CTO da Meta admite que moral da empresa está entre as piores da história

Depois de demitir cerca de 10% da sua força de trabalho, Meta está atrás do engajamento dos funcionários. Lanches, diversão e aumentar eventos sociais são as ideias da empresa para “melhorar a cultura”

Andrew Bosworth, CTO da Meta, em primeiro plano, com o logotipo da empresa e funcionários ao fundo, ilustrando a crise de moral após demissões e reestruturações para IA.
O CTO da Meta, Andrew Bosworth, admitiu que a moral dos funcionários está entre as piores da história da empresa, após meses de demissões e reestruturações voltadas à IA. Créditos: UK Home Office, CC BY 2.0 via Wikimedia Commons / furkanfdemir via Pexels / Dima Solomin via Unsplash

Camila de Lira 3 minutos de leitura

A Meta vive uma das piores crises de sua história recente. Um mês depois de demitir 10% de sua força de trabalho global para acelerar os investimentos em inteligência artificial (IA), a Big Tech admite que a moral interna está baixa. “Provavelmente é um dos piores momentos de todos os tempos”, disse o CTO da empresa, Andrew Bosworth.

Conhecido como Boz, o executivo afirmou isso durante uma reunião interna na Meta. A notícia foi dada pela Business Insider. “A moral está entre os piores momentos dos últimos 20 anos.Acho que o caso Cambridge Analytica foi provavelmente o pior”, acrescentou Bosworth, referindo-se ao escândalo político da década de 2010, quando os dados de até 87 milhões de usuários do Facebook foram usados ​​para segmentar eleitores sem o seu consentimento.

O desgaste também foi alimentado por outras decisões recentes. Em abril, a empresa enfrentou críticas após anunciar o uso de softwares para monitorar atividades dos funcionários, como movimentos do mouse e digitação, com o objetivo de treinar seus sistemas de IA. A iniciativa gerou protestos internos e uma petição organizada por empregados.

A IA MUDOU O CLIMA DENTRO DA META

A queda na moral coincide com uma das maiores reestruturações da história recente da Meta. Além das demissões, milhares de funcionários foram transferidos para equipes dedicadas ao desenvolvimento de IA , muitas vezes de forma compulsória. Segundo relatos publicados pela Wired, parte desses profissionais considera o novo trabalho repetitivo, pouco estimulante e distante das funções que exerciam anteriormente.

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A insatisfação também apareceu fora da empresa. Como mostrou a Fast Company anteriormente, funcionários passaram a usar o fórum anônimo Blind para relatar frustração com a nova estratégia da Meta. Um levantamento da plataforma mostrou que as publicações com sentimento negativo sobre IA na empresa saltaram para 83% desde o fim de 2025 — cerca de 300% acima do registrado em 2024.

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"A Meta está morta e deprimente", escreveu um usuário após a rodada de demissões. Outro resumiu o sentimento de parte dos empregados:

"Eles não se importam mais com os funcionários. Tudo o que importa é a IA."

A META TENTA RECUPERAR A CULTURA (COM LANCHES DE GRAÇA)

Boz usou um memorando para dar ideias de como mudar o desânimo dos funcionários, entre elas… o clássico do mercado de startups dos 2010: lanche de graça nos escritórios. 

De acordo com um trecho do memorando — intitulado “De Volta ao Dia 1” — fornecido à Fast Company norte-americana,

Bosworth disse que a Meta precisa se tornar um lugar  "divertido e agradável".

Algumas dessas estratégias incluem aprimorar os benefícios oferecidos aos funcionários, como áreas de descanso com lanches e bebidas, e aumentar os orçamentos para viagens e eventos sociais.

Ele ainda afirmou que a empresa vai se esforçar para explicar melhor as mudanças na estratégia da empresa, assim como os benefícios da IA, aos funcionários.

Bosworth observou que a Meta não acredita que a IA substituirá completamente os trabalhadores de IA, mas que alguém mais qualificado em IA poderá fazê-lo. "Devemos levar em conta o ditado: 'A IA não vai roubar seu emprego, mas alguém que entende de IA pode'", acrescentou, ecoando um sentimento já compartilhado por outros líderes de IA, como Jensen Huang, da Nvidia.


SOBRE A AUTORA

Camila de Lira é é editora chefe da Fast Company, jornalista formada pela ECA-USP, early adopter de tecnologias (e curiosa nata). saiba mais