Google lança campanha para reconquistar a preferência da geração Z

40% dos jovens de 18 a 24 anos preferem o TikTok ou a pesquisa do Instagram

Crédito: Google/ Divulgação

Danica Lo 4 minutos de leitura

Uma campanha do Google chamada “Let’s Internet Better” (algo como “vamos fazer uma internet melhor”, em tradução livre) traz uma série de vídeos animados que alertam para a desinformação e os golpes online. A ideia é fazer um apelo à ação e instruir as pessoas a se tornarem “internautas mais inteligentes”, usando a pesquisa do Google para conferir a veracidade das informações que chegam até elas.

O logotipo da campanha tem as cores do arco-íris e vem acompanhado de uma setinha, representando o ponteiro do mouse – a estética remete à  famosa série de anúncios de serviço público (PSAs) “The More You Know”, que, na década de 1980, trazia mensagens educacionais aos telespectadores norte-americanos.

Os vídeos de 15 segundos ganharam títulos irônicos, como “Alguém acabou de comprar o sol?” e “Será que é uma boa ideia colocar lesmas no seu rosto?”

Com mais de 90% de participação no mercado global de mecanismos de busca, a pesquisa do Google não enfrenta nenhum perigo de obsolescência. Mas o desgaste entre o público mais jovem e o aumento das pesquisas por produtos em plataformas de mídia social e na Amazon.com começam a preocupar, pois são os primeiros sinais de mudança no comportamento do consumidor.

O Google diz que essa campanha foi projetada com a intenção de incorporar “o tom, o humor e a estética da geração Z” e para ser uma série de vídeos educativos “curtos e divertidos, mas também autoconscientes, solidários e informativos”.

O Google fechou parceria com alguns dos principais criadores do TikTok para publicar conteúdo sobre segurança na internet e verificação de informações.

“Com essa campanha, nossa intenção é falar diretamente com a geração Z, os nativos digitais que moldam grande parte da cultura da internet de hoje”, diz Rebecca Michael, diretora sênior de marketing da Pesquisa Google. “Ao fazer parceria com esses jovens para pensar criticamente sobre as informações que encontram online, e dando a eles ferramentas e recursos para verificar os fatos e garantir a credibilidade, esperamos que passem adiante essa preocupação e nos ajudem a tornar a internet mais segura, um lugar melhor.”

Como parte da iniciativa, o Google fechou parceria com alguns dos principais criadores do TikTok – incluindo Hank Green, Matt Taylor, Antonio Baldwin e Alexia Del Valle – para publicar conteúdo sobre segurança na internet e verificação de informações. Há também vídeos com lições básicas sobre o uso de ferramentas de checagem de fatos, como a pesquisa reversa de imagens.

Tudo isso é muito justo e útil. No entanto, com relatórios e dados da Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) evidenciando que são os usuários mais velhos que estão sendo cada vez mais vítimas de fraudes on-line – no valor de US $ 3 bilhões no ano passado, apenas nos Estados Unidos –, é curioso que o gigante das buscas tenha investido em uma campanha de alfabetização na internet visando os zennials, uma “geração hipercognitiva” nativa digital e que os pesquisadores descrevem como “muito confortável em coletar e fazer referências cruzadas entre fontes de informação”.

“O Google é o mecanismo de busca padrão para millennials, geração X e baby boomers, da mesma forma que a Sears costumava ser um padrão para compras”, diz Flynn Zaiger, CEO da agência de marketing digital e design Online Optimism. “As marcas digitais subestimam continuamente a diversidade da geração Z e sua capacidade de pensar criticamente.”

As marcas digitais subestimam a diversidade da geração Z e sua capacidade de pensar criticamente.

Além dos aplicativos de mídia social e da Amazon.com, nos últimos anos diversos sites e plataformas, como Reddit e LinkedIn, dobraram o conteúdo gerado pelos usuários e melhoraram suas pesquisas.

Embora os efeitos sociológicos de longo prazo do estreitamento da pesquisa dentro dos parâmetros de comunidades de nicho na internet ainda sejam pouco conhecidos, já é possível argumentar de forma consistente contra a personalização possibilitada pelos algoritmos.

Diversas teorias apontam para o aumento da polarização política e social. O best-seller “The Network State”, de Balaji Srinivasan, apresenta uma descrição distópica do futuro digital que nos aguarda.

De todo modo, essa campanha sinaliza o quanto entender os hábitos e a mentalidade dos usuários da geração Z se tornou um objetivo importante para o cérebro digital por trás da Pesquisa Google.

“Continuamos aprendendo, repetidamente, que os novos usuários da internet não têm as expectativas ou a mentalidade a que estamos acostumados. As perguntas que eles fazem são completamente diferentes”, reconhece Prabhakar Raghavan, vice-presidente sênior de conhecimento e informação do Google.


SOBRE A AUTORA

Danica Lo é editora contribuinte da Fast Company e cobre as áreas de marketing, branding e comunicação. saiba mais