McDonald’s da China entrega Big Mac com drones

Parceria com a Meituan cria corredor aéreo exclusivo em Xangai e impulsiona a estratégia chinesa para a chamada economia de baixa altitude

Drone transporta um hambúrguer durante uma entrega aérea.
McDonald’s e Meituan inauguraram uma rota de drones para entregar pedidos em Xangai. Crédito: Fast Company Brasil

Jesus Diaz 6 minutos de leitura
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Mais um dia, mais uma prova de que parte da população chinesa já vive no futuro. Moradores de Xangai agora podem pedir McDonald’s e receber a comida pelo ar, em quiosques instalados na região portuária da cidade.

Basta fazer o pedido pela Meituan, superaplicativo chinês que reúne entregas de comida, varejo e serviços locais, e, poucos minutos depois, um drone aparece carregando a clássica sacola de papel com os arcos dourados. Dentro dela podem estar Big Macs, McNuggets ou qualquer outro item disponível no cardápio.

Há quase uma década, a China trabalha para transformar drones e robôs em parte da infraestrutura de entregas, e não apenas em uma novidade tecnológica. O país chama esse mercado de “economia de baixa altitude”.

A Meituan realiza entregas aéreas para clientes desde 2017. Desde então, expande o serviço de cidade em cidade, enquanto as regras são construídas para acompanhar a tecnologia. A novidade, agora, é a marca. Esta é a primeira vez que o McDonald’s ganha um corredor exclusivo para drones, em vez de aparecer apenas como uma das opções disponíveis em uma rota utilizada por diferentes restaurantes.

BIG MAC PELO AR

A ligação aérea tem cerca de 3,1 quilômetros e começou a operar recentemente no West Bund, área às margens do rio no distrito de Xuhui, em Xangai.

A rota conecta uma cozinha do McDonald’s a um conjunto de pontos de retirada instalados ao longo da orla. Trabalhadores e turistas podem evitar as filas do restaurante e escolher um dos quiosques para receber o pedido.

Essas estruturas altas, decoradas com a identidade visual do McDonald’s, possuem uma plataforma de pouso na parte superior. Poucos minutos depois da confirmação da compra, o drone aterrissa e deixa a encomenda no local escolhido.

Cada drone consegue transportar até 2,4 quilos por viagem, segundo a Meituan. A empresa afirma que uma entrega comum leva menos de 10 minutos entre a saída da cozinha e a chegada ao quiosque.

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A frota pode operar sob condições normais de chuva e neve e manter a trajetória diante de rajadas de vento de até 50 quilômetros por hora. Se o tempo piorar, o sistema conclui as entregas que já estão no ar e mantém os demais drones em solo até que as condições melhorem.

O executivo Wei Qijun, da Meituan, afirma que o sistema alcançou um “fator de segurança de 99,999%” depois de anos de desenvolvimento.

De acordo com Gu Lei, diretor de impacto do McDonald’s China, as duas empresas realizaram testes experimentais em Shenzhen durante 2026 antes de estabelecer as rotas em Xangai.

A intenção agora é utilizar o projeto como modelo para instalar diferentes pontos de voo, conectando-os até que o sistema consiga atender todos os distritos da cidade. Atualmente, cerca de 20 marcas utilizam os drones da Meituan.

A CORRIDA DA ECONOMIA DE BAIXA ALTITUDE

Em dezembro de 2024, dados indicavam que a Meituan operava 53 rotas e havia realizado aproximadamente 400 mil entregas com drones. Em maio, a empresa informou à imprensa chinesa que já havia ultrapassado 900 mil pedidos pagos. Depois do início das operações no West Bund, o total superou 1 milhão de entregas — mais do que o dobro do número registrado no fim de 2024.

As ambições da empresa também ultrapassam as fronteiras chinesas. Em dezembro de 2024, sua divisão Keeta Drone recebeu da Autoridade de Aviação Civil de Dubai a primeira licença comercial dos Emirados Árabes Unidos para realizar entregas além da linha de visão do operador.

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A companhia inaugurou quatro rotas no Dubai Silicon Oasis no mesmo dia. Desde então, os drones passaram a transportar refeições quentes e até plasma sanguíneo para um hospital parceiro.

Em junho de 2025, o diretor da divisão, Mao Yinian, afirmou à Bloomberg que novas rotas seriam abertas sobre a Dubai Marina.

Tudo isso faz parte de um projeto mais amplo no qual arroz frito, produtos de lojas de conveniência e Big Macs ajudam a sustentar a estratégia de Pequim para a economia de baixa altitude.

No atual plano quinquenal chinês, o governo pretende comercializar o espaço aéreo situado logo acima dos telhados das cidades. Autoridades estimam que esse mercado mais do que dobrará durante a próxima década, alcançando aproximadamente US$ 522 bilhões até 2035.

A CCID Consulting, consultoria chinesa especializada em pesquisa e tecnologia da informação, contabilizou mais de 127 mil empresas trabalhando no setor em junho.

Xangai pretende colocar 400 rotas de baixa altitude em funcionamento até o fim de 2027. Quase 30 províncias chinesas também já anunciaram planos relacionados ao setor.

POR QUE OS EUA AINDA NÃO DECOLARAM

Enquanto isso, nos Estados Unidos, a entrega por drones permanece presa em um estado permanente de “quase pronta” — uma espécie de miragem tecnológica que funciona apenas em algumas áreas dos subúrbios.

Quem vive no CEP certo na região de Dallas-Fort Worth ou em partes específicas da Carolina do Norte talvez consiga ver um drone entregando comida. Fora dessas zonas de teste cuidadosamente controladas, porém, a promessa de uma logística aérea sem atritos continua distante.

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A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos autorizou recentemente a DoorDash a operar um serviço comercial de entregas por drones, mas ainda não está claro quando ele funcionará plenamente.

Para o restante do país, receber uma pizza ainda depende da realidade movida a combustível: motoristas atravessando as ruas como se participassem diariamente de uma versão engordurada de “Velozes e Furiosos”.

O principal obstáculo pode estar na legislação. Na China, o governo estimula ativamente a economia de baixa altitude e desenvolve as regras à medida que a tecnologia avança. Nos Estados Unidos, as entregas por drones continuam funcionando como experimentos caros, controlados e cercados por regulações.

Empresas de tecnologia e startups precisam negociar constantemente com as autoridades para conseguir voar alguns quilômetros a mais ou operar além do campo de visão do piloto.

Cada entrega bem-sucedida depende da combinação perfeita entre clima ameno, ventos fracos, terrenos suburbanos abertos e uma série de autorizações.

Na Europa, a situação é um pouco melhor. A regulamentação tende a considerar os riscos do voo, e não apenas sua finalidade. Mesmo assim, o continente permanece atrás da estratégia de infraestrutura conduzida pelo governo chinês.

Ainda existem muitos problemas a resolver antes que os Big Macs tomem conta dos céus.

Também é impossível não imaginar quando acontecerá o primeiro grande acidente fatal em Shenzhen ou Xangai. Afinal, por mais seguro que seja, o sistema não é 100% infalível.

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Nosso desejo de receber comida poucos minutos depois de apertar um botão justifica os riscos e as dificuldades que inevitavelmente surgirão com a expansão global desses serviços?

Responderei assim que um amigo usar seu DJI para despejar 20 McNuggets cobertos de molho agridoce diretamente na minha boca aberta. Não pretendo nem caminhar até o quiosque.


SOBRE O AUTOR

Jesus Diaz fundou o novo Sploid para a Gawker Media depois de sete anos trabalhando no Gizmodo. É diretor criativo, roteirista e produ... saiba mais