabilidade social no Brasil e no mundo. 

Por fim, o IBRF também tem parceria com o Programa Mesa Brasil, do Sesc, que recebe alimentos e repassa para instituições sociais de diversas regiões do País, além de fazer um trabalho de educação com Organizações Sociais acerca do tema desperdício e uso integral de alimentos. 

No início de outubro, a empresa lançou internamente o Ecco Game, um jogo que tem o objetivo de conscientizar seus colaboradores sobre formas de reduzir o desperdício de alimentos. Desenvolvido pela Garagem BRF e pelo Instituto BRF, associação que direciona de forma estratégica os investimentos sociais da BRF, o app para celular pode ser baixado pela Google Play Store ou Apple App Store. Depois do lançamento interno, a previsão é de que, até novembro, o jogo esteja disponível para todos os usuários das plataformas mobile. O aplicativo conta com diversos mini games que promovem ensinamentos e boas práticas para reduzir o desperdício de alimentos no dia a dia, tanto na empresa quanto em casa. Há jogos com temas que incluem o consumo de frutas e legumes imperfeitos; planejamento das refeições e compras; uso integral dos alimentos; higiene na hora do preparo e armazenamento correto.   

O que você e sua empresa estão fazendo no sentido de melhorar a qualidade e quantidade de alimentos? 

Temos a inovação em nosso DNA e estamos, cada vez mais, nos consolidando como uma empresa global de alimentos de alto valor agregado que procura atender as demandas dos consumidores com produtos práticos, convenientes e saborosos. Por isso, qualidade, segurança e integridade devem estar em tudo o que fazemos: dos produtos e serviços aos processos, comportamentos e atividades diárias. Nesse sentido, a Companhia tem certificações dos principais órgãos mundiais de alimentação segura, como GFSI (Global Food Safety Initiative), e conta com um programa de capacitação e aprimoramento de sua rede de fornecedores e parceiros para operar com cada vez mais segurança e qualidade dentro dos padrões existentes.  

Em linha com a Visão 2030, plano estratégico de crescimento da Companhia, a BRF realiza diversos investimentos em modernização e ampliação de suas unidades produtivas, sempre visando a qualidade de processos, de produtos e a eficiência operacional. Neste ano, a Companhia fez aportes que mostram que estamos no caminho certo: no Paraná, foram investidos R$ 293 milhões; em Minas Gerais, R$ 319 milhões; em Goiás, R$ 233 milhões; Santa Catarina, R$ 643 milhões; Mato Grosso do Sul, R$ 121 milhões; Espírito Santo, R$ 70 milhões; em Mato Grosso, o montante foi de R$ 670 milhões, e em Paranaguá, no litoral do Paraná, serão R$ 18,8 milhões na modernização de sua unidade de margarinas e, em Seropédica (RJ), o investimento é de R$300 milhões.

Como você vê o futuro da comida no mundo?

Estando no mercado de carne, temos que considerar que o número de gado no Brasil é superior ao número de pessoas. São 218 milhões contra 209 milhões. Somos um dos países mais afetados em nosso meio ambiente pela agropecuária, uma grande gastadora de recursos naturais. A agricultura animal continua se expandindo e ignorando o aquecimento global, o desmatamento na Amazônia e até mesmo a vida das pessoas.

O consumo de carne gera um impacto ao planeta. Cada vez mais as pessoas tomam consciência desses fatos e optam por mudanças na alimentação. Todo mundo pode fazer um pouco pelo planeta, sem precisar abrir mão de comer as coisas que gosta. É para essas pessoas, que querem ter uma vida mais equilibrada sem abrir mão do que amam comer, que a Fazenda Futuro foi criada.

Para cumprir metas importantes, a Fazenda Futuro coloca em prática uma série de compromissos, entre eles o de ofertar a alternativa de substituição à carne animal com melhor relação custo/benefício de impacto, além de utilizar apenas insumos sem organismos geneticamente modificados, fomentar práticas sustentáveis de agricultura, adotar práticas de eficiência energética e ampliar fontes de energia limpa e aproximar o consumidor do consumo consciente.

O mundo atingirá a meta da ONU de fome zero em 2030?

Essa é uma questão bastante delicada. Recentemente foi realizada a Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU para discutir como a meta de fome zero em 2030 será alcançada. É sabido que a pandemia não só agravou a escassez de alimentos, como contribuiu para o acesso aos alimentos ficarem ainda mais distantes, o que leva a um problema futuro. A produção de alimentos precisa aumentar em cerca de 70% em relação à produção de 2012 para atender à demanda em 2050, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

E não é difícil imaginar que a busca por mais alimento acarretará num custo ambiental. Ainda conforme a FAO, 33% dos solos da Terra estão degradados, uma proporção que pode chegar a 90% até 2050.

