IA: sua empresa está pronta para transformar quintilhões de bytes em lucro?

A pandemia acelerou ainda mais a digitalização, o que trouxe uma avalanche de dados É aí que a inteligência artificial ganha mais força

Crédito: DeepMind/ Unsplash/ Freepik

Gustavo Ioschpe 5 minutos de leitura

“Dados são o novo petróleo”. Esta foi a metáfora do matemático britânico Clive Humby, em 2006, que se tornou referência quando o tema é big data.

Quinze anos depois, o IDC calcula que são gerados 2,5 quintilhões de bytes de dados todos os dias. E o paradigma de lá do início do século XXI foi superado conforme o processo de utilização dos dados para o profissional tomar decisões a partir de suas interpretações se tornou humanamente impossível.

Se os dados são o novo petróleo, é preciso refiná-lo para que se torne combustível útil para nos fazer ir mais longe. Aí é que entra a inteligência artificial (IA). Diante dos números inimagináveis, o algoritmo de IA se torna indispensável, deixando para os humanos a tarefa cada vez mais importante de fazer as perguntas certas e traçar a melhor estratégia. Trazer respostas e implementar táticas personalizadas e em mudança constante ficam com o algoritmo.

Qualquer empresa com mais de um milhar de clientes ou pontos de venda e/ ou algumas dezenas de produtos no portfólio precisa entender em que lugar está nesse novo jogo, sob pena de ficar irremediavelmente para trás na concorrência.

Estudos de grandes consultorias e a experiência que vivenciamos com nossos clientes mostram que empresas podem gerar aumentos de lucro de 10% a 25% ao adotar processos de vendas comandados por IA. Em um mercado competitivo, quem não usar essa ferramenta e estiver competindo com quem já a utiliza vai se sentir como a maioria dos times brasileiros em final de Mundial Interclubes contra os campeões da Champions: jogamos como nunca, perdemos como sempre.

Quase metade dos CIOs afirmam que já implantaram ou planejam implantar inteligência artificial e machine learning nos próximos 12 meses.

A pandemia de Covid-19 acelerou ainda mais o processo de digitalização, o que trouxe mais uma avalanche de dados e oportunidades tremendas nos quesitos de customização e personalização para as empresas. E é aí que a inteligência artificial ganha ainda mais força. O que fazemos é coletar informações e dados disponíveis, considerando 17 mil variáveis, e desenvolver algoritmos de IA para apoiar o time de vendas e marketing dos clientes a vender mais.

Como? Fornecendo a eles o preço, o mix de produtos, as promoções e o investimento de marketing ideais. Não trabalhamos com alguma média ou setor de mercado, mas, para cada cliente específico, captamos dados e geramos alterações a cada 24h. Enquanto isso, a tecnologia transforma dados em produtos de inteligência artificial e eleva a produtividade de empresas como.

As organizações continuam demonstrando grande interesse em soluções deste segmento: 48% dos CIOs afirmam que já implantaram ou planejam implantar tecnologias de inteligência artificial e machine learning nos próximos 12 meses, de acordo com pesquisa de executivos de tecnologia e CIOs apresentada pelo Gartner em outubro passado.

Não há volta para o cenário em que um negócio que possui mil lojas espalhadas pelo Brasil, por exemplo, em cidades com características distintas entre si, utiliza um processo de tomada de decisão 100% humano, com base em alguns dados que trabalham com a média nacional, experiências pessoais e uma boa dose de achismo.

A MUDANÇA COMEÇA NA CULTURA

A mudança costuma gerar desconforto, e nas empresas não é diferente. Normalmente, há um desejo de querer fazer as coisas do jeito que sempre foram feitas, seguindo a cultura do negócio. Porém, a realidade do método tradicional são companhias vendendo do mesmo jeito em uma cidade com grande concentração como São Paulo, por exemplo.

Ao andarmos poucos metros entre o bairro do Morumbi e a comunidade de Paraisópolis, há diferenças de ordem de magnitude em renda, educação, saúde e dezenas de outras variáveis. Isso sem falar em quem trabalha os públicos do agreste nordestino e dos pampas gaúchos, das regiões de influência alemã do interior de Santa Catarina e das populações ribeirinhas da Amazônia, dos agricultores do Mato Grosso e dos descolados da Zona Sul carioca, etc.

Se considerássemos países europeus, nos quais a realidade é homogênea, os ganhos com a customização de produtos ofertados não chamariam a atenção. Mas, no Brasil, quando percorremos alguns quilômetros, estas oportunidades são gritantes.

Não há como um negócio com estratégias tradicionais conseguir a mesma rentabilidade de outro munido de inteligência artificial.

Os métodos de análise tradicionais há tempos não conseguem capturar a maior parte do valor existente pois recomendam ações que funcionam “na média”, ignorando que cada ponto de venda tem sua realidade. Como dizia um saudoso professor de estatística, na média, o ser humano tem um seio e um testículo, mas nunca vimos esse espécime por aí.

Agora, ao trabalhar com 17 mil variáveis, imagine uma empresa que vende os produtos certos, no preço certo, no momento certo, com a mensagem certa, para cada cliente, competindo com outra que pratica para uma grande região o mesmo preço, vende os mesmos produtos e apresenta o mesmo marketing para todos os públicos. Não há como um negócio com estratégias tradicionais conseguir a mesma rentabilidade de outro munido de inteligência artificial.

Fica claro, portanto, que aqueles que conseguirem trabalhar cada realidade de maneira diferenciada alcançarão resultados muito melhores, na comparação com quem analisa grandes agregados por média. A mudança de paradigma é mais facilmente compreendida quando o resultado é muito poderoso.

Não há dúvida que, sem inteligência artificial manuseando dados para conduzir a tomada de decisões, veremos grandes negócios ficando obsoletos e perdendo a capacidade de concorrer, em breve. Todo líder empresarial hoje precisa decidir se vai romper a barreira ou se seu negócio estará fadado à obsolescência.


SOBRE O AUTOR

Gustavo Ioschpe é fundador e CEO da Big Data, empresa líder em inteligência artificial para negócios no Brasil. saiba mais