O Twitter está de volta – mas não pelas mãos de Elon Musk

A Twitter.now recupera a marca Twitter e o pássaro azul, enquanto trava uma disputa com a empresa de Elon Musk pelos direitos sobre essa identidade.

Novo símbolo da Twitter.now, com um pássaro branco sobre fundo azul.
Créditos: Twitter, Operation Bluebird

Hunter Schwarz 3 minutos de leitura
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O passarinho azul voltou. A marca Twitter e seu antigo logotipo foram abandonados por Elon Musk quando ele rebatizou a rede social como X, argumenta um grupo chamado Operation Bluebird. Agora, a organização lançou a Twitter.now, uma alternativa ao X que recupera a identidade visual e o logotipo do Twitter, mas com algumas mudanças.

O antigo logotipo do Twitter era um pássaro azul chamado Larry, em homenagem ao astro do Boston Celtics Larry Bird. Sua última versão, lançada em 2012, foi construída com 13 círculos sobrepostos. O logotipo da Twitter.now tem outro desenho: as penas se abrem e sugerem, talvez, uma fênix renascendo das cinzas.

Ainda assim, as cores e a silhueta básica permanecem. A página de erro mostra o pássaro sobre uma baleia morta, em referência à antiga ilustração da “fail whale” exibida pelo Twitter durante interrupções do serviço. O azul vibrante que se tornou marca registrada da plataforma também está de volta.

O site vende acesso antecipado a partir de US$ 20 e informa no topo da página, ao lado do logotipo, que “não tem vínculo com a X Corp.”. Mesmo assim, preserva elementos suficientes da identidade visual clássica do Twitter para evocar a antiga marca.

Logotipo clássico do Twitter à esquerda e novo pássaro da Twitter.now à direita.
A Twitter.now mantém o azul e a silhueta do pássaro, mas adota um novo desenho. Crédito: Reprodução/ Twitter.now

OPERATION BLUEBIRD CONTRA ELON MUSK

Stephen Coates, cofundador da Operation Bluebird e ex-advogado de marcas registradas do Twitter, escreveu no LinkedIn que o site “não é uma tentativa de recriar a antiga plataforma”. Embora ofereça alguns dos mesmos recursos do Twitter clássico, como nomes de usuário, retuítes e respostas, seus criadores enfatizam uma experiência diferente, que dialoga com as frustrações atuais de parte dos usuários com o X de Musk e com as redes sociais em geral.

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Um recurso automatizado de verificação de fatos da Twitter.now, chamado Vera, usa a IA Gemini, do Google, para checar publicações. Na “Birdhouse Constitution”, uma lista pública de valores, a empresa destaca princípios como a proteção à liberdade de expressão, mas não à “liberdade de alcance”, e a aplicação imparcial das regras. “Fama, riqueza, cargo e número de seguidores não compram tratamento especial. Ninguém está acima das regras. Ninguém está abaixo delas”, diz o documento.

Página de erro da Twitter.now mostra um pássaro azul sobre uma baleia.
A página de erro recupera a “fail whale”, ilustração exibida pelo antigo Twitter durante falhas no serviço. Crédito: Reprodução/ Twitter.now

O X processou a Operation Bluebird no ano passado. Na ação, os advogados do X afirmaram que a organização estava “tentando descaradamente roubar a mundialmente famosa marca Twitter”, apesar de não ter qualquer direito sobre ela. Também alegaram que a X Corp. era proprietária das marcas Twitter e tweet, além do logotipo do pássaro azul. A Operation Bluebird, que não respondeu a um pedido de comentário, sustenta que o X abandonou essas marcas registradas.

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O X registrou uma queda de cerca de 10% em sua base de usuários ativos diários no ano passado. Segundo o Pew Research Center, o percentual de adultos nos Estados Unidos que dizem usar a plataforma permaneceu estável entre 2024 e 2025. Enquanto isso, o Threads, clone do Twitter criado pela Meta, alcançou 500 milhões de usuários ativos mensais em junho. Em janeiro, o Threads tinha 141,5 milhões de usuários ativos diários em dispositivos móveis, mais do que os 125 milhões do X.

O X atingiu um teto sob o comando de Musk, mas ainda existe, claramente, interesse pelo tipo de experiência de rede social que funcionava como uma “praça pública” e que a plataforma oferecia no passado. Ao recuperar elementos da identidade visual clássica do Twitter, essa tentativa de criar um novo Twitter explora a nostalgia pelo feed de antes de Musk e do X.


SOBRE O AUTOR

Hunter Schwarz é colaborador da Fast Company e acompanha de perto os pontos de contato entre design e publicidade, branding, negócios,... saiba mais