É por isso que nós, da Fazenda Futuro, não cansamos de reforçar que mudanças em relação ao consumo de carne animal são extremamente necessárias e urgentes. O maçante consumo de carne animal gera grandes impactos ao planeta e sua diminuição colabora para que a natureza tenha tempo de se recompor da devastação de anos e anos. Por isso, a marca já nasceu sustentável, por ser plant based, e ainda leva à sério seus compromissos com o meio ambiente.

O que você e sua empresa estão fazendo no sentido de melhorar a qualidade e quantidade de alimentos?

Acreditamos que mudanças em relação ao consumo de carne animal são extremamente necessárias e urgentes, foi por isso que criamos a Fazenda Futuro. Todos os produtos da marca levam na composição proteína de ervilha, proteína isolada de soja ou de grão de bico, e beterraba para imitar a cor e o sangue da carne bovina/suína, e azeite de oliva, rabanete e óleo de microalgas, que garantem uma quantidade significativa de Ômega 3, no caso do atum vegetal, que lançamos recentemente. Todos sem glúten, sem transgênicos e sem corantes artificiais, ou seja, são produtos 100% vegetais e de qualidade. 

É importante lembrar que há alguns meses aperfeiçoamos nosso portfólio com a inclusão do Futuro Burger 2030, matriz que leva esse nome porque traz em si as mudanças que o mundo precisa e que estavam previstas para 2030, dentro da agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU*. Entre elas, estão o consumo e produção responsáveis e a preservação dos ecossistemas terrestres.

Atualmente o portfólio da Fazenda Futuro é composto de Futuro Burger 2030 e Futuro Burger Defumado 2030, Almôndega, Carne Moída, Linguiça do Futuro, Futuro Frango e Futuro Atum.

Como você vê o futuro da comida no mundo?
Devemos chegar a 10 bilhões de pessoas no mundo em 2050, número que eleva em 60% a necessidade de produção de alimentos. Pelo ponto de vista da indústria alimentícia, devemos aumentar a oferta para que possamos atender esse crescimento, porém diversos outros aspectos nos mostram que, com o que temos hoje, já poderíamos atender a nova e atual demanda.  

As novas tecnologias permitem que novas culturas alimentícias sejam exploradas para que possamos diversificar as opções no cardápio da população. Sofremos com uma desigualdade social que permite que muitos tenham apenas sobras e outros, nem isso. A questão socioeconômica nos mostra que o desafio está em como distribuir esses alimentos para beneficiar todas as pessoas que de alguma forma sofrem de insegurança alimentar. 

Uma nova forma de repensar o consumo consciente, utilizando com sabedoria todos os alimentos que já possuímos e produzimos será a única forma inteligente, imediata e assertiva de acompanhar o crescimento populacional sem causar maiores impactos ao nosso planeta. 

O mundo atingirá a meta da ONU de fome zero em 2030?

Erradicar a fome até 2030 significa garantir acesso de toda a humanidade a uma alimentação de qualidade, nutritiva e suficiente. Para que isso possa ocorrer, não serão somente as políticas sociais que trarão resultados. 

A reeducação da sociedade quanto ao consumo de alimentos está extremamente ligada à meta proposta pela ONU. Entende-se que o papel de cada cidadão é gerenciar seus hábitos alimentares de modo que suas decisões sejam pensadas no sentido de evitar o desperdício de todas as formas. 

O grande desafio hoje também está na distribuição e logística desses alimentos, que não chegam nas proporções adequadas a todos que necessitam. 

Somente com uma grande mobilização de líderes mundiais quanto à adoção de políticas contra o desperdício e sustentáveis, com a revisão da forma de educar a sociedade quanto ao consumo consciente e também com iniciativas não governamentais ou privadas que sejam valorizadas poderemos atingir esse objetivo na próxima década.

O que você e sua empresa estão fazendo no sentido de melhorar a qualidade e quantidade de alimentos?

A Food To Save nasceu com o propósito de combater o desperdício de alimentos no Brasil, através de um modelo ganha-ganha-ganha, no qual beneficiamos: os estabelecimentos que possuem excedentes de produção dando uma nova oportunidade ao que seria descartado; os consumidores que têm acesso a produtos de qualidade com descontos muito atrativos; e também ao meio ambiente, pois ao mesmo tempo que evitamos o descarte incorreto de alimentos, também reduzimos a emissão de gases efeito estufa.

