A busca mudou e sua estratégia de conteúdo precisa mudar com ela

Não tem jeito, os consumidores vão usar inteligência artificial para pesquisar. A pergunta é se eles vão encontrar você quando fizerem isso

marcas precisam se adaptar à busca por IA
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Shelley Pursell 4 minutos de leitura
Favoritar no Google

Por quase duas décadas, o inbound marketing funcionou. No Brasil, em toda a América Latina e ao redor do mundo. Em determinado momento, os leads gerados pela metodologia de inbound representavam 80% da receita da nossa equipe de vendas na região. O conteúdo continua sendo o motor – mas o sistema que ele impulsiona hoje não se parece em nada com o de antes.

Usar o inbound como filosofia? Continua sendo a coisa certa a fazer. Gere valor, atraia as pessoas certas. Mas onde essas pessoas estão, como avaliam opções e como chegam até você agora é fundamentalmente diferente. E essa mudança não é uma tendência. É estrutural.

Três forças convergiram rapidamente para transformar o comportamento de compra.

Primeiro, a busca deixou de enviar pessoas para sites. Hoje, seis em cada 10 buscas no Google terminam sem clique porque os usuários recebem suas respostas diretamente das ferramentas de IA do Google.

Segundo, as redes sociais atingiram um teto de alcance orgânico, e nenhuma quantidade extra de conteúdo vai romper essa barreira.

Em terceiro lugar, os compradores estão chegando ao meio e ao fundo do funil, em vez do topo, como acontecia antes. Quando chegam até você, eles já pesquisaram, já formaram uma opinião e, em muitos casos, já escolheram.

OTIMIZAÇÃO PARA BUSCAS POR AI

O conteúdo continua essencial para o marketing, e isso não vai mudar. Mas o público principal mudou.

Antes, você escrevia pensando em dois leitores: as pessoas que queria alcançar e o algoritmo que ajudaria essas pessoas a encontrar você. Ranqueie bem, chegue à primeira página, receba o clique.

Hoje, existe outro público para otimizar: os crawlers que alimentam os LLMs. Esses são os grandes modelos de linguagem por trás do ChatGPT, Gemini, Perplexity e outros mecanismos de resposta.

É aí que entra o AEO. Answer Engine Optimization é garantir que sua marca apareça quando a IA entrega uma resposta para uma pergunta relevante para o seu negócio.

Busca por IA do Google
Crédito: Fast Company Brasil

Esses mecanismos de resposta dependem de crawlers (robôs de busca) que estão constantemente rastreando e indexando conteúdo. O que eles encontram molda o que os usuários veem. Se o seu conteúdo não estiver otimizado para ser captado por esses crawlers, você simplesmente não existe nesse canal em crescimento.

Para garantir uma estratégia forte de AEO, você precisa primeiro tornar seu conteúdo no site legível para os mecanismos de resposta. Tenha uma estrutura clara, com títulos em formato de pergunta, seções de FAQ e dados exclusivos que validem sua expertise no seu setor ou mercado.

Ferramentas de IA favorecem conteúdo estruturado, escaneável, denso em informação e recente, então manter as páginas atualizadas também importa.

Leia mais: Basta uma página falsa para manipular as recomendações da IA

Em segundo lugar, construa a presença da sua marca nos canais em que os mecanismos de IA buscam consenso: YouTube, LinkedIn e Reddit dominam as citações para buscas de alta intenção.

Em terceiro lugar, meça isso ao longo do tempo, porque a visibilidade em IA é volátil. AEO é um jogo de tendência, não é um retrato estático.

MUDANÇA ESTRUTURAL

Para as empresas latino-americanas, este momento está cheio de potencial estratégico.

Há desafios que precisam ser reconhecidos: muitas empresas da região ainda não conseguem medir com precisão o ROI de marketing e as passagens de bastão entre marketing  e vendas muitas vezes continuam sendo manuais.

As equipes estão tomando grandes decisões com visibilidade incompleta sobre um modelo que já mudou por completo enquanto elas estão se adaptando.

Mas o que diferencia esta região é o que vejo todos os dias: um apetite por experimentação e uma disposição para agir rapidamente que outros mercados não acompanham.

O conteúdo continua essencial para o marketing, e isso não vai mudar. Mas o público principal mudou.

Empresas em toda a América Latina já estão testando ferramentas de IA, implementando agentes e incorporando automação à sua forma de trabalhar. A base talvez ainda precise ser fortalecida, mas a mentalidade já está à frente. Essa combinação de urgência e criatividade é exatamente o que esta transição recompensa.

Criar valor genuíno para o seu público continua sendo a estratégia certa. Esse princípio é mais relevante agora do que nunca. O que mudou foi tudo ao redor dessa estratégia: onde seu público está, como pesquisa e como encontra você.

A jornada do conteúdo até o cliente costumava ser uma linha reta pelo Google e para dentro do seu funil. Agora, é um loop contínuo. Cada campanha gera aprendizado, cada aprendizado fortalece o próximo ciclo, e esse loop agora se estende aos mecanismos de resposta nos quais seus compradores já confiam.

O alcance orgânico nas redes sociais tem um teto. SEO sozinho não basta mais. AEO é como você garante que sua marca apareça quando os crawlers dos LLMs estão decidindo quais respostas mostrar. Essas mudanças não são cíclicas. São estruturais.

Na América Latina, onde vejo constantemente equipes se movendo mais rápido e experimentando com mais ousadia do que em qualquer outro lugar, isso não é um desafio a ser administrado. É uma oportunidade para liderar.

Seus clientes vão usar IA para pesquisar. A única pergunta é se eles vão encontrar você quando fizerem isso.


SOBRE A AUTORA

Shelley Pursell é diretora sênior de marketing da HubSpot para a América Latina e Ibéria. saiba mais