Geração Z ainda quer casar – mas sem pressão, diz Tinder

Novos dados mostram que os jovens solteiros ainda desejam o casamento, mas estão priorizando relacionamentos que se desenvolvem mais lentamente

aplicativo de namoro (genérico)
Crédito: Deagreez/ Getty Images

Eve Upton-Clark 5 minutos de leitura

A geração Z ainda acredita no amor verdadeiro, mesmo que a busca por ele pareça bem diferente daquela vivida por seus pais. É o que aponta um novo relatório do Tinder em parceria com a Harris Poll, compartilhado com exclusividade com a Fast Company.

A pesquisa foi realizada online nos Estados Unidos, em nome do Match Group, entre setembro e outubro de 2025, com uma amostra 2,5 mil adultos solteiros de 18 a 79 anos.

Entre os solteiros da geração Z, 80% afirmaram acreditar que vão encontrar o amor verdadeiro e 74% acreditam que vão se casar. Quando considerados os solteiros de todas as gerações, os percentuais são de 57% e 43%, respectivamente.

Os dados podem surpreender em um momento no qual os jovens, segundo relatos, estão fazendo menos sexo, saindo menos e enfrentando mais rejeição (romântica ou não) do que nunca.

Mas, em vez de sinalizar uma redução do romance entre a geração Z, essas tendências indicam um ponto de inflexão na cultura do namoro. Marcos tradicionais de relacionamento estão ficando ultrapassados.

Jovens adultos estão desacelerando a busca pela "pessoa certa”, pela casa própria e por filhos. Por enquanto, os GenZs estão priorizando os “microcompromissos” em vez dos grandes marcos.

“Gerações anteriores costumavam embarcar logo em algumas etapas emblemáticas: definir o relacionamento, conhecer a família, morar juntos, noivar”, diz Devyn Simone, especialista em relacionamentos do Tinder.

inteligência artificial em aplicativos de namoro
Crédito: Freepik

“A geração Z ainda quer isso tudo, um dia. Mas está fazendo ‘testes’ ao longo do caminho por meio de comportamentos cotidianos – e muitos deles aparecem primeiro online”, completa. Isso significa, por exemplo, entrar na lista de Close Friends, trocar áudios ou ser apresentado ao grupo do WhatsApp.

Anunciar o relacionamento sem chamar muito a atenção virou um novo marco moderno. Entre os solteiros da geração Z entrevistados pelo Tinder que usam redes sociais, 46% disseram anunciar discretamente seus relacionamentos, enquanto 37% preferem "fazer barulho". Entre os com mais de 45 anos, esses percentuais caem para 12% e 10%, respectivamente.

A GRANDE "BANDEIRA VERDE"

Entre aqueles que já anunciaram abertamente um relacionamento nas redes sociais, 81% acreditam que isso é um sinal importante de compromisso. Compartilhar a localização também virou uma forma moderna de oficializar a relação na era da internet.

“O importante é entender que essa é a forma que a geração Z encontrou de tornar as conexões tangíveis e visíveis, enquanto ainda dita o próprio ritmo”, analisa Simone.

Ao longo das diferentes fases – do primeiro encontro ao casamento e, às vezes, ao divórcio –, muitos compartilham seus relacionamentos online com a mesma franqueza que teriam com uma pessoa de sua confiança: os altos, os baixos e os momentos difíceis.

Em vez de ir atrás apenas conexões românticas, a geração Z também busca mentoria, comunidade e amizades.

As listas de atitudes que causam repulsa instantânea e encerram o interesse romântico são muitas vezes construídas de forma colaborativa na internet. Entre os deslizes mais citados estão tratar mal funcionários ou não saber se comunicar e lidar com conflitos.

Para 28% dos solteiros da geração Z, esse tipo de atitude é algo fortemente ligado à falta de competência emocional ou habilidades sociais. Entre os solteiros mais velhos, apenas 17% pensam assim.

Segundo o Tinder, essas competências sociais e emocionais se tornaram mais importantes para a geração Z do que indicadores tradicionais de compatibilidade, como sucesso financeiro ou conquistas profissionais.

O QUE SIGNIFICA PARA ELES "SER ADULTO"

A geração Z espera que parceiros românticos não apenas saibam se comunicar, mas também estejam dispostos a ter conversas difíceis. Em uma pesquisa do Tinder citada no relatório, 56% afirmaram que conversas honestas são essenciais.Quem não atinge nem esse mínimo deixou de ser desculpado.

O ceticismo em relação a relacionamentos heterossexuais está mais disseminado do que nunca. Apenas 55% dos GenZs dizem se sentir prontos para um relacionamento romântico neste momento e 75% não têm pressa para encontrar um parceiro.

O contexto importa. “A geração Z está entrando na vida adulta em um momento marcado por incerteza econômica, mudanças nas normas culturais sobre casamento e filhos e uma redefinição mais ampla do que significa ser adulto”, afirma Simone.

mãos seguram um celular com imagens de pinos representando pessoas
Créditos: master1305/ Eoneren/ Getty Images

“Em vez de fazer promessas grandiosas sobre o ‘para sempre’, eles tendem a perguntar: ‘estamos alinhados agora? Estamos construindo algo saudável?’”

Em vez de mergulhar de cabeça em um contrato de aluguel, no casamento ou em qualquer outro compromisso oficial, pequenos progressos ajudam a construir confiança aos poucos, reduzindo riscos para uma geração que viu o contrato social se desintegrar diante dos próprios olhos.

Isso não significa que a geração Z esteja abrindo mão da conexão, muito pelo contrário. Um terço (33%) dos GenZs concordam fortemente que expandir sua rede social é importante, contra 20% entre solteiros mais velhos.

GERAÇÃO Z NÃO QUER IR SÓ RELACIONAMENTO ROMÂNTICO

Em vez de ir atrás apenas conexões românticas, a geração Z também busca mentoria, comunidade e amizades que podem evoluir para algo mais (ou não).

“Para muitos jovens, a conexão começa em ambientes de grupo, espaços de interesse compartilhado ou dinâmicas de amigos de amigos”, diz Simone. “O que eles precisam são ferramentas que reflitam como os relacionamentos realmente acontecem hoje: de forma gradual, social e muitas vezes em comunidade.”

A geração Z espera que parceiros românticos estejam dispostos a ter conversas difíceis.

Esse movimento levou o Tinder e outros aplicativos de namoro a repensar como se apresentar para usuários da geração Z, priorizando microcompromissos em vez de grandes gestos.

Recentemente, o Tinder lançou modos mais casuais para que GenZs se conheçam, como o recurso de encontro duplo e o modo universitário, criando espaço para momentos de conexão sem pressão romântica.

Leia mais: O amor está no app: 7 aplicativos de namoro para quem busca um relacionamento

“Às vezes começa com um follow, um áudio, uma saída com amigos”, diz Simone. “São pequenos sinais que, com o tempo, se somam e se transformam em algo real.”

A geração Z não desistiu do amor romântico. Ela só está levando mais tempo para firmar o compromisso.


SOBRE A AUTORA

Eve Upton-Clark é jornalista especializada em cultura digital e sociedade. saiba mais