Em apenas 5 meses de vida já evitamos que mais de 15 toneladas de alimentos fossem descartadas em São Paulo. Nosso grande desafio de evitar o desperdício caminha lado a lado com nossa proposta de reeducar a sociedade brasileira, promovendo um consumo mais consciente. Nosso objetivo é empoderar as pessoas a reverem seus hábitos alimentares e também a praticarem um desenvolvimento sustentável, no qual suas ações gerem grandes impactos nas gerações futuras.

Qual é o futuro da comida no mundo? 

Temos dois caminhos a seguir: (1) foco global com a alimentação das pessoas ou (2) grande importância para as commodities deixando de lado a alimentação. 

Sou otimista e acredito que no médio prazo haverá uma pressão cada vez maior para a produção de alimentos para alimentar a população. 

O mundo atingirá a meta da ONU de fome zero em 2030? 

Temos totais condições de conseguir atingir a fome zero até 2030, mas para isso teremos que mudar.  Apoiar a agricultura familiar tanto financeiramente como com assistência técnica e logística.

Em países como o Brasil a Reforma Agrária é fundamental para irmos no caminho da Fome Zero. 

O que você e sua empresa estão fazendo no sentido de melhorar a qualidade e quantidade de alimentos? 

Estamos levando recursos a taxas aceitáveis para cooperativas de alimentos, pequenos agricultores familiares e assentados da reforma agrária. 

Além dos recursos, quando necessário, apoiamos preceitos que apoiam os agricultores através de assistência técnica. 

Temos também um trabalho de conscientização da população para entenderem a importância da agricultura familiar no que diz respeito aos alimentos que comemos. 

Indigo - Reinaldo BonnecarrereComo você vê o futuro da comida no mundo?

As soluções baseadas em biotecnologia e agricultura de precisão serão cada vez mais comuns na rotina do agricultor. Isso resultará em diversos benefícios, como o aumento da produtividade no campo, maior produção de alimentos de forma sustentável e uma alimentação mais saudável para os consumidores.

O mundo atingirá a meta da ONU de fome zero em 2030?

A agricultura tem buscado cada vez mais inovações e tecnologias para conseguir uma maior produtividade de alimentos, que não envolvam o aumento de área plantada. Só no Brasil, por exemplo, há projeções de crescimento de 27% na produção de grãos como milho, soja, arroz e feijão até 2030. Estamos no caminho.

O que você e sua empresa estão fazendo no sentido de melhorar a qualidade e quantidade de alimentos?

Somos uma empresa de tecnologia. No Brasil, desenvolvemos produtos biológicos e soluções de crédito, promovendo uma agricultura mais sustentável.  Acreditamos que o caminho para uma produção sustentável passa por levar mais tecnologia ao campo. No processo de desenvolvimento dos biológicos, por exemplo, usamos a biotecnologia aliada à inteligência artificial e tecnologias digitais na seleção de microrganismos capazes de melhorar o desempenho das plantas diante da presença de pragas e doenças, secas e variações extremas de temperatura. 

Globalmente desenvolvemos uma solução para captura e metrificação de carbono, pois a qualidade do alimento está diretamente ligada a qualidade do solo e de manejo. A adoção destas tecnologias faz com que os agricultores consigam obter ganhos de produtividade e ao mesmo tempo produzam alimentos de melhor qualidade, de forma mais sustentável.

Morena Leite_Instituto Capim SantoComo você vê o futuro da comida no mundo? 

Vejo as pessoas passando a produzir verduras, hortaliças, temperos e frutas em pequenos espaços, para consumo próprio. Vejo também uma maior conscientização em relação ao impacto que a produção dos alimentos gera no planeta. As pessoas estarão mais preocupadas e atentas a isso, e não apenas ao sabor que um alimento tem.

O mundo atingirá a meta da ONU de fome zero em 2030? 

Acho bem difícil, infelizmente. 

O que você e sua empresa estão fazendo no sentido de melhorar a qualidade e quantidade de alimentos? 

Através do Instituto Capim Santo nós fazemos um trabalho de compartilhar com nossos alunos, colaboradores e clientes as nossas crenças, saberes e aprendizados sobre alimentação, comida, gastronomia e tudo o que isso envolve em nossas vidas, em nossa saúde e na saúde do planeta. Além de formarmos, através de nossos cursos, profissionais para atuarem na área de gastronomia”.   

