Carnaval de rua e o marketing de experiência na era da atenção
O carnaval de rua deixou de ser uma oportunidade sazonal de visibilidade para se tornar um pilar estratégico anual para as marcas

O Carnaval brasileiro consolidou-se ainda mais em 2025, movimentando cerca de R$ 18 bilhões, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio e do Ministério do Turismo.
No entanto, o indicador mais relevante para o setor de marketing não é apenas o volume financeiro, mas a mudança estrutural na alocação de verbas.
Enquanto no passado os investimentos eram majoritariamente destinados à TV, desfiles em avenidas e camarotes exclusivos, onde a presença de celebridades reverberava em grandes portais, hoje o capital migra de forma estratégica para o carnaval de rua.
Essa transição é fruto de uma mudança tanto no modelo de consumo de mídia quanto no que gera resultado para as marcas. Se antes o público se sentava para assistir aos desfiles e intervalos comerciais, hoje o consumidor busca também viver a experiência de forma imersiva, compartilhando cada momento em suas redes sociais.
O poder público em capitais como Rio, São Paulo, Salvador, Recife e Belo Horizonte passou a tratar o Carnaval como uma política de desenvolvimento econômico.
O volume bilionário movimentado nessas metrópoles fez com que cidades como Rio e Belo Horizonte antecipassem o calendário oficial para janeiro. Essa estratégia não só alavanca o comércio local, como potencializa a entrada de capital externo por meio do turismo.
Este movimento é acompanhado atentamente por outros grandes players do setor. A Liesa (Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), por exemplo, planeja para 2026 uma fan fest em Copacabana. A ideia é aproximar o público do carnaval de rua ao espetáculo da avenida, mantendo essa conexão viva e fluida durante todo o período.
A NOVA ESTRATÉGIA DAS MARCAS PARA O CARNAVAL DE RUA
Dentro deste novo modelo comportamental que prioriza a experiência, o carnaval de rua apresenta-se como a plataforma ideal. Entre 2020 e 2025, o setor cresceu 35%, atingindo a marca de 53 milhões de foliões.
A plataforma Blocos de Rua registrou mais de três mil eventos, entre festas e desfiles, no ano passado. Para 2026, a expectativa é ultrapassar os cinco mil eventos em nossa agenda, cobrindo 10 cidades e oferecendo experiências para todos os perfis de público.

As marcas estão atentas a esse alcance. Uma pesquisa da Opinion Box em 2025 revelou que 72% dos brasileiros consideram o carnaval de rua mais “autêntico” que os desfiles tradicionais. Isso explica por que setores que vão da tecnologia ao consumo de massa estão criando estratégias que transcendem a mídia convencional.
Atualmente, Blocos licenciam suas marcas e criam um mercado de naming rights. O Bloco Agrada Gregos, por exemplo, passou a se chamar Bloco TikTok & Agrada Gregos.
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Simultaneamente, marcas financiam a ida de grandes artistas para as ruas, como a 99, que trouxe Ivete Sangalo pela primeira vez para São Paulo e Rio de Janeiro, e a Skol, que levou o ícone mundial da música eletrônica Calvin Harris para a rua da Consolação, na capital paulista.
Um dado que corrobora essa estratégia vem da Buzzmonitor: 85% dos foliões postam stories durante o bloco. Ao observar esses dados, as marcas buscam não apenas a conexão emocional, mas a ampliação orgânica da distribuição desse conteúdo por meio da rede social de cada usuário.
PONTE ENTRE O DIGITAL E O FÍSICO
Em um cenário de alta demanda, o papel de plataformas especializadas torna-se fundamental para criar a melhor experiência O2O (online-to-offline). É no ambiente digital que milhões de pessoas encontram o ponto de partida para o fluxo físico.
Oferecer dados confiáveis, curadoria de conteúdo e horários atualizados em tempo real é uma premissa para garantir a exposição da marca no momento correto da jornada do folião.

No Blocos de Rua, observamos esse fenômeno por meio do comportamento de nossos 6,5 milhões de usuários. É no portal, que tem quase cinco minutos de tempo de visitação, onde a jornada começa influenciando a escolha dos blocos e o consumo de produtos e serviços das empresas parceiras.
A eficiência dessa conexão é validada pelo mercado: mantemos um índice de 90% de renovação de contratos e esgotamos os pacotes de patrocínios para 2026 com 10 marcas líderes, como Brahma, Beats, 99, Mercado Pago, Cheetos, iFood e Airbnb, entre outras.
72% dos brasileiros consideram o carnaval de rua mais “autêntico” que os desfiles tradicionais.
O carnaval de rua deixou de ser uma oportunidade sazonal de visibilidade para se tornar um pilar estratégico anual. A eficiência do entretenimento democrático amplia o alcance e gera impacto direto no reconhecimento de marca e nas vendas.
A transição das marcas para este território é puramente técnica: é preciso estar onde a decisão de consumo acontece em tempo real.
Se os principais players já ocupam estrategicamente as ruas, a questão para as demais empresas não é mais sobre o potencial da festa, mas sobre o custo de oportunidade de permanecer invisível.
O mercado de R$ 20 bilhões está posto; resta saber como sua marca planeja ocupar esse espaço. Afinal, sua empresa já está preparada ou ainda está “esperando o (próximo) Carnaval chegar”?