Galaxy S26 Ultra mostra como a Samsung perdeu fôlego na inovação
O novo modelo do seu carro-chefe reforça a sensação de que a empresa está evoluindo mais devagar enquanto concorrentes aceleram

Quem visitou o estande da Samsung no Mobile World Congress 2026 (MWC), em Barcelona, na semana passada, viu uma vitrine de dispositivos recém-lançados e uma linha do tempo com antigos modelos da série Galaxy S montados na parede.
Era um pedaço interessante da história da empresa. Mas, em vez de mostrar um salto constante de inovação, a exposição acabou evidenciando algo diferente: como a gigante sul-coreana parece estar apenas mantendo o ritmo no topo da sua linha de smartphones, sem grandes avanços.
O Samsung Galaxy S26 Ultra deste ano, anunciado poucos dias antes do início do congresso, é uma atualização extremamente incremental em uma linha que passou a lançar modelos premium quase indistinguíveis entre si. O design é praticamente o mesmo dos últimos três anos. Por dentro, também há pouco motivo para entusiasmo.
Embora o S26 Ultra traga a esperada atualização para o mais recente processador da Qualcomm, o Snapdragon 8 Elite Gen 5, é difícil encontrar muitas outras novidades relevantes na ficha técnica.
A principal novidade do aparelho em 2026 é o novo modo Privacy Display. A tela possui dois conjuntos de pixels. Um deles é dedicado a renderizar a imagem diretamente para quem está olhando de frente, permitindo que partes do painel sejam desligadas para quem tenta visualizar o conteúdo a partir de um ângulo lateral.
A implementação é engenhosa, especialmente pela forma como a máscara de privacidade pode ser aplicada a áreas específicas da tela. Mas a ideia básica não é exatamente nova: telas com filtro de privacidade embutido já são comuns no Japão desde a época dos celulares flip.
EXPERIMENTAR ERA A MARCA DA SAMSUNG
Antigamente, não era difícil apontar o que havia de novo em um celular premium da Samsung. Para o bem ou para o mal, a empresa ganhou fama por lançar ideias ousadas apenas para ver o que poderia funcionar no mercado.
A linha Galaxy Note talvez seja o melhor exemplo disso. O que inicialmente parecia um design exageradamente grande acabou se tornando tão comum que a série foi incorporada à linha principal Galaxy S.
A empresa também continua inovando na cadeia de suprimentos, especialmente no desenvolvimento de telas. Sua subsidiária Samsung Display é conhecida por produzir tecnologias de ponta, como os painéis OLED flexíveis. Foi isso que permitiu à empresa criar novos formatos de dispositivos com as séries Galaxy Z Fold e Galaxy Z Flip.
Essa divisão também é responsável por novos recursos interessantes, como o próprio Privacy Display.
CONCORRÊNCIA CADA VEZ MAIS FORTE
Em outras áreas, porém, a Samsung está perdendo vantagem, ou ficando para trás. Fabricantes chineses de telas estão rapidamente alcançando o nível de excelência da empresa na produção de OLED.
Quando o assunto são câmeras, a diferença é ainda mais evidente. Enquanto a Samsung decidiu reduzir a capacidade de sua lente teleobjetiva este ano, a Xiaomi chamou a atenção no MWC com um sistema de zoom de 200 megapixels, entre 3,2x e 4,3x, desenvolvido em parceria com a Leica.

Talvez a maior atração do estande da Samsung no evento tenha sido o Samsung Z TriFold, um smartphone de US$ 2,9 mil com duas dobradiças que se abre até virar um tablet de tela de 10 polegadas.
O dispositivo tem aquele apelo de gadget futurista típico da Samsung. Ainda assim, a novidade perde um pouco do impacto quando se lembra que a Huawei já havia apresentado algo semelhante com o Huawei Mate XT em 2024 e hoje já está na segunda geração do conceito.
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Nada disso significa que não existam bons motivos para escolher um smartphone da Samsung. A marca continua sendo confiável, oferece bom suporte local e atendimento ao cliente, e sua interface One UI amadureceu a ponto de ser tão fácil de usar quanto qualquer outra disponível no ecossistema Android.
Mas, em um mercado que voltou a acelerar em inovação, a pergunta que fica é se a Samsung conseguirá recuperar a vantagem que um dia definiu seus produtos topo de linha.