Jovem inventora criou uma caminhonete Tesla. E isso é só o começo

A estrela do YouTube Simone Giertz pode até levar na brincadeira, mas está criando produtos que realmente funcionam

Crédito: Raspberrypi

KC IFEANYI 3 minutos de leitura

Parece óbvio que um inventor de verdade precisa de criações que funcionem. Eles trabalham identificando um problema e construindo alguma solução inovadora para corrigi-lo. A jovem sueca Simone Giertz se saía muito bem na primeira parte dessa tarefa, mas falhava miseravelmente (e de propósito) na segunda.

Durante a maior parte de sua carreira como inventora e criadora de conteúdo, Giertz foi proclamada pela internet como “a rainha dos robôs toscos”, tendo conquistado seguidores no YouTube com invenções que ela exibia mais pela piada do que pela funcionalidade. 

Ela já partilhou diversas criações toscas e quase inúteis: uma “máquina de escovar os dentes” que nada mais é do que um capacete com um mecanismo para segurar uma escova que se move em frente à boca; um despertador que te acorda com um braço de borracha; e um “drone cabeleireiro”, que manipula as tesouras com uma imprecisão perigosa.

Com o tempo, no entanto, Giertz cansou de fazer piada consigo mesma e de depreciar suas próprias criações. “Sou uma autodepreciadora em recuperação”, reconheceu. “Fazer piada de si mesmo é um mecanismo de defesa comum na internet. É uma maneira de sobreviver sendo um criador online, de se antecipar aos possíveis insultos vindos de estranhos. Mas tenho tentado não me rebaixar mais e não menosprezar minhas habilidades.”

A descoberta de um tumor cerebral provavelmente também contribuiu para que Simone repensasse seu papel como inventora e influenciadora.

  

A CAMINHONETE TESLA CUSTOMIZADA

Em 2018, a inventora foi diagnosticada com um meningioma não canceroso. Os médicos não conseguiram remover completamente o tumor e o que restou dele voltou a crescer em um ano.

As provações da cirurgia, da radioterapia e de simplesmente ter que encarar sua própria mortalidade fizeram Simone perceber que não queria mais desperdiçar sua energia em coisas que não funcionassem. O que ela queria era realizar o sonho de ser designer de produtos.

Simone criou um calendário iluminado que ajuda as pessoas a acompanharem suas metas e tarefas diárias; uma cadeira para cães que sempre se sentam ao lado do dono enquanto ele trabalha; uma mesa ajustável com um compartimento oculto para montar quebra-cabeças e muito mais.

Mas, sem dúvida, seu projeto mais ambicioso até hoje foi converter um Tesla em uma caminhonete, também conhecida como “Truckla”.

Recentemente, ela lançou sua loja de produtos, a Yetch (que é a grafia fonética de seu sobrenome em inglês), onde vende criações bastante funcionais, mas que mantêm um toque do seu humor característico.

AMADURECIMENTO PROFISSIONAL

“Acho que se continuasse construindo robôs toscos, provavelmente meu canal no YouTube estaria bem maior agora. Mas, para mim, para a longevidade da minha carreira e para minha felicidade e satisfação criativa, senti que ampliar meu trabalho era importante, e era o que eu queria fazer.”

“É importante ter uma história muito simples no início, para as pessoas se identificarem.  Depois, você pode meio que expandir a partir daí. Mas eu lembro que estava com muito medo de ser rotulada, no começo. Sempre foi algo que me deixou nervosa, porque pensava: ‘socorro, vou ter um bloqueio criativo’. Se eu não encontrar maneiras de expandir o que estou fazendo, ficarei estagnada. Queria ter certeza de que ia enjoar dos meus vídeos antes do meu público.”

CRIANDO A “IDENTIDADE” DA YETCH

“Quero que minha marca faça sentido para as pessoas que não sabem quem sou ou que não se importam com quem sou no mundo online. Mas, ao mesmo tempo, quero que as que sabem sejam capazes de me reconhecer nos produtos, de sentir que me dediquei por inteiro, que ele tem o meu tipo de humor e a minha estética. Eu queria que fosse uma versão mais adulta do que eu faço.”

“Às vezes, parecia uma mudança impossível. Queria continuar sendo engraçada, mas não boba. Queria que minhas criações fossem valorizadas como objetos de design, mas que não parecessem pretensiosas ou esnobes. Que fossem um pouco ousadas e bacanas, mas ao mesmo tempo, elegantes. Como uma desenvolvedora de marca, eu me coloquei essas metas quase impossíveis. Mas estou muito feliz, porque sinto que estou chegando lá.”


SOBRE O AUTOR

KC cobre entretenimento e cultura pop para a Fast Company. Anteriormente, KC fazia parte da equipe vencedora do Emmy no “Good Morning ... saiba mais