 

Qual é o futuro da comida no mundo?

Se tem uma coisa que temos certeza sobre o futuro é que o ser humano vai continuar comendo. A alimentação não vai mudar substancialmente, porque a comida está muito atrelada aos nossos hábitos sociais e à nossa cultura. Não vamos nos alimentar de pílulas, de compostos ou grandes invenções mirabolantes, pois o ato de comer vai muito além do que ingerir nutrientes, mas há, sim, um espaço promissor para a já crescente busca por alimentos plant-based, tanto por sustentabilidade, quanto por necessidade. A comida de verdade, ou seja, o inverso de tanta coisa artificial que vemos hoje (vide ultraprocessados), ainda será nossa principal maneira de comer bem e viver melhor. 

Em termos de inovação, tecnologia e escala, o futuro reside em novas formas de produção e distribuição. O consumidor está cada dia mais em busca de conhecer a origem do que come, quem produz e o que está por trás daquele alimento e o impacto que essa cadeia produtiva tem na sociedade e no planeta. Será necessário construir um sistema com mais eficiência e transparência, mais justo e saudável em todos os aspectos. Atualmente, ainda vemos um modelo predominante de cadeias longas, caras e que gera muito desperdício e prejuízos ambientais. Mas, modelos de cadeias encurtadas, mais inteligentes e eficientes, como é o modelo direct-to-consumer da Liv Up, têm apresentado potencial de escala e de transformação desse sistema, que permitem já ter dimensão de como é esse modelo em que, independente do meio em que façam as compras (físico ou digital), sabem de onde veio o alimento e o impacto que gerado através disso. 

O mundo atingirá a meta da ONU de fome zero em 2030? 

Mesmo observando o crescimento do setor de foodtechs, com propostas como a da Liv Up para tornar o sistema alimentar cada vez mais inteligente e eficiente, ao analisar o cenário que temos hoje, acredito que seja bastante difícil atingir a meta da ONU em 2030, uma vez que somos carentes de apoio tanto privado quanto de políticas públicas mais estruturadas. 

Além disso, a pandemia piorou a situação de muitas pessoas em muitos países, uma vez que há necessidade da importação (custo elevado), além da alarmante questão das mudanças climáticas que tem tornado cada vez mais difícil conseguir produzir alimentos de uma forma segura e previsível,  devido às secas, chuvas exageradas e outras consequências da situação ambiental atual. 

O que você e sua empresa estão fazendo no sentido de melhorar a qualidade e quantidade de alimentos?

A Liv Up nasceu com o propósito de conectar as pessoas à comida boa de verdade, ou seja, aquela que é boa para quem come, para quem produz e para o planeta. Acreditamos que é assim que podemos transformar o mundo através da alimentação, e que a chave para isso é atuar de forma ativa na construção de um sistema alimentar mais inteligente e eficiente. Para isso, baseamos nossa atuação em três aspectos fundamentais: a origem dos alimentos, a comunidade e as pessoas ao longo de toda a cadeia, desde a produção até o pós consumo, e o futuro, o legado que podemos deixar ao mundo.

Em termos práticos, trabalhamos para mudar a forma como a indústria de alimentos entende e produz alimentos. Através da oferta de uma comida mais saudável, livre de aditivos artificiais como corantes, estabilizantes e aromatizantes. Além disso, nosso trabalho junto aos agricultores familiares é muito focado em empoderá-los e desenvolvê-los de acordo com o crescimento da empresa, com o formato de parceria de “plantio dedicado” apoiamos o desenvolvimento do setor e o desenvolvimento da economia, gerando mais oferta e demanda, para ampliar o acesso à uma alimentação mais saudável. E para finalizar, através de um sistema mais eficiente e inteligente que opera por uma cadeia encurtada, minimizamos o desperdício que na cadeia tradicional gira em torno de 30%, para menos de 2% na Liv Up. Acreditamos que a história e o futuro da comida e do Brasil passam pela inovação e escala da agricultura familiar e, será a partir daí que vamos nos reconectar com a comida boa de verdade, produzir mais comida e comida melhor, para todos, gerando impacto positivo de ponta a ponta da cadeia.

Como você vê o futuro da comida no mundo?

Como uma empresa familiar e global, acreditamos que o futuro da alimentação deve estar alinhado às iniciativas de impacto sustentáveis na vida das pessoas. Em 2020, a Mars Food superou a meta estabelecida em 2016, de entregar mais de um bilhão de refeições saudáveis até 2021.

