Meta, TikTok e YouTube enfrentam ações coletivas por design viciante
Grupo de direitos digitais cobra mudanças no funcionamento de YouTube, TikTok, Instagram e Facebook

O YouTube está entre as plataformas processadas em Portugal por supostamente utilizar recursos de design que mantém os usuários conectados por mais tempo.
Segundo a Reuters, o grupo português de direitos digitais D3 entrou com ações contra YouTube, Facebook, Instagram e TikTok, alegando que as plataformas utilizam funcionalidades desenvolvidas para estimular o uso contínuo.
As quatro ações coletivas foram apresentadas pelo escritório Andersen Tax & Legal Iberia no Tribunal Cível de Lisboa entre abril e maio de 2026, mas só foram divulgadas após o recesso judicial de verão.
A D3 afirmou que busca responsabilizar as empresas e exigir uma experiência considerada mais segura para os usuários.
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QUAIS RECURSOS SOFREM QUESTIONAMENTOS?
De acordo com a Reuters, a D3 aponta como exemplos a rolagem infinita, reprodução automática de vídeos, notificações persistentes e sistemas de recomendação altamente personalizados.
No caso do YouTube, a plataforma pertence à Alphabet. A Meta controla o Facebook e o Instagram, enquanto a ByteDance detém o TikTok.
A organização afirma que esses mecanismos eliminam pausas naturais durante o uso e incentivam o retorno constante às plataformas. Para a D3, a combinação desses recursos cria ciclos de feedback comportamental semelhantes a técnicas utilizadas há décadas pela indústria de jogos de azar.
A entidade defende que as plataformas podem oferecer ambientes digitais mais saudáveis sem abandonar completamente os mecanismos de recomendação e interação.
EMPRESAS AINDA NÃO SE MANIFESTARAM
A Reuters informou que Meta, ByteDance e Alphabet não responderam imediatamente aos pedidos de comentário feitos pela agência sobre os processos.
As ações ocorrem em meio ao aumento da pressão sobre as plataformas digitais por causa dos possíveis efeitos de recursos desenvolvidos para prolongar o tempo de uso e estimular o engajamento contínuo.
Em fevereiro, o TikTok foi acusado, sob regras da União Europeia, por supostos recursos viciantes. Já em agosto, a Meta concordou em pagar até US$ 18 bilhões para encerrar processos relacionados a alegações de vício nos Estados Unidos.
33 MILHÕES DE USUÁRIOS EM PORTUGAL
Dados compilados pelo site SocialMediaTransparency.org e citados pela Reuters indicam que Facebook, Instagram, TikTok e YouTube somaram 33 milhões de usuários mensais em Portugal no primeiro semestre de 2026.
A D3 afirma que os processos têm como objetivo pressionar as plataformas a adotar medidas que proporcionem uma experiência mais segura.
Para Ricardo Lafuente, presidente da organização, as redes sociais não precisam ser “hiperviciantes” e podem funcionar de maneira saudável, produtiva e educativa com regras adequadas e fiscalização.