Jensen Huang entra na cúpula de Trump com a China — e isso diz tudo sobre a corrida por IA
A inclusão tardia do CEO da Nvidia na delegação de Trump em Pequim ressalta a importância do poder computacional na rivalidade entre os dois países em IA

O Air Force One pousou na China nesta quarta-feira (13 de maio), enquanto uma cúpula entre os Estados Unidos e a China, convocada às pressas, começa esta semana. Ao lado do presidente Donald Trump no voo para Pequim está uma comitiva de executivos do Vale do Silício.
Elon Musk, Tim Cook, Dina Powell McCormick e representantes da Qualcomm, Micron e Cisco estão entre aqueles que têm comido os M&Ms com o brasão presidencial no avião da presidência.
Mas um nome se destacou por quase não ter feito a viagem: Jensen Huang, CEO da Nvidia, a empresa cujos chips se tornaram fundamentais para a corrida da inteligência artificial.
A confirmação de Huang como parte da delegação ocorreu apenas algumas horas antes da partida, uma adição notável de última hora, dado o papel cada vez mais central da Nvidia no impasse tecnológico entre Washington e Pequim.
"A ausência de Jensen refletiu uma desconexão entre a confiança de Washington na Nvidia como moeda de troca e a disposição da China em suportar sofrimento pela autossuficiência de semicondutores", diz Rui Ma, analista de tecnologia da China e criadora do Tech Buzz China.
A China, enquanto isso, está mostrando sinais de que a sua indústria nacional de semicondutores está ganhando força, apesar das restrições dos EUA. Os dados de exportação de circuitos integrados do país em abril mostraram que os embarques dobraram em valor ano após ano, atingindo US$ 31,1 bilhões.
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"As empresas chinesas de semicondutores estão mais confiantes agora de que podem descobrir [como alcançar os EUA] em um período de tempo razoável", diz Ma.
A lista inicial de executivos, que excluía Jensen Huang, pode, por si só, ter tido a intenção de ser um sinal para a China.
POSTURAS CONFLITANTES
Ryan Fedasiuk, pesquisador do American Enterprise Institute especializado na China, diz que o governo Trump vê o acesso ao poder computacional como estrategicamente importante demais para ser comprometido, especialmente à medida que os sistemas de IA se tornam mais capazes.
"É melhor manter a indústria dos EUA fora da mira do Partido Comunista Chinês e deixar o principal das negociações políticas para os governos", diz Fedasiuk.

Posturas pessoais na certa também desempenharam um papel. Huang tem sido um crítico declarado da abordagem de Trump em relação às restrições de exportação de chips dos EUA.
O executivo argumentou que cortar o acesso dos chineses aos chips da Nvidia só vai acelerar os esforços do país para desenvolver uma pilha de hardware concorrente. A medida teria o potencial de gerar um efeito contrário para os Estados Unidos.
Huang até tomou emprestada a linguagem de Trump, chamando isso de uma "mentalidade de perdedor" que colocava em risco a supremacia dos EUA.
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A inclusão de última hora de Huang na delegação pode sinalizar que o relacionamento da Nvidia com a China está se tornando parte de uma negociação geopolítica mais ampla.
"Pode ser que Trump veja o acesso da Nvidia à China e o acesso da China aos chips da Nvidia como algo que ele pode levar à mesa de negociações em relação a outras questões, como a ajuda chinesa no Irã", diz William Matthews, pesquisador sênior para China no Programa Ásia-Pacífico da Chatham House.