Apple errou com o Vision Pro. Os novos óculos da Meta mostram por quê
O headset da Apple enfrenta problemas de preço, peso e conteúdo, enquanto a Meta aposta em um formato mais leve e componentes mais baratos

O Vision Pro, da Apple, nunca teve grandes chances de ser um sucesso imediato. Não era apenas o preço de impressionantes US$ 3.499: havia também a dependência do headset de painéis OLED altamente avançados e de baixo rendimento da Sony, que só podiam ser produzidos em quantidades inferiores a um milhão de unidades por ano.
Nunca houve um cenário em que o Vision Pro pudesse se transformar no próximo iPhone da noite para o dia. A Apple sabia disso quando lançou o produto, mas considerou que valia a pena colocar a plataforma no mercado mesmo assim.
Dito isso, a empresa certamente não deve estar muito satisfeita com a recepção ao Vision Pro. O conteúdo para o headset diminuiu até virar um filete e em nenhum momento, desde o lançamento, foi difícil encontrar uma unidade em estoque.
Um produto de nicho criado para despertar entusiasmo entre os primeiros usuários e desenvolvedores é uma coisa, mas há poucas evidências de que ele tenha conseguido isso sequer nesse nível.
Isso não significa dizer que haja algo de errado com a qualidade do Vision Pro. O visionOS é um sistema operacional cuidadosamente projetado e o hardware continua sendo líder da categoria em muitos aspectos.
Mas, se a visão da Apple para a computação espacial algum dia quiser decolar, algumas coisas precisam acontecer. O headset precisa ficar menor, ser mais confortável de usar e custar muito menos.
A ALTERNATIVA DA META
Entra em cena a Meta, que anunciou em setembro um produto que parece cumprir os três requisitos. Os Meta VR Glasses foram projetados para fazer muitas das mesmas coisas que o Vision Pro, mas em um formato mais leve e semelhante ao de óculos, e que vai custar cerca de um terço do preço do dispositivo da Apple – eles chegarão ao mercado por US$ 1.299 no ano que vem, enquanto o Vision Pro parte de US$ 3.699.
Como a Meta conseguiu isso? Uma das medidas para reduzir custos está nos painéis OLED dos óculos. As duas telas 4K do Vision Pro eram caras até para os padrões do restante do hardware, que tinha o nível de sofisticação que se esperaria da Apple. Uma estimativa da Omdia estimou os dois painéis micro-OLED internos da Sony em US$ 228 cada.

Somando a tela OLED externa, que exibe uma representação de baixa resolução dos olhos do usuário, o custo estimado do conjunto de telas chegava a cerca de US$ 530, ou 35% do custo total dos componentes.
É importante lembrar que uma lista de materiais não revela tudo o que entra no preço final que você vê nas lojas. Mas, neste caso, ela pode muito bem indicar quanto a Apple estava gastando nos painéis de tela antes de contabilizar chips, sensores e todos os demais componentes.
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A Meta afirma que os seus óculos VR têm 2.412 x 2.288 pixels por olho, cerca de metade do Vision Pro. Mas, em termos de nitidez, os dois headsets estão mais próximos do que se poderia imaginar. A Meta informa uma densidade de 37 pixels por grau, que é, na verdade, superior à do Vision Pro.
A desvantagem é que o campo de visão é menor: cerca de 70 graus na horizontal, contra aproximadamente 100 graus do Vision Pro. Esses números podem variar e diferir de usuário para usuário, mas a diferença entre os dois é considerável.
OUTRAS VANTAGENS
Outra maneira encontrada pela Meta para reduzir o tamanho e o peso foi transferir os componentes de computação para o “puck” conectado por cabo, enquanto no Vision Pro esse dispositivo abriga exclusivamente a bateria.
Isso já parecia uma decisão estranha da Apple na época do lançamento do Vision Pro. Afinal, a maior parte do espaço dentro de um iPhone já é ocupada pela bateria.
Se você vai ter um cabo ligado a uma caixa externa de qualquer maneira, certamente seria prudente aproveitá-la ao máximo e reduzir o peso sobre a cabeça do usuário.

A Apple também não quis fazer concessões quando se tratou dos controles do Vision Pro, ou da ausência deles. O sistema operacional foi inteiramente construído em torno de controles gestuais intuitivos, em uma decisão tipicamente Apple.
Mas isso colocou o Vision Pro em desvantagem quando o assunto era suporte a jogos. A posterior inclusão de suporte aos controles do PlayStation VR2 – ele próprio não exatamente um dispositivo de enorme sucesso – não mudou muito esse cenário.
Os Meta VR Glasses também não serão vendidos com controles na caixa, mas têm duas vantagens importantes: compatibilidade com a enorme biblioteca de jogos do Quest e com os controles do Quest 3. Isso significa que qualquer pessoa que comprar os óculos e quiser jogar neles não ficará sem opções no dia do lançamento.
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É claro que até o Quest 3 está longe de ser um sucesso de massa, e não há garantia de que a Meta terá desempenho melhor com seus VR Glasses. Mas, do ponto de vista de design e tecnologia, é impressionante o quanto eles já parecem ser um produto mais viável do que o Vision Pro.
A Apple terá de voltar à prancheta com o visionOS, e a Meta pode muito bem ter acabado de mostrar o caminho a seguir.