Em termos de sustentabilidade, em 2020 mais de 99% do nosso arroz foi proveniente de agricultores sustentáveis. Além de bom para o planeta, também ajudamos os produtores locais para a estabilidade econômica.

Também temos como meta global, garantir que 100% do nosso cacau seja obtido de forma responsável e rastreável até 2025 (em 2020, alcançamos 33% dessa meta), por isso, trabalhamos com diversas iniciativas (locais e globais) para garantir que toda a nossa cadeia prospere. No Brasil, o Mars Center for Cocoa Science (Mars Center for Cocoa Science – MCCS) por exemplo, foi criado pela Mars em 1982 no sul da Bahia, além de ser 100% dedicado à pesquisa do cacau, também apoiamos a comunidade através da Escola Municipal Virginia Mars, que em parceria com o município de Barro Preto, fornece educação para crianças – do maternal ao nono ano do ensino fundamental – e alfabetização de adultos.

O mundo atingirá a meta da ONU de fome zero em 2030?

Somos uma empresa global de pessoas e marcas com um propósito claro.  Acreditamos que o mundo que queremos amanhã começa com a forma como fazemos negócios hoje.  É a visão central de nosso Plano Sustentável em uma Geração – aquele em que o planeta é saudável, as pessoas e os animais de estimação prosperam e a sociedade é inclusiva.

Com os impactos crescentes da mudança climática, da pandemia e da injustiça social, estamos tão comprometidos como sempre com as ações críticas necessárias para enfrentar as ameaças ambientais e sociais que enfrentamos por meio de ações baseadas na ciência e em apoio aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.  Estamos transformando a forma como trabalhamos – desde como obtemos matérias-primas como óleo de palma e cacau, até como pescamos nos oceanos nossos ingredientes de ração – para garantir que cada parte de nossas operações e cadeias de suprimentos estendidas ajudem as pessoas e o planeta a prosperar.  Reconhecemos que consertar esses problemas é um desafio geracional, e é por isso que estamos construindo parcerias duradouras com ONGs, governos e indústria, para ajudar a transformar os sistemas que tornaram questões como mudanças climáticas ou renda limitada para pequenos agricultores tão penetrante e intratável.

Este é um momento crítico e estamos trabalhando para garantir que a Mars seja uma força positiva no mundo nos próximos anos

O que você e sua empresa estão fazendo no sentido de melhorar a qualidade e quantidade de alimentos?

Temos usado nossas marcas mais queridas para comemorar os benefícios de jantares compartilhados. Somos privilegiados por estar nas prateleiras da cozinha e pratos de jantar em todo o mundo, e sermos inspirações para as pessoas celebrarem momentos juntas. Isso nos faz comprometidos com a nutrição e o bem-estar, fornecendo produtos e serviços confiáveis e, por sua vez, permitindo que as pessoas e seus animais de estimação vivam vidas mais saudáveis ​​e felizes. Alimentando o bem-estar hoje, ajudamos a construir o mundo que desejamos amanhã: para nossos associados em nossos locais de trabalho, para nossos consumidores em nossos mercados e além em nossas cadeias de abastecimento em todo o mundo.

Nossos Critérios de Nutrição de Alimentos ditam a nossa liderança na indústria de alimentos globais; possuímos rígidas metas para reformular e aprimorar nossos produtos para criar refeições mais saudáveis. Hoje, 84% do nosso portfólio (por volume de vendas) atende aos nossos critérios para calorias, sódio, açúcares e gorduras, um aumento de 77% em 2019 e de 62% se comparado com 2015, além de um compromisso rigoroso com a publicidade responsável.

No Brasil, a inauguração do Laboratório Regional para o atendimento das unidades da empresa na América Latina, foi criado para munir operações com testes sobre qualidade e segurança alimentar para garantir o acesso a dados confiáveis e ampliar a testagem em um contexto em que há um aumento das regulações de qualidade e segurança de alimentos, uma demanda por maior transparência e uma cadeia global suscetível a fragilidades.

Qual é o futuro da comida no mundo?

Sabemos que o consumidor está em constante mudança em relação aos hábitos alimentares. Nos últimos anos percebemos diferentes tendências de consumo nesta frente. Aqui na Nestlé, por exemplo, temos o compromisso com a inovação e a comida do futuro, em levar nutrição e bem-estar a bilhões de pessoas. A inovação está diretamente ligada ao futuro da comida, cada vez mais produtos com ingredientes orgânicos e de origem vegetal conquistam espaço entre os consumidores. Acreditamos que o futuro da comida, além de passar por esse novo olhar para a alimentação, está ligado também a um olhar de inovação e cooperação em todos os elos do sistema, incluindo a forma como produzimos, consumimos e descartamos para gerar regeneração do sistema. Sem isso não há futuro do alimento ou do planeta.

Na Nestlé, somente no Brasil, investimos mais de R$ 400 milhões nos últimos cinco anos em pesquisas e produtos, além disso, intensificamos lançamentos de alimentos mais funcionais, integrais e fortificados, com ingredientes como vegetais, vitaminas, grãos e sementes, como por exemplo Nescafé Dolce Gusto, a primeira marca de cápsulas à base de bebida vegetal, Ninho e Molico em pó também plant-based, Nesfit Sabor Natural, com 7g de proteína vegetal por porção, NESCAU Orgânico com 3 ingredientes apenas (clean label), Aveia Orgânica, Chocolate Talento Terruá, Papinhas NaturNess, Ninho e Molico Em Pó Orgânicos, Chocolate Essentia, além de um portfólio com mais de 20 opções de produtos da marca Nature’s Heart, entre outros.

 O mundo atingirá a meta da ONU de fome zero em 2030?

Entendemos que para atingir a meta é necessário que todos os setores trabalhem de forma contínua. A Nestlé, por exemplo, possui como parte dos esforços trabalhar alimentos equilibrados e porções fortificadas que contribuam para sanar as necessidades nutricionais da população infantil, por isso distribui bilhões de porções fortificadas com micronutrientes por ano. Como parte dessa preocupação da companhia, em 2018, a Nestlé lançou também a iniciativa global Nestlé for Healthier Kids (Nestlé por Crianças Mais Saudáveis, no Brasil), que tem como objetivo ajudar 50 milhões de crianças a terem uma vida mais saudável até 2030. O programa reforça a importância da educação em alimentação equilibrada e incentiva hábitos mais saudáveis, além de impulsionar a inovação e renovação de alimentos para atender as necessidades nutricionais de crianças. Aqui no Brasil, a iniciativa, por meio de diversos projetos, já impactou mais de 3 milhões de crianças diretamente e cerca de 11 milhões indiretamente. É um trabalho realizado em conjunto com a sociedade, onde todos ganham. No entanto, sabemos que, por conta da pandemia, muitos dos indicadores para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU não serão realizados até 2030. Um relatório divulgado essa semana pelas ONGs Ação Agrária Alemã (Welthungerhilfe) e Concern Worldwide, mostrou que o mundo se afastou da meta de eliminar a fome e o desafio para atingir a fome zero está ainda maior. Entendemos que para sanar o atraso causado pela pandemia, se faz necessário que todos os setores, incluindo as empresas, se articulem em parcerias inovadoras para buscar por novas soluções.

 O que você e sua empresa estão fazendo no sentido de melhorar a qualidade e quantidade de alimentos?

Rotineiramente, a Nestlé reavalia o portfólio de produtos de acordo com os padrões de nutrição, saúde e bem-estar, nas diferentes fases da vida das pessoas, a fim de garantir que os produtos as ajudem a atender às suas necessidades nutricionais e a uma dieta balanceada. Além disso, recentemente lançamos um compromisso global para zerar a nossa pegada e restaurar o sistema alimentar onde temos um papel fundamental como empresa líder no setor. Isso inclui aprofundar a nossa contribuição para as comunidades vinculadas à nossa operação enquanto lideramos a transformação dos sistemas por meio de práticas regenerativas em escala.

Entendemos que, a partir desse sistema, é possível gerar mais qualidade de vida para as pessoas que contribuíram para produzir esse alimento e consequentemente um planeta melhor. Dessa forma, nos desafiamos a redefinir o que é qualidade por meio de um olhar de sistema alimentar para melhorar a qualidade do ambiente como um todo, desde a forma como os nossos produtores cultivam o alimento, passando pela produção mais eficiente nas nossas fábricas, com um olhar de produção circular e de desperdício zero. Por meio de sistemas inovadores, distribuímos e embalamos os nossos produtos. Hoje, cerca de 95% das embalagens da Nestlé no Brasil são desenhadas para serem recicladas ou reutilizadas e a Companhia tem acelerado os esforços para soluções funcionais, seguras e sustentáveis. O compromisso global é ter 100% de nossas embalagens recicláveis e reutilizáveis até 2025.

Nas últimas duas décadas reduzimos também significativamente os açúcares e o sódio em nossos produtos. Todos os anos na Nestlé, centenas de produtos são renovados e/ou reformulados, enquanto outros são lançados de acordo com as tendências de consumo e a jornada de saudabilidade da empresa, que tem como meta reduzir ingredientes sensíveis à saúde da população – somente nos últimos 3 anos, em nosso mercado, retiramos mais de 390 toneladas de sódio, 5.000 toneladas de gorduras saturadas e 8.000 toneladas de açúcar dos nossos produtos. Implementamos ainda ações para melhorar o nível nutricional de nossos produtos, como grão integral, que é o primeiro ingrediente listado em nosso portfólio de cereais, além de leites que são fortificados para suprir deficiências de vitaminas e minerais na dieta de crianças brasileiras (vitaminas A, C e D, cálcio, ferro e zinco).

Estamos caminhando para uma mudança duradoura e com impactos de longo prazo, deixando um legado para todos os brasileiros.

Como você vê o futuro da comida no mundo?

Estamos em uma crise de recursos naturais planetária e é urgente pensarmos o futuro da comida de modo revolucionário. Na minha opinião, visto o crescimento populacional e das cidades ao redor do mundo, isso passaria por verticalizarmos parte das plantações, evitando os latifúndios monocultores, que consomem vastos territórios de mata nativa ao mesmo tempo em que empobrecem o solo; desenvolvermos proteínas em laboratório, o que pouparia sofrimento animal, desmatamento e efeito estufa numa só tacada, mas também – e principalmente – tomarmos uma maior consciência do que estamos comendo: de onde vem, quem produz e em que condições. O futuro da comida, se quisermos existir nesse planeta, precisará passar pela valorização do local, dos saberes tradicionais de cultivo e manejo do solo, do pequeno produtor e da origem dos ingredientes.

O mundo atingirá a meta da ONU de fome zero em 2030?

Para isso acontecer precisamos de políticas públicas em nível mundial que democratizem o acesso aos alimentos de qualidade (diversificados, naturais, não-processados, orgânicos ou agroecológicos), que promovam educação nutricional de maneira ampla e generalizada, que fomentem a autonomia alimentar das pessoas, subsidiando produtores, sementes, técnicas de cultivo. Factível? Sim. Há interesse político-econômico nesse caminho? Não tenho tanta certeza.

O que você e sua empresa estão fazendo no sentido de melhorar a qualidade e quantidade de alimentos?

A Raízs é uma empresa que faz a ponte entre o pequeno produtor e as grandes cidades. Cortamos os intermediários na cadeia para remunerar o produtor ao preço justo e vender orgânicos e sustentáveis até 25% mais baratos que em feiras e supermercados. Temos agrônomos que fazem o acompanhamento técnico dos nossos produtores, do planejamento do plantio à colheita, e só retiramos da terra o que foi efetivamente vendido, evitando o desperdício de alimentos. Além disso, temos uma preocupação com a diversidade alimentar e estamos sempre em busca de sementes crioulas e frutas, legumes e verduras “diferentões”, isto é, não-convencionais como o brócolis romanesco, a abobrinha amarela, o rabanete preto e etc.

Patricia Bastos_Tetra PakCom o crescimento da população mundial, a pressão sobre os sistemas alimentares segue aumentando. Números da ONU mostram que atualmente quase 690 milhões de pessoas, ou 8,9% da população mundial, passa fome – um aumento de 10 milhões de pessoas em um ano e de quase 60 milhões se considerado os últimos cinco.

Sob esta perspectiva, nossas embalagens ajudam a levar produtos seguros e nutritivos para populações em diferentes regiões do globo, mesmo em áreas remotas, pois elas possuem uma tecnologia que possibilita proteger os alimentos sem a necessidade de adição de conservantes ou refrigeração. Nosso compromisso sempre foi o de tornar alimentos seguros e disponíveis em todos os lugares, o que inclui a promoção, há mais de 50 anos, do School Feeding Program, programa de alimentação e nutrição escolar presente em 56 países. Os programas de alimentação escolar estimulam o desenvolvimento, tornando a alimentação saudável mais acessível, um componente importante olhando para a meta da ONU de fome zero.

Sobre desperdício na cadeia produtiva, um dos programas criados com este fim foi o Desperdício Zero, estruturado para orientar todos os profissionais envolvidos no processo de distribuição e venda de alimentos sobre os procedimentos corretos de manuseio das embalagens. Com esta iniciativa buscamos reduzir desperdícios, perdas e danos em toda a cadeia de distribuição e diminuir o risco de contaminação por manuseio inadequado dos produtos.

Fabricio Pezente_Founder e CEO

Fabricio Pezente – Fundador e CEO

Em nossa visão, o futuro da alimentação passa pelo acesso: conectar pessoas aos alimentos, promover a inclusão.

Temos tecnologia, capacidade de produção e gente com conhecimento e paixão para produzirmos até o triplo de alimentos necessários para saciar as necessidades de todas as pessoas do mundo. O que falta garantir é o acesso às condições de produção e aos alimentos.

A Traive utiliza o poder da ciência e de nossos algoritmos proprietários para oferecer soluções de inclusão financeira e análise de dados que visam diminuir a lacuna no setor financeiro para pequenos e médios agricultores – o que é decisivo para vencermos as desigualdades regionais e aumentar a produção de alimentos.

Contribuir para a inclusão financeira de pequenos e médios produtores pode ter um impacto significativo para o desenvolvimento de pessoas, comunidades, regiões e até países. Esse é o nosso compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Agenda 2030 da ONU. Acreditamos que, juntos, alcançaremos todas as metas”.

Uber Eats entende que o futuro da comida está diretamente ligado a uma cadeia sustentável de produção e distribuição e foi pioneiro na adoção de práticas que contribuem para uma sociedade mais consciente, ética e comprometida com as boas práticas socioambientais. Ainda em 2018, o Uber Eats foi o primeiro app de delivery no Brasil a oferecer a seus usuários a opção de não receber utensílios de plástico, contribuindo para diminuir o impacto ambiental do setor de delivery. Além disso, o Uber Eats faz parte de um movimento importante pela democratização da comida, possibilitando o acesso a inúmeras opções de refeições a qualquer preço, a qualquer hora, em qualquer lugar. Se antes o delivery de comida era limitado a refeições de baixo valor nutricional, hoje em dia esse mercado atende a todos os gostos, preferências e restrições alimentares de forma acessível e de qualidade. 

Uber Eats também está sempre pensando em novas formas de proporcionar experiências cada vez mais personalizadas, rápidas e cômodas, com a mesma confiabilidade da Uber. Nosso diferencial está na tecnologia por trás do nosso aplicativo, que usa inteligência artificial para sugerir novas experiências gastronômicas e coloca à disposição dos restaurantes parceiros e dos usuários uma rede de entregadores parceiros que contam com a expertise em mobilidade da Uber para realizar entregas em poucos minutos. Tudo com acompanhamento em tempo real das entregas e maior controle sobre seus pedidos. 

Reforçando o compromisso com a democratização do acesso à comida, o Uber Eats também lançou, há um ano, o Caseirinho, modalidade que oferece refeições por preços ainda mais acessíveis. Em um ano, a presença dessa categoria aumentou em seis vezes, passando de quatro para 25 cidades atendidas, enquanto a quantidade de hubs de distribuição cresceu de 8 para mais de 120. O formato de pratos express de diversos tipos de cozinha a preços baixos foi lançado pelo Uber Eats em meio à pandemia, um momento que já exigia isolamento social, mais tempo em casa e cautela nos gastos.

O Uber Eats também promove ações de combate à fome de grande impacto para a sociedade. Em setembro, Uber Eats e Spoleto recolheram doações para o Instituto da Criança, entidade referência em gerenciamento de projetos de responsabilidade social no Brasil, por meio da campanha ‘Pote Vazio, Prato Cheio’, exclusiva no aplicativo do Uber Eats. Usuários que incluíssem o pote vazio do Spoleto reverteram o valor total do utensílio (R$5) ao Instituto da Criança, que ficou responsável por distribuir cartões alimentação para famílias em situação de necessidade. 

Outro destaque é a parceria realizada pelo segundo ano consecutivo com a Central Única das Favelas (CUFA) para doação de cestas básicas a favelas afetadas pela pandemia de Covid-19. Assim como aconteceu em 2020, as doações estão sendo realizadas por meio da loja virtual “Cestas básicas – A comunidade nos move”, disponível no aplicativo Uber Eats, e serão destinadas a famílias de sete capitais do País: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza e Salvador. Pessoas de todo o Brasil podem participar da ação, que teve início em 18 de setembro, e doar para as cidades beneficiadas.

SOBRE O AUTOR

Fábio Cardo é economista de formação, atua em comunicação empresarial e empreendedorismo e é co-publisher do canal FoodTech da Fast Company Brasil